Super-Heróis não são só para crianças!

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Eu leio HQs faz um tempo, desde criança me interessei (na verdade eu só comecei a ler livros, por causa das HQs),e fui crescendo com elas.

Não faz muito tempo que meu professor de português me pegou lendo e disse que era uma vergonha, alguém tão perto de se formar ler aquelas coisas de  criança. Um de seus argumentos, foi de que, histórias em quadrinhos não traziam uma linguagem reflexiva ou lições importantes.

Contudo, qualquer coisa pode trazer reflexão, da mais simples até a mais complexa obra. Se você souber olhar criticamente, ela vai te fazer pensar. Pegando de uma maneira bem geral, nem mesmo os super-heróis são coisa de criança.

Tony Stark é um bêbado que sofre de depressão, Bruce Wayne tem uma possível crise de dupla personalidade e Kyle Rayner viu o corpo da namorada em uma geladeira. Eu não estou fazendo teorias da conspiração, como a do Ash em coma; É do cânone do personagem.

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Os quadrinhos são divididos pelos seus “gêneros” e existe essa separação até mesmo nos filmes. Guardiões da Galáxia é uma odisseia espacial, Vingadores é um blockbuster e Batman v Superman é uma ação muito mais séria. Você não vai assistir guardiões esperando o nível crítico de BVS.

Analise histórias do Batman como A Piada Mortal e Asilo Arkham. Na primeira, nós vemos o Coringa tentando convencer o Bruce que só é necessário um dia ruim para que a pessoa perca o controle; Ao tentar alcançar seu objetivo, ele da um tiro e estupra Barbara Gordon e tortura Jim Gordon.

 

Já no Asilo Arkham, além de todo o desenho pesado e confuso, ainda conhecemos a macabra história de Amadeus Arkham, o fundador do hospital. Temos de concordar que nenhum de nós daria algo assim para seus sobrinhos lerem. Ambas as histórias falam de temas sérios como sanidade, violência, estupro e traumas causados pela violência (vide o final de A Piada Mortal).

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Agora, falando de uma linha mais crítica, vamos pegar a HQ de Guerra Civil; que começa com mais de 700 civis mortos e brigas políticas durante todo o contexto. De um lado temos o Homem de Ferro dizendo que o registro é necessário, para que os heróis não tomem atitudes que possam matar mais inocentes e do outro temos o Capitão América, dizendo que isso fere a liberdade de quem só quer proteger.

O conflito é marcado por milhares de mortes e reflexões políticas que alguém mais novo não entenderia de primeira. Não me venha dizer que isso é coisa de criança. Nem vou citar Watchmen porque essa obra fala por si própria.

Não podemos esquecer, também, que o mundo dos quadrinhos não se resume ao gênero dos super-heróis mais comuns. Temos V de Vingança, que fala sobre ditaduras, revoluções e o poder do povo.

Claro, existem coisas que são dedicadas para quem é mais jovem. Kamala Khan, por um exemplo, tem uma história bem leve voltada totalmente para o público adolescente. Com crises de identidade, problemas de aceitação pessoal e até preconceito.

Sem contar que temos as animações da DC, como Teen Titans Go e DC Super Hero Girls  voltadas totalmente para as crianças.

Ainda tem quem diga, que tal coisa é ruim porque DEVERIA ser dedicada aos mais novos. Me lembra dos pais que levaram crianças pequenas para assistir Deadpool, e depois reclamaram dizendo que o filme deveria ser dedicado ao público infantil.

Isso é muito mais que errado, Wade Wilson nunca foi e nunca será um personagem infantil. Ele faz piadas sujas, brinca com temas sérios e normalmente só quem é mais velho entende.

Creio que esse pensamento não veio somente com os filmes da Marvel, maioria com um roteiro bem brando (inclusive Guerra Civil). Até mesmo as séries de TV das duas editoras são mais “vazias”, como Agents of Shield, The Flash e Supergirl;  Que normalmente, tratam do vilão semanal e problemas mais simples.

As únicas séries mais adultas, no gênero de super-heróis, são Daredevil, Jessica Jones e a nova leva de projetos da Netflix com a Marvel (que diferente das outras, não passa na TV aberta americana, onde seria de mais fácil acesso).

Não é necessário ser um expert em quadrinhos, para entender que muitos não são para crianças; e que não devemos ridicularizar os adultos que leem. É quase como dizer que você não leu As Crônicas do Gelo e Fogo, simplesmente porque falava de cultura medieval, sendo que não se preocupou em saber a magnitude da obra.

Quando vamos fazer uma crítica, precisamos entender duas coisas: qual é o seu público alvo e se ele cumpriu o que prometeu. Só assim vamos saber se é bom ou não. Temos de lembrar que o nosso gosto não é universal, e que ninguém é igual. Não adianta dizer que ela é ruim porque deveria ser pra crianças, sendo que o objetivo nunca foi ser para crianças.

Super-heróis podem sim trazer reflexões, perguntas e te fazer pensar sobre o mundo em volta. Não julgue um livro pela capa e não tenha preconceito para ler, as vezes você pode estar perdendo as melhores histórias da sua vida.

 

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