MULHER-MARAVILHA | Fonte conta detalhes de cenas e opina sobre a produção (SPOILERS)

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Matt Goldberg, da Collider, postou um artigo em que detalha três cenas do filme e sua impressão geral da produção.

Atenção! O adaptação do artigo abaixo possui spoilers do filme. Leia por sua conta e risco.

 


 

Mulher-Maravilha pode ser inovador de muitas formas. Obviamente, é o maior filme de super-heróis até aqui em que estrele uma protagonista feminina, mas também apresenta uma nova ideia: o interesse amoroso é um cara. Isso não é algo que resultou do desejo do estúdio de fazer o personagem mais Mainstream. Steve Trevor tem sido uma parte da história de origem da Mulher-Maravilha desde sempre, e ele é tão importante para a história dela quanto Lois Lane é importante para o Superman.

No entanto, isso apresenta um desafio: como você traz um personagem masculino sem ferir a importância da heroína, ou sua atividade? A pergunta pode parecer óbvia, mas escritores ruins de quadrinhos constantemente tentaram fazer de Trevor mais importante do que a Mulher-Maravilha, e o apresentaram como uma força que a impulsionava para a domesticidade. Nas piores publicações da Maravilha, Trevor não era quem precisava ser salvo: ele era aquele que salvava a Mulher-Maravilha ao atraí-la para uma vida de casamento, na qual onde ela não teria de se preocupar com tantas coisas — como salvar o mundo.

Enquanto provavelmente não teremos de lidar com nada disso aparecendo no filme, a Mulher-Maravilha de Patty Jenkins poderia ter apresentado uma forma mais traiçoeira de sexismo. O roteiro do filme tem Diana deixando seu lar de Themyscira para se juntar a Trevor em sua missão de parar a Primeira Guerra Mundial. Já que a Mulher-Maravilha nunca deixou o lugar, ela está constantemente aprendendo sobre o mundo moderno — ou ao menos o mundo como ele era em 1918. Isso poderia por Trevor no território de Mansplaining (conceito em que um homem explica algo a uma mulher, de forma pejorativa a ela), no qual ele constantemente educaria a ignorante Mulher-Maravilha quanto a como o mundo funciona.

Na semana passada, eu estive em Londres para visitar a ilha de edição para Mulher-Maravilha, e eu pude ver algumas cenas que acabaram com meus medos. O que Jenkins e os roteiristas inteligentemente fizeram é garantir que a ingenuidade de Diana sempre apareça de forma satírica. Ela vem de um lugar onde mulheres são fortes e poderosas, e ela fica perplexa quanto ao porquê de elas não serem tratadas dessa forma em nosso mundo. Trevor não está lá para apontar as deficiências no conhecimento da Mulher-Maravilha; ela é quem está lá para apontar as deficiências na sociedade de Trevor.

Vimos três cenas acopladas (é bom notar que elas na maior parte estavam finalizadas, mas ainda tinham faixas de tempo e os efeitos especiais estavam sendo polidos). A primeira tem Mulher-Maravilha e Trevor deixando Themyscira e tendo uma conversa esquisita sobre homens e mulheres dormindo juntos. Não se trata de uma cena batida em que o papo imediatamente leve ao sexo, mas em vez disso, Trevor respeitosamente dá espaço à Mulher-Maravilha e ao desconhecimento que ela tem do motivo de ele não poder dormir perto dela. Ela não dá em cima dele e ela não quer fazer sexo com ele, como sempre vemos acontecer em outros filmes. Ela simplesmente não entende os costumes sociais, e aí a sua tentativa de dar espaço a ela é um tiro que sai pela culatra. E então eles têm uma conversa divertida sobre a sexualidade humana, e a Mulher-Maravilha informa a Trevor que ela leu todos “os doze volumes”, mas diz que Trevor provavelmente não gostará da conclusão do autor: homens não são muito mais necessários do que para a reprodução.

Mal posso enfatizar o suficiente o quanto essa cena é afinada e o quanto ela define o tom do relacionamento entre ambos. Ele é constantemente brincalhão e engraçado, mas não se trata de estabelecer uma dinâmica de poder. Ninguém está tentando “assumir o comando”; na verdade, a cena é mostrada como esquisita e fofa, porque essas pessoas, que vêm de culturas inteiramente diferentes, estão com dificuldades de se comunicar. A Mulher-Maravilha se torna autoconfiante e ponderada, e Steve tem dificuldades de explicar costumes sociais, mas também existe um nível mútuo de respeito. Eles estão tentando se comunicar, mas isso leva a Mulher-Maravilha a estar perplexa e Trevor a ficar afobado. Isso estabelece o alicerce para o romance inevitável de ambos, mas retira o mesmo romance da batida dinâmica herói-donzela.

Então, vamos para uma cena na qual o General Erich Ludendorff (Danny Huston) vai para um laboratório para checar o progresso que realizado pela dra. Maru (Elena Anaya). Ela o informa que ela precisa do seu bloco de notas para finalizar seu trabalho em um gás mortal, mas Ludendorff tenta encorajá-la ao dizer que sua mente deveria ser mais do que suficiente para o término do trabalho. Lisonjeada, ela dá a Ludendorff uma dose de um novo gás em que ela tem trabalhado, que o dá superforça. Fortalecido, ele esmaga a sua pistola com as mãos nuas e então Maru se depara com um pedaço de papel que a faz se dar conta do que precisa para completar sua fórmula.

Então, voltamos a Mulher-Maravilha e Trevor, que chegaram em Londres. É um momento onde o conceito de cores realmente atuará a favor do filme, já que saímos da brilhante, campestre e pacífica Themyscira para a cinza e suja Londres de 1918. “É asquerosa”, a Mulher-Maravilha secamente pontua, e ela não está errada. Não há industrialização em massa romantizada por aqui, e é legal o quanto a Mulher-Maravilha não se impressiona pelas estruturas massivas e feitas por homens. Na verdade, o que toma o seu interesse é ver um bebê pela primeira vez (obviamente, numa ilha onde não há homens, como Themyscira, também não há bebês), e naquele momento vemos a alegria e compaixão de Diana. Ela não é uma guerreira gelada; ela tem amor em seu coração, e é um sopro de ar fresco vermos um super-herói do DCEU expressar alegria em qualquer coisa.

A cena tem a Mulher-Maravilha e Trevor partindo para o conselho de guerra, onde suas interações estranhas continuam. Diana nota que um homem e uma mulher na rua estão de mãos dadas, e ela pergunta o motivo. Trevor diz que é por que eles estão juntos; então, ela tenta segurar a mão dela, e ele a afasta tendo de explicar o que “juntos” significa num contexto romântico. Ele também se dá conta de que, embora ela esteja num manto preto, ela não pode andar pela Londres de 1918 em trajes de batalha, então eles saem para obter para ela uma nova roupa. Fim da cena.

Ver essa dinâmica entre Mulher-Maravilha e Trevor te faz se dar conta do quanto esse tipo de doçura é alheio aos filmes do DCEU. Homem de Aço e Batman vs Superman são no geral sem humor algum, e as piadas de Esquadrão Suicida caem por terra. Ver um filme do DCEU mostrar calor e charme, especialmente num relacionamento complicado como esse entre Diana e Trevor, é imensamente reconfortante.


“Mulher-Maravilha” trará Gal Gadot como Diana Prince, Chris Pine como Steve Trevor, Connie Nielsen como a Rainha Hipólita, Robin Wright como a General Antíope, e estreia em 2 de junho de 2017.

Fonte: adaptado do artigo de Matt Goldberg, da Collider

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