Narcos cumpre o que promete e nos mostra muito mais!

Depois de dez episódios dedicados a ascensão de Pablo Escobar no mundo das drogas, o foco agora é em como ele morreu; Porém a temporada não fala apenas em sua morte, mas, como ele foi perdendo tudo lentamente. Como apoio, dinheiro e território.

Eu sempre fui apaixonada por vilões, até porque eles movem a trama, dão motivação para as ações heroicas que tanto amamos e criam toda a tensão dos atos. Sem um bom vilão você não tem uma boa história. E é isso que Narcos faz, ela conta e muito bem, a história de um vilão.

Na primeira temporada vemos tudo muito rápido, desde Escobar sendo apenas um contrabandista até ser um dos homens mais procurados do mundo. Agora parece que o ritmo diminuiu.

Nós assistimos lentamente como ocorreu a sua queda. E a série faz questão de humanizar o personagem de uma maneira fenomenal.

Em certas cenas temos consequências das ações de Pablo, com ele mandando matar pessoas e explodir quarteirões. E em outras o vemos almoçando com a família, brincando com os filhos e dizendo que ama sua mãe.

Ainda temos a mesma sempre dizendo que ele construiu casas para os pobres, os deu comida e tinha seu apoio. (Esse apoio foi um dos motivos para ser tão difícil sua captura, o povo o amava). Ela negou até o fim todos os atos horrendos do filho.

Isso me lembra uma frase que George R.R Martin disse, em uma entrevista. “Deveríamos perdoar Michael Vick? Tenho amigos que amam cachorros e jamais o perdoarão [Vick, jogador de futebol americano, foi preso por organizar rinhas de cães]. Michael Vick cumpriu a pena dele; se desculpou. As desculpas dele foram suficientes? Woody Allen: seria ele alguém a quem deveríamos louvar ou desprezar? Ou Roman Polanski, Paula Deen. Nossa sociedade está cheia de pessoas que caíram em desgraça de um jeito ou de outro, e o que fazemos com elas? Quantos atos bons são precisos para corrigir um ato ruim? Se você é um criminoso nazista e passou os últimos 40 anos fazendo benfeitorias e alimentando os famintos, isso o redime por ter sido guarda em um campo de concentração? Não sei a resposta, mas são questões sobre as quais vale a pena refletir.”

NARCOS_201_01595RC

O ponto é que ninguém é 100% bom ou 100% mal, somos apenas humanos e essa é uma das reflexões que o programa faz. Escobar era um monstro, ele explodiu aviões, torturou pessoas, matou outros milhares mas ainda aparentava amar a família acima de tudo.

Isso é muito bem trabalhado na direção da série. Como dito acima, temos cortes entre o Pablo da família e o Pablo dos negócio;. E com toda a magia da música colombiana durante as cenas, nos causando uma sensação de incomodo, como se algo estivesse fora do lugar. Aquela música calma não combina com o momento, do mesmo jeito que o verdadeiro Escobar não é o que a família dele enxerga.

Wagner Moura merece parte do crédito por essa humanização do personagem. Sua atuação foi, entre todas presentes, a mais fenomenal; Ele conseguiu fazer uma balança entre o Escobar que sua família enxergava e o Escobar que o mundo enxergava. Nós podemos até perdoar o seu sotaque na hora de falar em espanhol.

Não preciso nem comentar sobre toda a produção da série. Ela honra tudo, desde a direção, até a arte e a fotografia; Tudo casa e combina entre si, te fazendo sentir gosto ao assistir.

Uma coisa que me deixou muito feliz é que a história não acabou com Escobar. Temos ainda muita coisa pra contar. Medellín foi o mais famoso, mas não nos falta cartéis de drogas na América Latina. (Lembrando que a série foi renovada para mais duas temporadas).

Narcos não só cumpriu o que prometeu, como nos deu muito mais. Com uma trama bem trabalhada, um roteiro impecável e mostrando que ainda tem muita história por ai, agora é só esperarmos para assistir as consequências do mundo sem Pablo Escobar.

 

 

 

 

 

 

Milena Matias

Estudante de jornalismo, 19 anos e com um amor enorme por video-games. Séries e cinema são os segundos amores da minha vida.

%d blogueiros gostam disto: