OPINIÃO: História do Universo DC é ótimo fim da Crise

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A riqueza presente nas publicações da DC é algo latente. Existem criações de diferentes profundidades a serem analisadas, e que com o tempo vão se multiplicando – quem sabe até se deturpando – e tendo suas características esquecidas ou ainda, por algum momento, postas de lado. O grande amálgama artístico que a editora havia se tornado até o início dos anos 80 trouxe a necessidade do alinhamento dos fatos da sua história em forma de saga.

Daí surgiu a Crise nas Infinitas Terras (1985), onde Perez e Wolfman trouxeram ao mundo o deleite de uma grande história onde o perigo transpassaria até mesmo a definição maniqueísta de bem ou mal, costurando em seu lugar o debate filosófico sobre o existir ou inexistir; sobre o que ser e onde estar. A Crise realmente foi gigante e muitas definições foram revisadas. Outras tantas consequências marcariam as páginas futuras da editora, sabemos hoje. Então, para manter essa visão como o grande objetivo editorial da DC nos anos seguintes, era necessário compilar a sua própria história, demonstrando o cânone em sua exatidão a fim de evitar o prolongamento da confusão que outrora ocorria em suas páginas.

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Em outras palavras: era preciso dizer o que iria e não iria valer dali para a frente. Ou, melhor ainda: dividir o antes e o depois, e revelá-los.

Pensada originalmente como os dois últimos volumes da Crise, a História do Universo DC (“History of the DC Universe” em inglês) é uma narrativa um tanto quanto enciclopédica. Aqui, a personagem Precursora – e que ótima figura ela é – passa por praticamente todos os tempos, contando os principais acontecimentos do mundo relevantes ao surgimento e estabelecimento dos personagens da DC Comics. Isto é: se os eventos causados pela antimatéria e pelo Anti-Monitor foram a coisa mais apreensiva que seus leitores haviam conhecido até então, e se ela realmente causou efeitos em todo o multiverso, então é preciso selecionar as informações e explicar ao leitor quais são as novas diretrizes e seus porquês.

Bom, e isso valeria até para que houvesse expectativa de um futuro confiável, já que falaríamos da nova realidade da editora; antes de pensar em construir uma casa, é preciso montar bons alicerces, não é verdade?

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E assim a Precursora fundamenta nas páginas da publicação a sua visão sobre os velhos e os novos tempos, e também sobre o que está por vir, estabelecendo as bases para perguntas como “o que torna esses homens e mulheres tão especiais? ”. É importante salientar ainda que a História tende a ser o tipo de publicação que ao menos todo (a) fã detalhista provavelmente gostará mais, já que, para este tipo de admirador (a), não bastará saber que um personagem existiu, mas sim por onde andou, o que fez com que ele surgisse e como vê-lo a partir do fim da Crise, por exemplo.

De Johnny Mann aos Homens Metálicos, do Besouro Azul ao Cabelo de Fogo, praticamente todos estão lá. Da Terra-3 a Apokolips, do antes ao depois… do início ao fim. Não basta introduzir o novo personagem: é preciso dar contexto a ele, motivá-lo para ser quem é ou na medida do possível tentar contar – ainda que um pouco por alto, talvez essa seja a única falha da História – os fatos mais relevantes ocorridos em torno de cada conceito, justificando a abordagem antiga e abrindo espaço para a nova, a chamada Pós-Crise.

Do ponto de vista do leitor, o fim da saga anterior não é exatamente claro, já que faltou a palavra final e o esclarecimento do ocorrido com os personagens; e, portanto, era necessário deixar menos brechas para interpretações errôneas. E nesse sentido, mais do que interessante, a publicação é imperdível por conta da imersão na mitologia da DC e da diversão perpetuada pelas consequências diretas da guerra multiversal contra o Anti-Monitor.

Mais um ótimo trabalho de Wolfman e Perez!

A História é uma publicação de extremo bom gosto. É delicioso ver que os autores pensaram na evolução da humanidade, em vários de seus momentos mais proeminentes e que o surgimento dos personagens acompanha a necessidade de cada época. Constitui o final perfeito para a Crise, aproveitando a deixa das consequências diretas da megassaga. A leitura não é obrigatória, mas supõe-se ser altamente desejável para que seus respectivos “is” tenham mais pingos. Se você leu a grande obra de Wolfman e Perez, esse aqui é o caminho mais natural para prosseguir.

Assim, a melhor forma de se encerrar esta análise é parafrasear a própria Precursora. Em uma passagem importante da dita História, que resume o pensamento de um fã que recomenda a leitura dessa bela obra, ela diz: “Dê aos outros o que você gostaria que te dessem”. Leia a História do Universo DC com a certeza de que a sua forma de ver a editora mudará imediatamente para melhor.

*Obrigado pela dica, nobre amigo Shô!

Slip Questão

Acadêmico de tecnologia, fã de séries, animes e filmes, programador, editor de vídeo, legendador, tradutor, leitor da DC Comics e guitarrista. Carioca nem sei o porquê. Mas acredita que o melhor sabor de pizza é de calabresa, que tempo bom é frio e chuvoso, e que a guitarra que toca nunca será mais importante do que a música que escuta.

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