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Mr. Robot, a série que traz arte pra TV!

by on agosto 16, 2016
 

As séries de televisão, cada vez mais, se aproximam da grandiosidade do cinema. Nós finalmente estamos nos desprendendo do pensamento de que uma série vale menos que um filme.

Podemos pegar exemplos da televisão tradicional como Breaking Bad, Game of Thrones e Hannibal ou de serviços como a Netflix, que traz House of Cards, Stranger Things e Daredevil.

Porém, se tratando de televisão, é muito mais difícil trazer arte para a tela. Isso porque a emissora depende de audiência e, as vezes, séries mais elaboradas só atingem um muito público especifico. Game of Thrones e Breaking Bad foram casos raros de programas elaborados que entraram no gosto popular.

E assim, temos o cancelamento de séries incríveis como Hannibal, que tinha um grande prestigio mas lhe faltava audiência. Então, quando encontro algo na TV que realmente se importa em ser grandioso, vou atrás para dar uma boa olhada.

Mr. Robot fala de Elliot Alderson, um jovem programador que trabalha para a Allsafe, uma empresa de segurança virtual.  Ela tem como seu maior cliente a Evil Corp, uma corporação que “controla” a vida das pessoas. Um dia, Elliot é convidado por um grupo de hackers para destruir a E Corp, e sua vida muda por completo.

A série tem muitos feitos incríveis e um deles é: não te tratar feito um idiota. Por falar de informática, sempre vamos encarar alguns termos que nos são estranhos, mas isso não significa que você não vá entender a trama.

Não existem explicações formais, como em reality shows, quando a ação acaba de ser feita e agora precisamos narra-la para o público, como se eles não estivessem assistindo. O programa mostra um diálogo ou uma ação que te faz entender tudo, e não gasta tempo de tela repetindo.

Já podemos conectar isso com o roteiro, que é impecável. Não só falando de como ele explica as coisas, mas sim dos diálogos.

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Todos os diálogos são aproveitados, seja para construir o personagem ou para te fazer pensar. E isso não se resume apenas ao Elliot, pois até os coadjuvantes são bem explorados.

“Matar um homem instantaneamente o rouba uma explicação. Ele não tem tempo de explorar seus momentos finais. Mas, se estiver paralisado, sua mente ainda será capaz de entender o porque de sua vida estar acabando. Nós o deixamos morrer com respostas. Se não, seriamos apenas assassinos sem coração”

Agora, imagine todos esses diálogos profundos sobre depressão, traumas e banalidade humana combinados com uma direção de tirar o fôlego? Durante monólogos hipnotizantes, o diretor faz de tudo pra prender sua atenção indo de planos sequências até cenas com milhares de cortes. Você sente uma presença ali, uma marca, uma preocupação de fazer algo bonito e glorioso.

É muito raro ver esse tipo de coisa, pegue séries mais famosas por exemplo, como Teen Wolf, Pretty Little Liars ou até mesmo The Flash. Eles contam a história e pronto, coisas como a fotografia são deixadas de lado.

A gente sente falta desses detalhes quando assiste. Não que que os exemplos citados não sejam bons programas, mas é muito gratificante ver uma coisa e sentir que houve um cuidado; Tanto na produção, quanto na arte e nas atuações. Palmas para Rami Malek e todo o elenco pelo trabalho incrível.

Mr. Robot é uma mistura de tudo isso, que faz você se apaixonar cada vez mais. Com certeza foi uma das maiores surpresas ano passado e já tem cara de que vai raspar muitos Emmy’s por ai!.

Ter séries bem trabalhadas fora da Netflix é muito bom, pois mostra que ainda existe um pingo de noção nos executivos que aprovam os programas. Só precisamos torcer para que Mr. Robot não caia no limbo, como tantas outras que foram sem merecer.