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OPINIÃO: O Que Aconteceu ao Homem de Aço é digno do Supes

Poron outubro 19, 2016
Detalhes
 
Positivos

Possui excelente gosto
Drama na medida certa
Personaliza atributos de heróis
Respeita legado e passado do Superman

Nota do editor
 
Roteiro
80%

 
Argumento
100%

 
Personagens
90%

 
Ilustração
90%

Pontuação Total
90%

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Nota dos usuários
 
Roteiro
75%

 
Argumento
75%

 
Personagens
72%

 
Ilustração
85%

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A essa altura, é desnecessário apresentar o Superman a você: essa tarefa precisa ser da própria DC Comics. E, como não poderia ser diferente, no site oficial eles começam a caracterização com um fundamentado “o super-herói mais reconhecido da cultura pop”. Ora, convenhamos… quem não reconhece o filho de Krypton? Quem não reconhece o bebê alienígena que chegou à Terra, a protege e por tantas vezes é mais humano do que qualquer habitante? É um ser que desafia todo ente maligno em prol dos inocentes e dos oprimidos. Alguém que ajudou a criar o molde do herói de quadrinhos, aquele que é realmente o seu arquétipo mais inconfundível. Trata-se daquele que ostenta o “S” vermelho no peito. Ele é Clark Kent, Kal-El…. O Super-Homem. Não é um pássaro, e nem um avião…. É algo maior. O “Homem de Aço” é um verdadeiro ícone cultural por si só.

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A essa altura também já sabemos que, antes da Crise, existia um multiverso com várias interpretações dos personagens. Pois o Anti-Monitor veio e causou a unificação de tudo, lembra? Também sabemos disso, claro. Mas antes da Crise, o personagem conhecido como Superman havia se tornado grandioso, de tal forma que ficaria difícil ignorar a fama, as décadas de páginas e o conteúdo do personagem…. Ficaria difícil ignorar a história do ídolo de tanta gente, mas o objetivo mais claro era o de unificar o multiverso e dar um recomeço factível para os velhos e novos fãs da editora. Em outras palavras: se por um lado era desejado recomeçar tudo, por outro era possível notar uma enorme vontade de prestar tributo a esse notável de Krypton, tão marcante havia sido a memória para as pessoas durante todo esse tempo. Então, chamaram alguns gigantes do ramo e escreveram uma última história no ambiente pré-Crise como despedida digna para o maior de todos, após cerca de cinquenta anos de legado indiscutível.

Assim nasceu “O que aconteceu ao Homem de Aço? ” (No original, “Superman: Whatever Happened To The Man Of Tomorrow? ”), publicação escrita por ninguém menos do que o mítico Alan Moore (sim, é isso mesmo o que você leu! O próprio… o mesmo de V de Vingança, Do Inferno, Batman: A Piada Mortal e Watchmen, que àquela altura estava em progresso), e com edição do Julius Schwartz. George Pérez, o mesmo da Crise e dos Novos Titãs, daria as caras por aqui. Curt Swan, desenhista de longa data e provável responsável pelo traço clássico e polido do Superman, foi chamado mais uma vez e já mostra a que veio com uma capa com verdadeiros Easter Eggs.

Sobre a capa, basta citar a introdução do encadernado recente. “Schwartz pontua: se você olhar atentamente para a capa de Action Comics 583, verá algumas importantes aparições especiais. ”
Veja por si mesmo, porque vale a pena contemplar.

action-comics-583‘Ela mostra o Superman voando do topo do Planeta Diário e todos dando adeus. As três pessoas que estão em pé na frente são Jenette Kahn, com Curt Swan à sua esquerda e eu (o cara de óculos é o próprio Schwartz) à direita ’. Olhando com atenção para o rosto do Superman, você verá lágrimas nos olhos do Homem de Aço. ‘As lágrimas nos olhos são, de fato, as lágrimas de Curt Swan.’ ’

“O que aconteceu ao Homem de Aço? ” é uma história imaginária – como todas as outras no fim o são, conforme muito bem salientado no texto inicial – e que denota o que seria a batalha final do Superman contra seus inimigos, sua relação com o seu próprio fim, com o momento de pendurar as chuteiras e ter um final do filme, fosse feliz ou não. O grande destaque aqui vai para o fato de que essa publicação possui duas histórias que falam um pouco do que o Superman sempre foi: reflexão sobre o próprio papel no mundo, conflito com os detestáveis e determinação contra o mal. E a referência a essa obra vai até muitos anos mais tarde, quando Neil Gaiman (o mesmo de Sandman) escreveria com intenção similar o tenso “O que aconteceu ao Cavaleiro das Trevas? ” – Aqui, como você pode imaginar, para o Morcego de Gotham.

Boas histórias
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Na versão original, a publicação se dividiu em outras duas: Superman #423 e Action Comics #583. Abaixo, seguem sinopses e avaliações diretas das histórias. Não se preocupe, pois não será dado qualquer Spoiler.

Em Superman #423 (com o título “O que aconteceu ao Homem de Aço? ”), você lerá uma boa história de ação e algum nível de conspiração. Basicamente, Lois Lane fará um grande flashback. Aqui, você terá participação de vários dos personagens mais emblemáticos da mitologia do Superman, perdas importantes e um final impressionante e bem pensado, reflexivo e realista o quanto pode. Em Action Comics #583, que é a continuação da anterior, a história também leva a um momento nostálgico, onde improváveis heróis assumem parte da situação. Aqui, você tem um final interessante, justamente porque há coisas que ficam nas entrelinhas também.

Nas edições encadernadas mais recentes, você tem a adição de “DC Comics Presents #85”, que apresenta uma história do Superman com o Monstro do Pântano, além de “Para o Homem que tem tudo”, que conta um aniversário do Superman e já foi até adaptada para um episódio da Liga da Justiça Sem Limites – tudo do Moore, claro.

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Deve-se a “O que aconteceu(…)? ” muito dessa visão de que o Superman possui facetas mundanas e de que, em momentos de complicação máxima, sua obstinação pode se tornar insegurança. No próprio fim da história principal, Superman toma uma decisão impensável para si. E isso com certeza é grande fonte de influência para toda visão realista do Supes, já que ele é a tradução do grande herói de qualquer tempo. A pegada adulta e séria de Alan Moore, que já exalava sua qualidade e começava a mudar a visão de todos àquela altura, faz valer cada centavo do seu investimento. Quando você lê quadrinhos frequentemente, de autores diferentes, e de repente se depara com a narrativa de um cara como o Moore, não é difícil notar a densidade da trama e toda a preocupação com te fazer pensar. E é exatamente por isso que essa leitura é tão valiosa: apesar de ser em alguns momentos até mesmo um pouco previsível, continua sendo fácil perceber o quanto o Superman de qualquer época terá uma pincelada do Moore.

Toda a fama e todas as características mais marcantes do Superman vieram destes anos. A ideia de que eles concluiriam essa era, junto àquele conceito de que o pré-Crise teria uma cronologia confusa em algum momento canonicamente encerrada – tanto com a Crise quanto com a própria mitologia do Superman, como aqui – já dá uma boa ideia do tamanho do respeito que esse personagem possui. Ele justifica até mesmo esses dois passos ambiciosos – um em cada direção. A esperança, o otimismo e a complexidade sobre o papel no mundo que este herói tem são coisas únicas, e devem mesmo ser comemoradas por todo pretenso fã da editora mais legal de todos os tempos.

Nota 9.0 para a coleção derradeira do também maior de todos.