OPINIÃO | American Crime Story

Quando me contaram que Ryan Murphy iria produzir mais uma série, confesso que não me empolguei. E também confesso que me arrependi amargamente depois.

American Crime Story segue a mesma linha de American Horror Story, contando uma história por temporada. A diferença é que, ao invés de contos de terror, nós temos os julgamentos que abalaram os EUA.

A primeira temporada conta a história de O.J Simpson, um astro do futebol americano, interpretado por Cuba Gooding Jr, que foi acusado de matar sua ex-esposa, Nicole Brown Simpson e seu amigo Ronald Goldman.

O maior diferencial dessa série é como ela consegue ser explicativa sem ser expositiva. Você entende o porquê de o júri ter tomado aquela decisão sem que ninguém aparecesse em tela dizendo:

“Nossa, o júri tomou essa decisão pelos fatores X, Y e Z. Como fomos burros.”

Ela faz com que você assista aos fatores X, Y e Z e depois faça a conexão por si mesmo, tirando O.J de cena e focando apenas em acontecimentos externos e em sua equipe de advogados; O Dream Team formado por Robert Shapiro (John Travolta), Johnnie Chochran (Courtney B. Vance), Robert Kardashian (David Schwimmer) e F. Lee Bailey (Nathan Lane).

Ela não quer apenas te contar um julgamento, quer te fazer entender o resultado; quer fazer você entrar na cabeça de quem acompanhou em 1994.

Isso só deixa a série cada vez mais imersiva. Um misto de indignação ao ver as pessoas fecharem os olhos para tantas provas, mas ao mesmo tempo compreendendo aquelas decisões.

Faz bom uso das questões raciais e o quanto elas foram presentes no julgamento. E como a defesa usou deste artifício até a ultima gota e todos os erros grotescos da acusação em relação a isso.

Não podemos esquecer do destaque para Marcia Clark, mostrando como um julgamento, que falava sobre um homem acusado de matar a ex-mulher, conseguia ser sexista. E aqui mais uma vez você entende as razões dela.

Em meio a todas as decisões estúpidas que tomou, não da para sentir raiva da personagem; Ainda mais no episódio Marcia, Marcia, Marcia, focado apenas na pressão que a mesma sofreu.

Aqui também temos uma breve aparição da família Kardashian, muitas delas importantes, como as conversas do Robert com sua esposa ou falando para os filhos o quanto a fama pode ser ruim.

Outras só ocupam tempo de tela e distorcem o momento da série. (Crianças soletrando o nome da família enquanto seu pai faz um discurso sobre assassinato não me parece algo bom).

David Schwimmer da um show aqui, principalmente nos três últimos episódios, mostrando um misto de emoção e indignação apenas com o olhar.

“I’m not black, I’m O.J”

Os atores estão impecáveis em seus papéis — fazia tempo que não via Travolta trabalhando tão bem. Cuba tem uma interpretação de pequenos detalhes, um olhar… uma mudança na voz. O Courtney B. Vance traz uma presença enorme e dá um show em cada cena.

Mas o destaque aqui é da Sarah Paulson; Em três minutos ela mostra-nos mais de cinco emoções diferentes variando de confiança até auto-desprezo. E ela já está confirmada para as outras temporadas.

O melhor é que os atores tem roteiro para trabalhar. Ninguém fica a mercê de personagens sem profundidade. Todos tem o seu “momento”, com um ótimo uso dos diálogos (maravilhosamente construídos).

Não preciso nem falar sobre como a retratação da época é verossímil e só aumenta a imersão.

Não tenho palavras para descrever o que senti assistindo a American Crime Story. Toda a indignação, tristeza, horror e agonia. Ela não te faz aceitar ao absurdo que foi aquele julgamento, mas que entenda o porquê de ter sido um absurdo.

Milena Matias

Estudante de jornalismo, 19 anos e com um amor enorme por video-games. Séries e cinema são os segundos amores da minha vida.

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