Luke Cage – Crítica 1.ª Temporada

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A parceria Marvel e Netflix já nos trouxe coisas incríveis como Jessica Jones e Daredevil; exemplos que séries de super-heróis podem sim abordar uma linguagem mais sombria. Agora, foi a vez de Luke Cage nos mostrar isso.

A abertura que usa de cores quentes já nos estabelece um clima quase que otimista, nos fazendo sentir em casa. O programa se passa no Harlem após o fim de Jessica Jones e mostra Luke trabalhando em dois empregos para se manter.

Uma coisa que a série fez muito bem foi trabalhar a origem do herói ao mesmo tempo que fazia uma ponte para Os Defensores.

Você consegue entender sem nenhuma dificuldade quem era Luke Cage antes de tudo e a importância disso para a trama atual. Parte dos problemas de nosso herói era a falta de paz com o passado, ele nunca conseguiu se redimir como Carl Lucas e fugia disso.

Cada série da Netflix tem o seu tom próprio. Enquanto Matt vive nas sombras e Jessica nunca quis ser uma heroína, Luke é o herói do Harlem.

As pessoas olham pra ele e conseguem se sentir seguras. Não se esconde por trás de uma máscara, ou desaparece na manhã seguinte. O povo olha para Luke Cage e enxerga um homem negro do Harlem, que por ventura, era a prova de balas.

A série aborda muito bem problemas sociais, como corrupção, policiais despreparados, racismo e violência gratuita. Consegue mostrar como as pessoas convivem com isso ao mesmo tempo que se sentem indignadas.wsi-imageoptim-luke-cage-marvel_0

As lutas não são tão bem coreografadas como as de Daredevil, já que não são baseadas em artes marciais e sim em algo mais real. Porém são muito bem feitas e mostram como Luke é indestrutível.

O programa tem dois grandes problemas, um deles é o seu vilão. Trabalhar vilões é algo muito difícil, ele move boa parte da trama e se não for bem feito todo um roteiro pode ir para o buraco.

Em certos momentos nós temos a impressão de que Cornell seja a principal ameaça, quando ele vai perdendo a força colocamos nossas esperanças em sua prima até que nos é apresentado Kid Cascavel. E ai que mora o problema.

Durante muitos diálogos entre Cornell e Shades o nome de Kid Cascavel é citado, mas sem força. Você não sente que ele seja uma ameaça ou algo poderoso como realmente é.  Kilgrave foi o oposto disso, só apareceu de verdade depois do quarto episódio e você já sentia que seria algo horrível.

Quando ele finalmente se revela como o vilão da temporada, ainda sentimos falta de algo. “Eu deveria sentir mais medo desse cara”.

Isso é quase perdoado graças ao próprio Kid Cascavel, as motivações dele são ótimas e sua história com Luke faz com que a trama comece a ficar mais pesada.

O segundo problema é como a família de Carl Lucas é apresentada. Ele viaja com a Claire para fazer as pazes com o seu passado e tudo se resume em uma cena de cinco minutos.

São usadas boas artimanhas de direção, como colocar a câmera na visão de Cage, ainda criança convivendo com aquele núcleo familiar tóxico e também o fato do rosto de seu pai nunca ser revelado. Porém isso é feito de maneira podre, é como se ele tivesse uma epifania e bum “Stryker sempre foi meu irmão né que coisa, vamos embora”.

Isso pareceu forçado, poderiam ter usado aquele tempo investido em Cornell para tratar mais sobre o passado de Luke, que é muito interessante.

A direção da série é muito boa, com planos sequências e uma ótima utilização do espaço. As cenas da Misty estudando locais de crime foram um gostinho a mais nisso tudo. A fotografia utiliza muito de cores claras e alegres durante o dia, mostrando um otimismo; E as cenas a noite tem foco no azul e no vermelho, nos trazendo algo mais denso e intimidador.11-biggie-smalls1-720x394

Os atores são ótimos, e você não dúvida de ninguém; Até mesmo os personagens secundários e moradores, todo mundo ali te traz algo familiar.

Talvez isso aconteça porque os problemas tratados na série são próximos da nossa realidade. Não tem nada de tão místico ou incrível como invasões alienígenas. É só um cara tentando fazer de sua cidade um lugar melhor diante de tanta corrupção e impunidade.

O fim da série retrata muito isso. Enquanto Luke, o herói que também era vítima tem de ir preso por um crime que não cometeu, Mariah Dillard continua fazendo dinheiro e usando da crença popular para conseguir aliados.

Luke Cage mostra como mesmo em ambientes hostis podemos ter um pouco de esperança e que qualquer pessoa pode ser um herói. Apesar de problemas notáveis em alguns personagens, as qualidades da série se sobrepõem criando mais uma nova queridinha da Netflix.

NOTA: 9,0

 

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