OPINIÃO | Vikings 4.ª Temporada

Esse post contém spoilers da quarta temporada de Vikings

Vikings foi, sem dúvida, uma das minhas melhores descobertas do ano passado. Recém orfã de Game of Thrones, iniciei minha busca por algo que preenchesse aquele vazio. E deu muito certo.

Retrata bem a história do Rei Viking Ragnar Lothbrok, indo de cenas frenéticas de batalha até momentos mais intimistas na vida de cada personagem.

Em termos técnicos, a série continua impecável. As locações são lindas e a direção aproveita cada centímetro daquela beleza para criar diversas cenas poéticas.

Todo o trabalho de arte é muito bem feito e a fotografia em cores frias trabalha a favor dos outros elementos. As cenas de batalhas continuam épicas e as recém locações para os núcleos do povo muçulmano estão maravilhosas.

A trilha sonora continua muito boa e viciante.  Não preciso nem falar do elenco, que é muito competente e faz um ótimo trabalho.

Além de que essa foi a despedida de Travis Fimmel que viveu Ragnar e foi protagonista durante todo esse tempo. Ele saiu em grande estilo.

Infelizmente, em termos narrativos, Vikings continua em sua velha montanha russa.

Desde a segunda temporada, o programa pula de cenas incríveis, como Lagertha indo embora com Bjorn, para coisas estúpidas como o total esquecimento do plot da Porunn, enfiando Torvi como um interesse amoroso sem nenhum motivo.

Mas aqui a coisa se agrava um pouco.

Quem leu a história, tinha conhecimento que Ragnar iria, eventualmente, morrer nas mãos de Rei Aelle e seus filhos acabariam indo em busca de vingança. Para que isso se encaixasse em apenas uma temporada, esta foi divida em duas.

Do primeiro episódio até o décimo temos a queda de Ragnar, mostrando todas as fragilidades da idade e a falta que Athelstan lhe faz. Aqui também é dado um destaque cada vez maior para Bjorn, fazendo o público se cativar ainda mais por ele.

Do décimo primeiro em diante, temos a apresentação dos novos protagonistas, que são os outros filhos do Ragnar (Ivar, Ubba, Sigurd e Hvitserk), que são muito bem introduzidos. Principalmente Ivar, quem vem sendo trabalhado desde a terceira temporada.

Porém, não precisava de vinte episódios. O começo da quarta temporada foi a casa dos piores episódios da série e não por causa de uma trama sem graça, mas pela falta de uma.

Não existia história para contar e foi muito difícil continuar assistindo. As coisas melhoram bastante do sétimo em diante, e o décimo é maravilhoso TELL ME, WHO WANTS TO BE KING?. Resumindo, quinze episódios teriam sido mais do que o suficiente.

Mesmo a segunda parte da temporada não ficou isenta de falhas na trama. Todo o plot da Lagertha para reconquistar Kattegat foi sem sentido. Eles precisavam que ela governasse para dar atenção a personagem, mas isso feito de maneira porca.

Sempre fora trabalhada sua independência e o quanto ela não estava presa ao Ragnar. E então, sem nenhum motivo, decide atacar uma vila para recuperar o que é seu (?) e que Aslaug supostamente teria roubado.

Para compensar tivemos ótimas cenas com Floki e uma evolução considerável em seu personagem. Também gostei muito da Helga e todo o seu drama psicológico.

Você pode ter a melhor produção do mundo mas isso não lhe da carta branca para tantos furos na narrativa. É muito difícil ter uma opinião formada por essa temporada.

 

Como dito acima, é uma montanha russa bem produzida. Recheada de momentos memoráveis, porém, com pitadas de descaso com a história que está tentando contar.

Milena Matias

Estudante de jornalismo, 19 anos e com um amor enorme por video-games. Séries e cinema são os segundos amores da minha vida.

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