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MAMONAS | Vinte e um anos da perda de ícone do Rock Nacional

by on março 2, 2017
 

O tempo passa rápido, e não parece que há cerca de 21 anos atrás perdíamos uma das maiores e melhores bandas de Rock do Brasil.

Donos de um sucesso estrondoso e de vendas surpreendentes, a banda formada por Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel e Sérgio Reoli deixaram seus nomes marcados na história da música brasileira.

Antes do sucesso dos Mamonas, Julio Rasec, Bento Hinoto e os irmãos Samuel Reoli e Sérgio Reoli formavam, em Guarulhos (SP), a banda Utopia, especializada em covers de Rush e Legião Urbana. Em uma de suas apresentações no ginásio da cidade, o público pediu para a banda tocar uma música do Guns ‘n Roses; e, como ninguém da banda conhecia a letra, pediram para alguém do público ir ao palco cantar. Nesse momento, surgiria um rapaz chamado Dinho, que se prontificou a assumir o vocal, e assim se dava a formação daquilo que mais tarde se chamaria o famoso Mamonas Assassinas. Mas… Dinho também não conhecia a letra

Com a nova formação, a banda Utopia passou a fazer diversos shows pela cidade de São Paulo. Participaram de alguns programas televisivos e chegaram a gravar um disco que vendeu pouco mais de 100 cópias. A banda na época tinha uma característica bem séria, porém como não conseguiram o sucesso esperado, decidiram fazer uma mudança radical. Não foi uma tarefa muito difícil, uma vez que os próprios músicos tinha uma personalidade brincalhona e, vez ou outra, faziam letras engraçadas para divertir amigos e parentes.

Uma outra mudança radical que a banda fez foi no nome da banda. Entre as opções, estavam “Os Cangaceiros De Teu Pai”, “Coraçõezinhos Apertados”, “Uma Rapa de Zé” e “Tangas Vermelhas”. Mas, no fim, os rapazes acabaram optando por Mamonas Assassinas. E não, não era por causa da planta mamona, mas porque o vocalista o considerou o nome mais engraçado.

Com essa formação, gravaram uma fita demo que foi apresentada para várias gravadoras — todas inicialmente rejeitadas. E nesse ponto da história entraram dois personagens importantes na trilha de sucesso meteórica dos Mamonas: Rafael Soares, amigo da banda, baterista do grupo Baba Cósmica e filho do diretor artístico da EMI-Odeon, João Augusto Soares. Foi através do filho que João conheceu o som dos Mamonas e resolveu dar uma chance ao som do grupo que era, digamos… irreverente. Assinaram o contrato e, em abril de 1995, lançavam seu primeiro e único disco homônimo, cheio de piadas desde o encarte.

Aliados ao trabalho de assessoria de imprensa contratada pelo empresário do grupo, Rick Bonadio, os Mamonas fizeram sua primeira apresentação a nível nacional no programa Jô Soares Onze e Meia. Foi a faísca, por assim dizer, que causou a explosão na carreira da banda. Daí em diante, seu disco passou a vender de forma fenomenal, impulsionado pelo sucesso da música Vira-Vira. Não levou muito tempo para que outras faixas do disco se tornassem hits e ocupassem o topo das mais pedidas nas rádios brasileiras, entre elas Pelados em Santos, Chopis Centis, Mundo Animal, Robocop Gay e Sábado de Sol — verdadeiros hinos para fãs de Rock minimamente bem informados hoje em dia.

Uma caraterística marcante do grupo eram as imitações que Dinho fazia de famosos cantores brasileiros, como na faixa Arlinda Mulher, onde Dinho praticamente incorpora o músico Belchior.

Embora o sucesso da banda fosse estrondoso e chamasse a atenção de praticamente todos os públicos, a crítica em sua maioria foi dura e chegou a tachá-los de “ridículos” e “palhaços da música”; o público, no entanto, sequer levou isso em conta.

Suas músicas eram únicas e continham elementos que iam desde o Pop até ao Heavy Metal, aliados a letras escrachadas e divertidas. Talvez essa tenha sido a fórmula que levou a banda ao sucesso instantâneo.

No entanto, como diz o ditado… quem é que sabe sobre o dia de amanhã? Os Mamonas Assassinas tiveram um fim prematuro após seu último show no país, em 2 de março de 1996. A banda retornava de Brasília, de onde partiriam para o seu primeiro show internacional em Portugal em seu avião Learjet. O avião se chocou com a Serra da Cantareira, em São Paulo, e todos os integrantes foram mortos.

Foi um acontecimento que chocou o país, que mal havia se recuperado de outra grande perda (a morte do piloto Ayrton Senna). Milhões de pessoas acompanharam a cobertura de toda a extensão da fatalidade pela TV, desde o resgate dos corpos até o enterro em Guarulhos. A banda, que até então só trazia alegria para o público brasileiro, teve um fim trágico e desencadeou uma onda imensa de tristeza que até hoje é lembrada — não só por quem viveu aquela época, mas também pelas gerações que posteriormente conheceriam o trabalho desta lenda da música brasileira.

Fonte: matéria adaptada de Whiplash.Net