Setembro Amarelo e Os 13 Porquês

O Setembro Amarelo já passou, mas nunca é tarde demais para falar sobre o suicídio.  Eu sempre fui fã de fantasia, gostava de fugir do meu mundo em universos fictícios, porém esse livro fez o inverso. Ele me trouxe para uma realidade, que apesar de horrível, existia.

Os Treze Porquês conta a história de Hannah, uma adolescente que se muda pra uma cidade nova e acaba cometendo suicídio. Não, não é um spoiler; Nosso narrador Clay conta que faz duas semanas que a menina morreu.

Um dia, ao chegar em casa, Clay encontra uma caixa com fitas. Ao escuta-las. descobre que foram gravadas pela Hannah, contando os treze porquês pelo seu suicídio (cada porquê representa uma pessoa).

Além de ser uma ótima leitura, o livro chama atenção pra coisas como depressão e pedidos de ajuda. Durante várias gravações, ela diz que pediu ajuda muitas vezes e ninguém nunca percebeu. Nós entramos na cabeça da Hannah e entendemos os seus motivos.

“Fiquei pensando em suicídio. Na maioria das vezes, era apenas um pensamento passageiro. Eu queria morrer. Pensei nessas palavras muitas vezes. É algo difícil de dizer em voz alta. É ainda mais assustador quando você sente que pode estar falando sério.”

Durante a leitura, alguns motivos pareceram meio bobos. Como o bullying que ela sofria de uma das meninas. Mas depois de uma pausa, pude perceber que aquilo era o efeito bola de neve; Talvez o motivo não fosse grande coisa, mas o contexto que ele se encontrava fazia-o ser insuportável. O bullying não era o problema, o motivo pelo qual ele acontecia era.

Em certo ponto, descobrimos que Clay era apaixonado pela menina e teve medo de se declarar. Ele sempre se pergunta como influenciou em sua morte (ele só recebeu as fitas, porque fazia parte daquilo).

“Eu estou escutando alguém desistir, alguém que eu conheço – alguém que eu gosto. E ainda assim, é tarde demais”

dsc04428Isso me chamou atenção durante todo o momento, era tarde demais. Nós escutamos a Hannah se destruindo aos poucos, vemos seus “amigos” traindo-a constantemente, vemos aquela personagem alegre se transformar em uma pessoa depressiva e não podemos fazer nada. Nós sabemos o final, e no final ela morre.

Hannah vai perdendo seus lugares “sagrados”. A escola era um completo inferno, a cidade era rodeada de pessoas que abusavam dela, em casa seus pais estavam muito preocupados com os negócios pra prestar atenção e chegou em um ponto, que nem mesmo seu quarto era um local seguro.

O Clay cresce muito durante a narrativa, talvez fosse tarde demais para salvar Hannah, mas existiam outras pessoas que talvez ele pudesse ajudar. Tanto que um dos piores sentimentos que eu senti quando li o livro, foi ver Hannah pedindo ajuda. Não com dicas ou comportamentos, mas com palavras.

“Suicídio, eu tenho pensado sobre isso. Não de uma maneira tão séria, mas eu tenho pensado sobre isso”

Isso faz você se sentir imponente, talvez com uma frase ou um gesto a nossa protagonista ainda estaria viva.

Os Treze Porquês foi sem dúvida um dos melhores livros que eu já li, tanto nas questões narrativas e estéticas quanto na história. Chorei horrores quando terminei, chorei também quando reli ele e vou ficar triste sempre que eu lembro dos detalhes.

Mas o livro me ensinou coisas muito importantes sobre a depressão e o mundo que estava em volta dela. Com certeza, ele merece ser lido por todas as pessoas.

 

 

Milena Matias

Estudante de jornalismo, 19 anos e com um amor enorme por video-games. Séries e cinema são os segundos amores da minha vida.

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