ORANGE IS THE NEW BLACK | Crítica 5.ª Temporada

Desde seu primeiro ano, Orange is the new black vem evoluindo como seriado, esquecendo personagens enfadonhas e abrindo espaço para seu elenco de apoio, que é primoroso.

O tema da quinta temporada é a rebelião dentro da prisão. Talvez algo que tenha me decepcionado é o clima estabelecido; Vejam bem, quando a quarta acabou, com Daya (Dacsha Polanco) apontando sua arma para o guarda, e toda a tensão entre as detentas, eu esperava uma nova temporada dramática e possivelmente triste. Não foi o que aconteceu.

Na verdade, a  série se divide em dois núcleos: o “principal”,  onde ficam concentrados os acontecimentos mais importantes e todo o drama da temporada, e o de comédia, com cenas mais leves. Isso deve incomodar no inicio, principalmente para os que, como eu, esperavam algo mais obscuro.

Claro que, no final, os dois se unem e criam uma situação de dar nó na garganta. Infelizmente, talvez a série tenha perdido uma grande oportunidade de evoluir, mas isso não chega a realmente atrapalhar.

O que incomoda é a falta de ritmo. Certos episódios tem só 20 minutos de aproveitamento, o que frusta e corta o clima de quem assiste; Ainda mais se tratando da Netflix, que baseia sua grade em maratonistas.

Já no elenco, nós temos a incrível Uzo Aduba (Suzanne), que sempre é um grande destaque; Mas, devemos fazer uma menção mais que honrosa para Danielle Brooks (Tasha Jefferson) que deu um show; Sua personagem traz toda uma carga dramática, ao falar da falecida amiga Poussey (Samira Wiley), além de tocar em temas como racismo e o descaso que as penitenciarias sofrem. Existem cenas com ela que são de tirar o fôlego

Personagens como Piper (Taylor Schilling) e Alex (Laura Prepon) ficaram bem mais apagadas, e servindo como um apoio para o resto das detentas. Isso foi muito bom, já que faz um tempo que a trama das duas se tornou menos atrativa.

E claro, como sempre, Orange is the new black abriu o caminho para discussões sobre o sistema penitenciário; Nós temos, em todo momento, as detentas citando problemas pelos quais elas passam. E a série faz isso de forma primorosa e usando até mesmo os momentos mais engraçados para discutir o assunto; Falando sobre como o sistema é falido e não foca da reabilitação delas. Mulheres que são, simplesmente, jogadas ali e que provavelmente vão acabar saindo piores do que entraram.

Aliás, um dos episódios foi dirigido pela Laura Prepon e foi um dos melhores da temporada; E o melhor em qualidade técnica.

Mesmo sem perder os traços cômicos que traz consigo desde a primeira temporada, OITNB finalmente amadurece e cresce, achando o ponto ideal entre seus dois extremos. Mesmo com algumas falhas na consistência narrativa, não podemos dizer que a série não evoluiu e não nos entregou uma de suas melhores temporadas.

Milena Matias

Estudante de jornalismo, 19 anos e com um amor enorme por video-games. Séries e cinema são os segundos amores da minha vida.

%d blogueiros gostam disto: