MULHER-MARAVILHA | Crítica “Diana Prince é a super-heroína que nós estávamos precisando”

Diana Prince surgiu em 1941, no meio da Segunda Guerra Mundial e sendo a primeira super-heroína dos quadrinhos; E com seus 75 anos de história, finalmente nossa Mulher-Maravilha ganha sua merecida adaptação nos cinemas.

Depois de tanta espera, baseada em argumentos de ‘filmes com heroínas não vão dar dinheiro’ Warner acaba de nos entregar esse, que provavelmente é o melhor do DCEU até agora.

Quase todos os problemas de trabalhos anteriores são corrigidos: as falhas no roteiro, os erros de edição e a falta de coerência narrativa. Aqui tudo funciona, a história flui com muita naturalidade e você compra aquele universo muito rápido; Principalmente nos dois primeiros atos.

A apresentação de mundo é feita com muita eficiência, você entende a sociedade onde as amazonas vivem em pequenas demonstrações, sem que tenham que explicar tudo para o espectador. Isso ajuda muito na imersão, já que o público se vê dentro de tudo aquilo. A fotografia também faz parte disso, com paleta de cores claras dando um tom de lar para Temiscira.

Ela muda quando Diana vai para o mundo dos homens, em uma Inglaterra em plena Revolução Industrial. Escura e vazia, o único ponto de “luz” é a própria Mulher-Maravilha.

Uma coisa interessante é como o roteiro não esquece o contexto histórico no qual está inserido. Estamos falando de uma mulher no meio da Primeira Guerra Mundial, é claro que, em algum momento, ela iria sofrer com casos de machismo; O legal é como o texto trabalha isso nas entrelinhas, existem cenas com personagens sexistas e existe uma Diana passando por cima de todos eles. Tudo é demonstrativo e não explicativo.

Apesar de trabalhar temas sérios (como traumas de guerra, por exemplo) existe um balanço quase perfeito entre o humor e o drama. As piadas funcionam muito bem e são baseadas nas relações entre os personagens, sem deixar a sensação de que foram, simplesmente, jogadas ali.

A dupla Steve Trevor (Chris Pine) e Diana (Gal Gadot) funciona muito bem. Eles tem uma química incrível juntos, principalmente por causa da estranheza que um causa no outro. E ainda falando sobre o cast, nesse filme a Gal nos entrega uma Mulher-Maravilha em formação e inocente sobre o mundo dos homens. Talvez o que mais chame a atenção é a constante evolução e mudança de pensamento da personagem.

E acima de tudo, é um filme sobre ela. Os problemas da Diana, suas falhas, seus acertos e seu crescimento; Mesmo com todos os homens ao seu redor, o foco sempre foi ela e isso sim é importante.

Claro, existem inúmeras falhas, ainda mais se estivermos falando do terceiro ato, que cai na mesmice hollywoodiana. Exposição demais, explicações desnecessárias, erros de continuidade. Mas nada que vá atrapalhar sua experiência no cinema.

Robin Wright está incrível como Antíope, mesmo com pouco tempo em tela e Connie Nielsen faz um bom trabalho como Hipólita. Na verdade, todas as cenas envolvendo as amazonas são ótimas.

No fim, Mulher-Maravilha não é um filme perfeito, mas seus acertos chamam mais atenção que seus erros. Sabe ser engraçado, trabalhar o drama quando precisa, além de apresentar uma direção primorosa nas cenas de ação; Talvez seja o gás que a DC estava precisando para continuar acertando com seu universo expandido.

Milena Matias

Estudante de jornalismo, 19 anos e com um amor enorme por video-games. Séries e cinema são os segundos amores da minha vida.

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