OPINIÃO | Megatubarão é honestidade em Blockbuster

Cresce a expectativa, rufam os tambores e chega a hora do lançamento de mais uma superprodução. Astros do cinema como o titã dos filmes de ação Jason Statham, aliado a belos rostos como o de Ruby Rose (a nova Batwoman do Arrowverse) e Jessica McNamee, buscam seu lugar ao sol. Uma grande ameaça, cenas de terror natural, predação e ameaça a seres humanos saudáveis. Parece batido, não?

Mas não é o caso. Megatubarão (The Meg, no original) é o hit dos próximos dias e traz uma ameaça submarina importante: um Megalodonte, espécie de tubarão de enormes proporções de milhões de anos atrás. Statham é Jonas Taylor, um mergulhador com histórico polêmico e “péssima atitude”, que se vê envolto numa operação para tirar tripulantes de uma embarcação avariada numa zona aquática remota.

O tema é comum, certo? Não há nada de novo em um Blockbuster de caríssimos efeitos especiais, pompa em um protagonista objetificado, exagero na ação, e cenas que se sustentam tirando o fôlego da audiência ao abastecê-la de bons sustos. Mas é bom quando percebemos que um longa é bem desenvolvido e a experiência, como um todo, é explorada corretamente.

Não que a trama traga, da mesma forma, alguma inovação. Todos os atos do filme são bem delineados, e não há o menor constrangimento em utilização de trilhas que praticamente narram os trechos principais do filme. É elogiável o ritmo acelerado do filme especialmente nas partes de definição, e o abuso da quebra de ritmo quando o momento é um pouco mais parado e concentrado no desenvolvimento de personagens. Em outras palavras, é muito bom ver uma personagem sorridente e piadista criar seus tentáculos de relacionamento em relação aos demais personagens, mas é ainda melhor quando somos surpreendidos ao saber que algo pode ter acontecido a ela — a mesma que acabou de te encantar. O roteiro não é exatamente simples, e as emendas parecem ter sido adicionadas com desenvoltura, na medida em que não transparecem. O problema é a imersão do expectador, que acaba ficando prejudicada pelo fato de os acontecimentos não promoverem aprofundamento nas personalidades e conflitos que aparecem. O resultado disso é uma trama rasa, empobrecida de propósito e sem grandes aspirações.

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As atuações são bastante medianas. Statham é o de sempre, enquanto a belíssima Li Bingbing é bastante amável como a protetora e redentora dos laços maternos que trazem suavização ao amálgama de personagens rudes, agressivos e brincalhões de alguma forma. No mais, é possível destacar Shuya Sophia Cai, a pequena Meiying, a inteligente e brincalhona criança que põe todos no chinelo nos momentos certos. Ela não deixa de ser um alívio cômico, mas traz com ela uma bagagem de fofura que interessa e faz falta.

Mas o grande destaque do filme reside na pegada audiovisual. Os efeitos gráficos são bons, otimizados pra sessões IMAX e surpreendem pelo nível de tratamento. As tomadas submarinas não soam em nada artificiais e, para os interessados, dão uma boa ideia do quanto Aquaman terá um peso forte na decisão por investimento gráfico. A mixagem é bem interessante, na medida em que dão a sensação submersa e brincam com as diferenças. Megatubarão não tem medo de arriscar no quesito sonoplastia, inclusive privilegiando Reverbkicks e efeitos especiais sonoros mais complicados.

The Meg é aquele parente de Tubarão (1975) que não deixa dúvidas sobre influência, nível de realismo e efeitos especiais. Mas se o objetivo for raso o suficiente, não haverá afundamento. Se não vale como o melhor título possível, traz uma iniciativa coesa e razoável para diversão tecnológica proposta desde o início.

E não há nada como a honestidade.

Slip Questão

Acadêmico de tecnologia, fã de séries, animes e filmes, programador, editor de vídeo, legendador, tradutor, leitor da DC Comics e guitarrista. Carioca nem sei o porquê. Mas acredita que o melhor sabor de pizza é de calabresa, que tempo bom é frio e chuvoso, e que a guitarra que toca nunca será mais importante do que a música que escuta.

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