OPINIÃO | Liga da Justiça: o porquê de tantas assinaturas que pedem versão do diretor

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Liga da Justiça chegou nos cinemas nesse mês de novembro sendo um sucesso, mas claramente tendo uma performance abaixo do esperado na reunião dos maiores heróis da história. O motivo é incerto: pode ter sido o marketing que não se conectou com as pessoas, ou a concorrência de outros filmes como Thor: Ragnarok e agora o novo lançamento Disney, Coco. O fato é que existe algo de errado com o longa — que, diga-se de passagem, é um bom filme.

A polêmica da duração

Há pouco tempo soubemos da informação de que o aguardado filme teria apenas duas horas, o que chocou grande parte dos fãs e pessoas do meio, visto que o diretor Zack Snyder está acostumado a entregar cortes longos. Batman vs Superman: A Origem da Justiça (ou BvS) e Watchmen são dois exemplos claros. E isso sem contar as suas ainda mais longas versões estendidas, que chegam posteriormente no formato Home Video. 

Logo que essa informação surgiu online fez-se grande balbúrdia em torno do assunto, com ferrenhos críticos ao tempo encurtado de duração de um lado, e alguns defensores da medida do outro; com os dias, a internet acalmou-se lentamente sobre o assunto, já que cento e vinte minutos é tempo suficiente para um longa — ao menos em geral, não é mesmo? Mas convenhamos: para um filme que tinha tanto a mostrar com algumas introduções importantes de personagens, a pulga ficou atrás da orelha.

Enfim, o filme

Dia 17 de novembro. Na verdade, um pouco mais cedo para os sortudos brasileiros, que tiveram pré-estreia na madrugada do dia 15. Mas finalmente chegou o momento em que todos pudemos conferir a mais nova produção de Zack Snyder, que teve texto e cenas adicionais escritas e dirigidas pelo experiente Joss Whedon. O filme, que dividiu a crítica, passou longe de ser uma bomba, ou mesmo conter narrativa densa em certos momentos como ocorrido com o filme mais polêmico do ano passado (e desse também, e de todos os outros), BvS — que sofreu na mão da Warner, com cortes disformes que proibiram o público de entender todas as sub-tramas do filme na tela do cinema.

Liga da Justiça não passou por esse problema, mas isso não significa que Liga não passe, num olhar mais apurado, por outro sério embaraço…

…a famosa tesoura da Warner Bros.

Quando exposto a um olhar pós-sala de cinema, depois do impacto das belas cenas e experiência que somente um blockbuster desse nível pode lhe passar, fica claro que Liga Da Justiça passou por um processo na sala de edição que se configurou num retalho. Dezenas de cenas que estavam nos materiais promocionais não foram para o corte final, e inclusive cenas dos últimos materiais. Não estamos aqui falando de apenas coisas que apareceram em 2016… não!

Estamos falando de cenas que, inclusive,  até agora são utilizadas como plataforma de divulgação para o filme. Listar tais cenas não é o objetivo desse texto, pois fazemos a suposição de que o leitor que veio até aqui já deve estar um tanto quanto inteirado sobre as mesmas. E elas já se mostraram muitas. Como se não bastasse, algumas cenas deletadas até mesmo vazaram online.

Aos olhares mais atentos, sugerimos pesquisar “Cyborg” no Google Imagens. Quem o fizer, verá que será difícil achar uma imagem de Victor que tenha de fato ido ao filme. Isso por si só já mostra como estamos falando aqui de um corte violento. Acreditamos em algo em torno de 20 a 30 minutos que poderiam ter ido facilmente para o filme, e sem alterar a linha narrativa, apenas completando-a. Talvez nesse momento você possa estar pensando:

“Ué, mas é super normal várias cenas não saírem da sala de edição para o material final…”

E de fato, quem pensa assim está com total razão, mas a forma como aconteceu só mostra como a Warner não conseguiu parar um trem em movimento, a 50 metros do abismo.

Mais de 100 mil pessoas não estão felizes e isso é perfeitamente aceitável

Uma petição no site change.org já passou das 100 mil assinaturas (120 mil nesse momento, pra sermos mais exatos) e não para de crescer (você pode acessa-la aqui; texto em inglês). Ela pede que a Warner lance Liga na visão de Zack Snyder que, segundo os autores, não foi respeitada, e com isso o público também não teria sido, pois constantemente o discurso era que Joss iria polir o filme na visão do diretor que se afastou por causa de uma tragédia familiar.

O argumento é sólido. Por mais que pareça absurdo, questões como a tão extensamente falada mudança de tom e a curta duração incomodaram quem esperava uma abordagem mais alinhada com o que vinha sendo feito. Justiça seja feita: já era esperado que o filme tivesse um tom mais leve, como reportado pela própria Deborah Snyder antes do lançamento de BvS.

A mensagem é clara: os fãs estão cansados da tesoura da senhorita Warner! Não sabemos se essa petição algum dia dará em alguma coisa, apesar de julgarmos uma versão estendida bem possível; mas agora o jogo está posto à prova enquanto a Warner mostra uma clara fragilidade. Talvez seja bom, como reportado, que 2018 seja um ano de recomeço para os filmes da DC. Liga da Justiça deixa os personagens em um bom momento para contar histórias solos, o que dará a todos eles ainda mais profundidade. Os fãs vão brigar por uma versão do diretor e a Warner não sabe o que fazer, já que ela mesma tomou a iniciativa de se livrar da versão original de Snyder e apostar na que terminou picotada e sem o mesmo brilho.

Quem perde com isso, no fim, é a arte.

1 Comment
  1. mauro de khriszaor says

    Pro público geral e os jovens nerds tá bom afinal desde 2008 assistem os filmes da Marvel Studios e entendem logo tudo nos 20 minutos de filme e nem procuram easter eggs, referências e coisas que quase ninguém viu.
    Mas e se o Senhor dos anéis só tivesse 1 hora?
    E se a saga das doze casas de Cavaleiros do Zodíaco fosse reduzida em um curta(ops!)
    Essa tesoura do pernalonga existe desde Matrix – mercenarismo.

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