GUIA LJA | HQs – Versão 7: Fase Novos 52

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Como vimos no capítulo anterior do nosso Guia da Liga da Justiça a DC resolveu mudar “drasticamente” sua linha editorial, primeiro revivendo o Multiverso e depois reformulando seus personagens para versões novas/diferentes. O ponto inicial (ou “de ignição”) da ruptura foi a saga Flashpoint, em cujo final, conhecemos as novas encarnações – e formação – dos integrantes da Liga da Justiça.


Versão 7 (de JL#1 de 2011 até JL#50 de 2016 – Fase Novos 52)

Novos 52 foi a resposta da editora aos apelos de décadas para que alguns personagens (principalmente o Superman) fossem revitalizados, outros como o Flash Barry Allen fossem trazidos de volta, e outros como o Aquaman fossem “melhorados”.

Junte a isso a estratégia comercial de captar novos leitores – já que a base de fãs era praticamente a mesma dos anos 80 e 90 – e também captar leitores mais novos, e temos um cenário que obrigava a que a nova linha editorial externasse um ar mais jovial, mais vanguardista e moderno, menos clássico, menos “old school”.

Assim como toda grande guinada editorial, Novos 52 foi portanto mais uma tentativa da DC Comics de alavancar vendagens de revistas, revitalizar sua base de leitores e “atualizar” sua linha de heróis, depois de mais de 60 anos. Por trás de tudo, também havia um plano da editora de preparar – primeiro nas revistas – seus personagens para os filmes que viriam dali alguns anos, em uma reação ao sucesso comercial estrondoso da Marvel e seus longa-metragens, desde 2008.

Desta feita, o Superman, por exemplo, finalmente foi retratado de forma menos “certinha” do que o convencional, atendendo um antigo apelo dos fãs das HQs que criticavam o azulão – e não gostavam dele, ou não liam suas revistas – por seu excesso de virtuosidade.

Mas as mudanças alcançaram praticamente todos os personagens principais da editora. Temos então a nova Liga da Justiça lançada em 2011, sem o Caçador de Marte e com um revigorado Cyborg em seu lugar; com um Superman mais jovem e agora com um temperamento impetuoso e marrento; uma Mulher Maravilha repaginada e mais de acordo com os modernos entendimentos acerca das guerreiras amazonas; um Flash novamente encarnado por Barry Allen, assim como um Lanterna Verde novamente na pele de Hal Jordan e por fim um Aquaman “turbinado” conceitualmente, mais protagonista do que nunca, e longe da caracterização costumeiramente amorfa (com exceção da época do gancho).

Apenas o Batman manteve suas características clássicas das eras anteriores… o que é evidente, afinal, trata-se do personagem mais popular justamente por conta dessas características, não faria sentido mudá-las.

Claro que se por um lado as mudanças trazidas com a nova realidade arejaram os ares para os lados da DC Comics e ganharam a simpatia de novos fãs e leitores (seja na idade ou no costume de ler quadrinhos), por outro despertaram a ira dos aficcionados de longa data, sobretudo os da era pós-Crise.

Para aqueles que resistiam em aceitar as novidades e reviravoltas conceituais de Novos 52 – e não eram poucos, pois na época do anúncio do reboot a Internet foi invadida por fãs furiosos contra a zeragem na numeração das capas e algumas das mudanças anunciadas – Dan DiDio, um dos maiores nomes editoriais da DC em todos os tempos, declarou na San Diego Comic Con de 2011 o seguinte:

Sabemos que não é fácil aceitar tantas mudanças no status quo dos nossos personagens favoritos. Mas se todos os que reclamam hoje desejam fortemente que mantenhamos tudo como está desde Crise nas Infinitas Terras, lembrem-se que quando a ‘Crise’ foi publicada, muitos fãs daquela época também se posicionaram contra, pois ela própria foi uma ruptura com a linha até então vigente. Com Novos 52 estamos trazendo um Universo DC mais novo, acessível e vibrante. Sei que estamos exigindo bastante de vocês, mas esperem os primeiros números das revistas para formarem uma opinião. As mudanças editoriais, os reboots e as retcons fazem parte da indústria dos comics, mas o mais importante é a qualidade das histórias. É por isso que a DC está aí há 70 anos.

Seja como for, com Novos 52 vieram as maiores mudanças da DC Comics nos últimos 25 anos, justamente desde Crise nas Infinitas Terras. Claro que tivemos outras reformulações nesse meio tempo, como Zero Hora e Crise Infinita, mas era tudo pontual e mais cronológico do que conceitual. Novos 52 não… a guinada de 2011 estabeleceu um novo Universo DC Comics e apagou todo o passado de histórias da editora. Até as numerações das míticas Action Comics e Detective Comics foram zeradas, fato inédito em quase 80 anos de existência das mesmas.

Se Novos 52 deu certo ou não, é um assunto bem mais complexo. Comercialmente, por exemplo, a fase foi (pelo menos até 2014) bem sucedida, ainda que não tenha sido tudo o que a DC esperava. Outro ponto positivo foi que a idéia de rejuvenescer a base de leitores deu certo, e toda uma nova geração passou a se encantar pelos heróis da editora tendo seu primeiro contato com eles via Novos 52, o que garante uma renovação de fãs para as décadas seguintes.

Problemas históricos como as cuecas por cima das calças e o uniforme da Mulher Maravilha também foram finalmente resolvidos nessa nova versão dos heróis da DC, que não teve pudores para mexer em tudo o que incomodava os leitores há décadas, ou anos, como era o caso do amargo Aquaman cabeludo e com o gancho, obliterado na nova fase.

No tocante à qualidade das histórias, tivemos – pelo menos relativamente à Liga – um início trôpego, seguido de uma crescente no nível dos roteiros, e a partir de certo ponto um alto nível (comparável às melhores fases da equipe), com sagas grandiosas que conseguiram fugir da mesmice e introduzir novos elementos à mitologia da Liga, culminando com a inesquecível Guerra de Darkseid.

A verdade é que ficou evidente que a DC não considerou o resultado de Novos 52 bom o bastante para manter essa linha editorial vigente, o que mostra-se incisivo se compararmos com o reboot anterior (Crise), que manteve seu status quo por quase 3 décadas, enquanto que Novos 52 só conseguiu se manter por 5 anos.

E se não há motivos para reclamar das histórias de Novos 52 da Liga da Justiça (pelo menos as últimas), conceitualmente é inevitável citar os equívocos cometidos na fase, e que foram – aparentemente – corrigidos com Rebirth, em 2016.

O maior dos problemas de Novos 52 todos já sabemos: Superman. Por décadas a DC tentou modernizar o primeiro e maior dos super-heróis, mas não conseguiu, pois não é fácil mexer em alguém que é “o modelo” de caráter, liderança e inspiração para todos (ainda que muitos não gostem ou não admitam isso).

O problema é que o excesso de virtuosismo e o comportamento ilibado do Superman sempre foram, ao mesmo tempo, sua maior virtude e seu maior defeito, pois a alcunha pejorativa de “escoteiro” sempre acompanhou o azulão e impediu que sua popularidade fosse como a do Batman, por exemplo, e isso refletia nas vendagens de suas revistas.

Parecia um tiro certo, então, a reformulação do personagem em Novos 52. Parecia. Por incrível que possa soar, porém, mesmo com um público querendo cada vez mais personagens menos “bonzinhos” e mais “duros”, o novo Superman não vingou.

Talvez o conceito clássico do personagem seja tão forte que mesmo aqueles que sempre o acharam “bobo” demais torceram o nariz para o jovem e marrento Kal-El de Novos 52.

Talvez mesmo os que sempre desdenharam dele tenham percebido que é necessário existir o contraponto conceitual ao anti-herói, além de ser necessário existir o modelo a ser seguido, aquele que vai inspirar (e não impor respeito via temor) os outros a fazer o certo.

Seja como for, em Rebirth o Superman “clássico” voltou (também com mudanças, mas não tão grandes como o de Novos 52), e outros conceitos basilares da mitologia DC em toda sua existência foram restabelecidos, o que mostra que a editora reconheceu que algumas apostas de Novos 52 não foram bem sucedidas.

A fase, no entanto, marcou para sempre a História dos quadrinhos, e ainda nos proporcionou algumas das melhores histórias da Liga da Justiça em todos os tempos.

Logo em sua estréia em Novos 52, na revista Justice League #1, vemos a história Origem, que resultou na formação da Liga da Justiça desse novo Universo DC, em um arco ocorrido 5 anos no “passado” da nova realidade da editora. Batman persegue um alienígena em Metrópolis, com a ajuda do Lanterna Verde, e ambos têm seu primeiro contato com o Superman. No início – claro – a porradaria come solta entre eles (principalmente para conhecermos esse novo Kal-El e sua personalidade menos virtuosa), mas depois os heróis se juntam ao Flash para combater Parademônios trazidos por portais abertos por Caixas Maternas, e no meio de tudo Mulher Maravilha, Aquaman e Cyborg também unem forças aos outros para combater Darkseid, o mestre das criaturas que estavam invadindo nossa realidade. Estava “criada” a nova Liga, a mesma que veremos no cinema em breve.

O começo foi bastante fraco, diga-se. Origem foi decepção de público e crítica, mas havia potencial naquela nova Liga – todos percebemos – e ele foi aos poucos mostrando-se nas páginas da revista, com Geoff Johns sempre no comando e se sentindo cada vez mais à vontade com a equipe.

Depois de um arco chamado “Shazam!”, que serviu para introduzir o ex-Capitão Marvel (agora usando seu “novo” nome oficial na DC), começamos a ver o romance que muitos sempre sonharam em ler nas páginas da revista da Liga, entre o Superman e a Mulher Maravilha.

Veio então a primeira saga da Liga em Novos 52: Trono de Atlântida, com destaque para a arte de Ivan Reis. O arco é, muito provavelmente, o mais importante da História do Aquaman, pois é aquele que definitivamente enterrou a imagem “boboca” do personagem, que sempre o acompanhou (pelo menos desde a animação Superamigos e as vinhetas do Cartoon Network) e colocou um “antes e depois” na faceta daquele que até então era visto por muitos como alguém fraco, inútil e descartável na equipe.

Na história, um incidente com mísseis levam Orm – então Rei de Atlântida – a declarar guerra à superfície, utilizando protocolos de contra-ataque criados por ele e seu irmão Arthur anos atrás. No meio da batalha, os seres Abissais saem do Fosso e também atacam a superfície, piorando ainda mais o quadro. Para acabar com a guerra, Aquaman decide enfrentar seu irmão e retomar a coroa de Atlântida.

Depois disso a Liga se vê às voltas com problemas “menores” (se é que se pode chamar de menor uma ameaça à vida do Superman, ou uma batalha épica entre Shazam e Adão Negro, por exemplo…), até que explode a Guerra da Trindade, uma mega-saga que ocupou quase 2 anos de revistas.

O nome da saga, diga-se, enganou todo mundo que achou que a famosa e consagrada trindade Superman/Batman/Mulher Maravilha ia se digladiar entre si. Como dito lá atrás, uma das virtudes de Novos 52 foi trazer novos ares às páginas da DC, introduzindo novos elementos mitológicos à História de seus heróis, fugindo um pouco da mesmice que assolava a editora desde a Crise nas Infinitas Terras.

Nesse crossover, a Liga da Justiça, a Liga da Justiça Sombria e a Liga da Justiça América é que são a “trindade” em guerra, e tudo por causa da famigerada “Caixa de Pandora”, entregue pela própria Pandora ao Superman, que se mostra não tão digno como imaginado para guardá-la. A batalha entre as 3 Ligas acaba revelando que tudo, no fundo, era uma manipulação que tinha por objetivo abrir um portal para que o Sindicato do Crime da Terra-3 pudesse acessar nossa realidade.

Assim, o arco seguinte é uma conseqüência direta da guerra: Vilania Eterna (ou Mal Eterno, como também foi chamada por aqui), a primeira mega-saga envolvendo toda a linha DC desde o reboot de 2011, e que confirmou a tendência de subida de qualidade das histórias de Novos 52. Novamente vemos paradigmas sendo quebrados quando os protagonistas da história são, na verdade, os vilões da Terra, que se unem para suprir a ausência de uma capturada Liga da Justiça e enfrentam o Sindicato do Crime que acessou nossa realidade após a Guerra da Trindade.

Liderados por Lex Luthor (finalmente retomando para si o protagonismo corriqueiro de antes de Novos 52), que planeja derrotar o Sindicato e provar ao mundo que ele é mais merecedor de ser o protetor da Terra do que os “heróis” de sempre, com ajuda de um clone prematuro do Superman (sim, o Bizarro N52), e nomes de peso como Adão Negro, Capitão Frio, Arraia Negra e Sinestro, os vilões partem no encalço dos invasores e os derrotam. Destaque para o momento em que o Batman tenta se juntar a eles e “liderar” a equipe (impondo ordens ao time como se eles fossem a Liga) e sendo solenemente ignorado.

Resolvido o problema do Sindicato, e incorporando um Lex Luthor “heróico” (assim como o Capitão Frio), a Liga tem que se acertar com a nova Anel Energético e depois tem que lidar com um Vírus Amazo. Enquanto isso, um salto temporal de 35 anos mostra o futuro de Fim dos Tempos, em que o Irmão Olho domina o mundo e transforma os heróis em ciborgues. Na ocasião, o Batman do Futuro é quem organiza a futura resistência ao vilão e seus planos, em uma interessante mega-saga que fez o bat-parsonagem famoso pela série animada se relacionar com o cânone da Liga nos quadrinhos.

Chegou a vez então da saga Multiversity, de Grant Morrison, e o Universo DC de Novos 52 foi descortinado por inteiro aos olhos dos leitores. Depois de ter seu trabalho mal visto pelo público em Crise Final, o mestre escocês voltou mais afiado à editora com esse belo trabalho que serviu para apresentar formalmente todo o Multiverso recriado recentemente, com direito a infográfico – vulgo “mapa” – e tudo, composto agora de 52 (e não mais “infinitas”) Terras.

Morrison, como sempre, não se restringe ao óbvio (longe disso), e em Multiversity (basicamente uma interação entre personagens de todas as Terras da DC, em histórias deliciosas e diferentes) ele ousa ainda mais, chegando ao ponto de introduzir metalinguagem e referências à própria indústria das HQs, com fortes críticas ao modelo estabelecido pela Image Comics nos anos 90 (com direiro até a uma crítica velada ao Savage Dragon de Erik Larsen) e seus respingos no universo Ultimate da Marvel.

Mas a própria DC também foi alvo de citações e críticas, como as referências à malfadada tentativa de reboot Zero Hora (mais anos 90 em riste) e aos desenhos sexistas da editora, por exemplo. Por fim, até críticas aos fãs mais extremistas foram incluídas na saga, em um recado metafórico duro do autor, que envolvia o personagem Nix Uotan e os Gentry (com suas devidas referências lovecraftianas).

Depois da homenagem aos comics e à DC (e suas “Infinitas Terras”) como um todo, que foi Multiversity, a Liga teve que lidar com os acontecimentos de Convergência, que mostrou heróis da Terra-2 confrontando Telos (operando sob orientação de Brainiac) que reuniu personagens do Multiverso em um planeta onde deveriam se enfrentar em batalhas eliminatórias pela própria sobrevivência. A história de Jeff King e Scott Lodbell não agradou muito, mas foi importante por estabelecer uma nova “regra” editorial na DC: absolutamente tudo o que já foi publicado pela editora é considerado cânone.

Consequência direta de eventos de tudo o abordado em Multiversity e a então recente Terra-2: Fim do Mundo, Convergência introduz, no meio da história, heróis de todas as fases anteriores da DC, incluindo as eras pré-Crise e Reino do Amanhã, e revisita as batalhas de Crise nas Infinitas Terras, Zero Hora, Crise Infinita, Crise Final e Flashpoint, ratificando (e retificando) acontecimentos históricos importantes da editora, explicando que todos eles estavam amarrados à uma única linha central de ocorrências, todas derivadas da Crise original. No fim, o vilão de tudo era Deimos, que acabou sendo derrotado por heróis oriundos de todas as eras da DC.

Por fim, cumprindo um plano de restabelecer – de certa forma – seu universo “clássico”, a DC lançou a fase DC You, onde aproveitou os conceitos lançados em Convergência, na qual agora todas as versões dos seus personagens já inventadas estão à disposição dos escritores, sem restrições cronológicas, e entregou por um período uma certa releitura de diversos de seus protagonistas, como Batman (que passou a ser o Comissário Gordon em uma armadura), Superman (perdeu parcialmente os poderes e deixou de usar identidade secreta), etc.

E o epílogo da fase Novos 52 se deu em grande estilo, com a Guerra de Darkseid, um mega-crossover que envolveu todos os heróis da editora e decretou o fim dessa era e a passagem para a próxima.

Na saga, em que Geoff Johns fecha com chave de ouro sua participação na Liga, vemos como o vilão Anti-Monitor (sim, aquele de Crise nas Infinitas Terras) decide enfrentar e derrotar Darkseid, principalmente pelos dois terem basicamente o mesmo objetivo de vida: usar de todos os meios possíveis para se tornarem os senhores do Universo. Após uma ferrenha batalha na Terra, sem que os heróis daqui conseguissem parar os dois titãs, o Anti-Monitor vence um Darkseid sedento de vingança contra os terráqueos por conta do arco Origem, do início da fase N52.

O vilão vitorioso entra em uma espécie de “casulo” abastecido pela Equação Anti-Vida, e começa a “evoluir” para seu estágio final de Anti-Deus. Para enfrentá-lo, a Liga também “evolui”, e seus membros viram os novos Novos Deuses: Superman absorver energias em Apokolips e vira o Novo Deus do Poder; Batman usa a Poltrona Mobius de Metron e torna-se o Novo Deus do Conhecimento; Shazam invoca os deuses que saíram do corpo de Darkseid após sua morte e junta-os à sua essência (já repleta de deuses) e vira o Novo Deus dos Deuses; Flash funde-se ao Corredor Negro e vira o Novo Deus da Morte; Lex Luthor, abandonado pelo Superman em Apokolips, é identificado como o “escolhido” das profecias do planeta, recebe poderes a la Darkseid e vira o Novo Deus de Apokolips. Para ajudar ainda mais na luta, a Liga se une ao Sindicato do Crime.

A história é, além do encerramento de Novos 52, também uma grande auto-homenagem da DC para si mesma, já que abrange praticamente toda a mitologia da editora, principalmente aquela relativa às suas mega-sagas e reboots.

A batalha é feroz, mas os heróis vencem o Anti-Deus. Depois, Graal (filha de Darkseid), rouba os poderes divinos dos heróis e revive o lorde de Apokolips pela carne do bebê da Super Mulher – do Sindicato do Crime – que nasce no meio do conflito, e foge com o rebento.

O epílogo da aventura, no entanto, é que é o ponto mais importante não só da história, como da fase N52: ninguém menos do que o próprio Dr. Manhattan – o personagem ultra-poderoso da saga Watchmen, de Allan Moore – entra em ação e “reinicia” a realidade, o que leva a DC à sua nova fase, Rebirth.

Como vimos, Novos 52 foi a mais revolta e remexida era da DC Comics, editorialmente falando. Em um período de apenas 5 anos, todos os conceitos editoriais fundamentais da DC foram alterados e firmados sobre novas bases.

Sob essa ótica, inclusive, é possível entender essa fase não apenas como algo que “não agradou” os executivos da empresa (daí sua mudança em Rebirth), mas sim como uma fase que ajustou sua cronologia, aparou arestas conceituais que não se acertavam desde a era pré-Crise, e cimentou um caminho para o futuro que começou com Rebirth e tem tudo para dura algumas décadas.

Após Crise, a DC viveu 25 anos de uma linha editorial única, firme e coesa, mas que não agradava a todos os fãs por conta de incongruências com sua história antes da saga que reiniciou a editora. Assim, Novos 52 rebootou tudo e temos agora um novo começo para a editora.

Como já sabemos, a realidade de N52 não foi tão bem aceita como pretendiam os executivos da DC, mas o importante eram as bases editoriais que estavam encaminhadas com eventos como Multiversity e Convergência, e, se não dava pra seguir os novos caminhos com o status quo de Novos 52, que essa linha nova viesse então nas bases anteriores (mais bem aceitas), ou seja, na realidade “clássica”, que Rebirth trouxe (não totalmente) de volta.

Entretanto, o ponto de ruptura sempre terá sido Novos 52, que assim como a Crise original, estabeleceu um “antes de” e “depois de” na História da DC Comics. Goste-se ou não.

Fontes:
Comic Book DB
DC Comics
DC Indexes
DC Wikia
DC Wikia BR
Super Heroes DB
Universo HQ

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