Lee Bermejo fala sobre “Nós somos Robin”

Assim como todo universo DC teve seu reboot pós-Convergência, não poderia de faltar novidades vindas em relação ao side-kick do Batman, Robin.

Diante disso o escritor Lee Bermejo deu entrevista para a própria DC Comics, e conseguimos traduzi-la para que todos nossos leitores ficassem por dentro do que irá acontecer com o garoto prodígio.

Antes vale destacar que nessa nova fase do Universo DC o Robin terá um destaque e tanto. A intenção de Bermejo é mostrar que todos podem ser o Robin, e é isso que ele acha mais interessante na história do herói.

Com essa nova série teremos uma visão totalmente diferente do que já vimos, algo muito emocionante, segundo o próprio escritor. E isso é super válido, em vista de que o garoto prodígio já completa seus 75 aninhos e convenhamos que seria bem interessante ver histórias paralelas dos parceiros dos heróis principais.

A entrevista se deu após a edição de “We are Robin #3”, que segundo a crítica é a melhor da série até agora, então vamos conferir que fim deu a conversa entre Lee Bermejo e a DC Comic:

Entrevistador – Eu tenho que dizer, eu, pessoalmente, adoro este livro. É uma ótima ideia. Como este projeto virá a ser?

Lee Bermejo Vamos voltar no tempo em três anos. Quando terminava “Batman Noel”, eu tive uma ideia que era parecida com “Robin: Ano um”. Acho que escrevi quarenta e oito páginas disso, só para mim. Mark Doyle era o editor-assistente na época e mostrei a ele. Eu só queria seu feedback sobre aquilo e nós conversamos sobre isso por muito tempo, mas não se encaixava na continuidade. Os novos 52 estava apenas começando, e minha ideia não caberia naquele momento. Flash Fowar e Mark agora estavam a cargo das revistas do Batman, mas nós estávamos conversando e Mark disse :  “Olhe, nós estamos realmente tentando fazer algumas coisas com o Robin”, e ele mencionou o projeto que falamos anos antes. Comentei que eu tinha pensado muito sobre esse projeto, mas meu problema era que eu estava achando ele muito pequeno. É preciso que haja mais do que apenas um Robin. Então Mark disse: “É engraçado você mencionar isso porque eu estava falando com Scott Snyder e nós estávamos pensando que deveria haver mais que apenas um Robin.”

Então realmente tínhamos algo em mente, focamos na ideia e utilizando meu esboço original começamos a trabalhar.

E – Existem poucos destes Robins. Quantos desses vamos conhecer daqui para frente?

LB Eu estou focando em seis personagens, mas há muitas referências a outros personagens que estão lá fora, e você vai ver um exército desses caras na edição # 3. Eu definitivamente quero que as pessoas saibam que este é um movimento da juventude em Gotham e que um monte de crianças estão envolvidas, mas você não pode facilmente contar uma história de cerca de 100 crianças, você tem que ter um foco em uma equipe. E a razão pela qual estou focando nessas crianças será abordado na história.

RobinWarpromoE – Com este novo grupo de Robins, onde é que Damian Wayne se encaixa nisso? Como será que a próxima “Robin War” irá lidar com isso?

LB – Ah, sim, ele terá um Cross Over dentro de “We Are Robin”. Sabíamos desde o início que, se houvesse um grupo de Robins lá fora, em algum momento eles iriam se encontrar. Parte do calendário do evento [Robin War] foi, obviamente, para comemorar os 75 anos do Robin, mas ele realmente funciona perfeitamente para a minha história, porque eu precisava ter um momento onde eles estarão cara-a-cara, o que ocorrerá muitas vezes, muitos confrontos de Robins. Isso é definitivamente um pedaço do quebra-cabeça que eu sabia que tinha que trabalhar em algum ponto e este evento é uma maneira perfeita para fazer isso.

E – Além de ser uma HQ engraçada, ela também aborda uma série de questões sociais. Foi o que planejou desde o início, ou foi adicionado em resposta ao que você estava vendo no mundo?

LB – Eu acho que é uma combinação de coisas. Acho que esses personagens são tão míticos, que você pode agora conseguir um trabalho criativo com eles, onde eles se colocam como parte da mitologia americana. Eu acho mesmo que vivendo no interior do universo de Gotham , eles são uma grande e importante parte do povo e da vida de Gotham, o que faz sentido para que algo como isso [Robin movimento juvenil] aconteça. E do outro lado, no mundo real eu acho que agora as vozes de muitas pessoas podem ser ouvidas muito mais fáceis com a mídia social. Há instrumentos agora que nos permitem ouvir sobre um monte de coisas que talvez vinte anos atrás não teriam sido vistas, de modo que você é parte dela também. É definitivamente a tendência cultural do momento.

E – Então, há quanto tempo  esse movimento está acontecendo? Parece que ele já esta lá por um tempo quando “We are Robin” começa.

LB – Eu sinto que essa é a maneira que a maioria das pessoas interagirem com qualquer tipo de movimento. Elas não estão lá no inicio, mas estão cientes de sua existência depois que começa. Então, eu queria ter um personagem que poderia ser empurrado para dentro do movimento ou optar por ser uma parte do movimento, da mesma forma que você faria se estivesse vivendo a história. Eu gosto dessa característica na história, onde talvez haja um mistério em torno de “como” e “por que” ela começou, no desenrolar da revista o que realmente é nos mostrado é porque isso é importante. Por que algo como isto é relevante para os jovens de Gotham City no momento? Onde temos um Batman regido pela polícia, os jovens da cidade podem se sentir desprotegidos, esquecidos e um pouco marginalizados.

E – Alguma história você puxou da vida real? Você é inspirado por eventos da realidade?

LB – Muito disso em SUICIDAS. Obviamente é fantasia e não é reflexo direto da vida real, mas várias coisas são baseadas em minhas próprias experiências, a partir de experiências do meu pai e de várias pessoas que eu conheço. Eu tento fazer isso sempre e por isso há personagens específicos em “We are Robin” que vão ter algumas das experiências da minha família. Mas na maior parte do tempo apenas estou tentando criar personagens que têm diferentes origens e usá-los como uma oportunidade de mostrar diferentes abordagens de como é assumir esse papel. Estou realmente muito interessado nesta ideia de que você tinha um monte de Robins no passado que para a maior parte das pessoas ele parecia o mesmo. Estou interessado no que acontece quando você dá a uma jovem Latina a oportunidade de se tornar um Robin. Você entende o que eu quero dizer? Isso é realmente interessante para mim.

E – Você tem um Robin favorito?

LB Eu tenho. Eu sou um grande fã de Carrie Kelly, mas eu também sou um grande fã de Jason Todd. Ele era o Robin na época que eu mais lia a revista do Batman, mas eu também gosto da natureza trágica desse personagem. Acho interessante como esse personagem, mais do que os outros Robins, mudou a vida do Batman.

batman_and_sons_by_the_blackcatE – Você acha que o Batman precisa de um Robin?

LB – Absolutamente. Eu não achava, mas todos esses projetos me fizeram mudar o ponto de vista, O conceito do Robin original que eu tinha não fazia sentido, um adolescente que corre atrás do Batman com um traje colorido. Um ajudante adolescente não faz sentido nenhum para mim, exatamente por isso essa é minha tentativa de dar solução para esse problema.

“WE ARE ROBIN” é uma obra de Lee Bermejo, Jorge Corona, Khary Randolph and Rob Haynes, e está disponível no site da DC COMICS em inglês. CLIQUE AQUI para ir ao site.


Fonte da Entrevista: DC Comics / Tradução: Breno Paiva

Christian

Curso Direito, gosto de criar o caos opinando sobre política (Imposto é roubo), sou fã de quadrinhos em especial o Flash e é isso ai

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