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Vamos conversar sobre jogos Indie.

Poron dezembro 18, 2016
 

Quem nunca ouviu falar de jogos como Undertale, Super Meat Boy e FEZ? São jogos indies que acabaram explodindo em um certo momento.

Em sua maior parte, não são conhecidos pelos gráficos incríveis e uma mega produção, mas sim pela simplicidade e a capacidade de contar uma história. Undertale, por exemplo, conseguiu o amor do público graças a sua história e jogabilidade, e não por gráficos realistas.

Quando estamos falando de vídeo game, precisamos lembrar que também estamos falando de uma forma de arte. Sua produção envolve milhares de coisas como animação, roteiro e direção (Mortal Kombat X teve quase duzentas pessoas envolvidas). Isso mostra que a indústria está ficando cada vez mais séria.

Quem não lembra da morte do Atari? Que aconteceu logo após o lançamento do E.T the Extra-Terrestrial, que teve cópias enterradas por falta de vendas. Mas não foi o jogo, em específico, que matou a empresa.

A indústria já estava saturada de jogos ruins, cheios de bugs e que não se diferenciavam. O documentário Atari: Game Over mostra muito bem como isso aconteceu. Uma hora, o público cansa de tanta coisa ruim.

Então, é muito gratificante você ver a preocupação que se existe para que os jogos tenham algo a mais. The Witcher é um ótimo exemplo disso.

É melhor ainda quando vem de estúdios menores, com poucas pessoas envolvidas (Super Meat Boy foi desenvolvido por duas pessoas). Existe um carinho e uma vontade de se aproximar do público com a sua obra.

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Eles não foram feitos para vender ou porque, no momento, o público se identifica mais com esse molde. Mas foram feitos porque alguém acreditou naquilo e realmente achava que era uma boa ideia.

col_screen04_156324Um ótimo exemplo é Child of Light. O jogo não possui uma história incrível, mas é tão simples que chega a ser cativante. Os cenários são lindos, as batalhas são em formato de RPG e a animação é maravilhosa.

Uma vantagem das produções independentes é ir contra a maré. Quando um jogo MOBA explode, nós temos mais jogos MOBA sendo lançados, o mesmo acontece com todos os outros gêneros. Se você é independente e não tem que responder para um produtor, a liberdade criativa para inovar é muito maior.

Braid, lançado em 2008, conta a história de Tim na sua busca para salvar uma princesa. É um jogo de plataforma com resolução de puzzles, baseados na sua habilidade de manipular o tempo. Nele você pode completar quebra-cabeças que contam-nos um pouco mais sobre o protagonista.

Se você ignorar os pequenos textos, Tim sempre vai ser um herói normal; mas uma interpretação, entre as várias que o jogo possui, a história muda completamente. (Em uma das histórias, a princesa seria uma bomba nuclear).

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No final, descobrimos que Tim agrediu sua noiva e esta decidiu terminar o relacionamento; então dentro da sua cabeça, ele volta no tempo várias vezes pensando em como recupera-la.

A última tela (que na verdade é a primeira, tendo em vista que o jogo começa pelo segundo mundo), o chefão final é o próprio Tim na sua forma agressiva e mesmo fazendo de tudo para que ele não faça mal a princesa, é impossibilitado de ficar com ela, voltando no tempo mais uma vez para resolver os seus erros.

Agora, como alguém pode me dizer que isso não é arte? A reflexão que a história faz e o modo como ela é contada são simplesmente maravilhosos.

Não estou dizendo que grandes produtoras são tem jogos bons, que contam uma ótima narrativa e ainda nos ensinam muita coisa. Porém, eles tiveram o suporte para isso, diferente de muitos desenvolvedores independentes.

O documentário Indie Game – The Movie, mostra-nos os criadores de Super Meat Boy e FEZ, e da para perceber o quão trabalhoso é para fazer aquilo, e eles só fazem porque acreditam naquela ideia.fez-game

Ver jogos como Inside concorrendo ao Game Of The Year, do lado de Overwatch e DOOM faz meu coração se aquecer com alegria.

A indústria cresceu, faz muito dinheiro e finalmente vem sendo reconhecida pela mídia tradicional, não como algo que vai destruir o jovem e sim como algo sério e que pode acrescentar muito na vida de alguém.

Jogue Battlefield, Gears of War, Tomb Raider e Far Cry; mas também de uma chance para aquilo que parece simples e despretensioso, que eu tenho certeza que você vai se impressionar.