GUIA LJA | HQs – Versão 6: Fase Final

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Como vimos na versão anterior da Liga, a equipe estava extinta e a amizade da Trindade só se restabeleceu ao fim de Crise Infinita. Entretanto, as feridas ainda estavam abertas, e as conseqüências das últimas desventuras do grupo (Elite e Crise de Identidade, além da própria Crise Infinita) forçavam uma pausa, uma releitura do próprio conceito da Liga, na visão de seus ex-integrantes. Confira aqui no nosso Guia da Liga da Justiça a última fase da LJA antes de Novos 52.


Versão 6 (de JLA#0 de 2006 até JLA#60 de 2011 – Fase Final)

Batman, Mulher Maravilha e um agora pessimista e desmotivado Superman resolvem por a cabeça em ordem, cada um por um (ou vários) motivo, de modo que por um ano inteiro eles ficam de fora dos trabalhos em equipe dos heróis da DC Comics. Começava a Fase Final da equipe.

Como já dissemos anteriormente, a editora preparava o terreno para sua maior mudança editorial em 20 anos, desde Crise nas Infinitas Terras, pois queria trazer de volta o Multiverso, extinto naquela ocasião.

Interessante aqui notar que os motivos que levaram a DC a acabar com a bagunça cronológica e editorial que era o Multiverso nos anos 80 não a impediram de achar que seria uma boa retomar aquela linha. Claro que o projeto tem prós e contras, mas considerando-se que a mesma almejava começar a levar para as telonas seus personagens, muitos analistas acreditam que a melhor decisão seria ter mantido um universo único e coeso, já que muitas Terras podem ser ótimas do ponto de vista mercadológico para os quadrinhos, mas afastam os que não são fãs hardcore pela dificuldade de se entender o conceito e se conhecer todos os personagens alternativos e suas realidades paralelas.

JLA #1 de 2006: começa uma nova Liga
JLA #1 de 2006: começa uma nova Liga

Seja como for, a DC publica em 2006 a revista Justice League of America (volume 02) #01, escrita por Brad Meltzer e ilustrada pelo brasileiro Ed Benes. Nela, é mostrado que a Trindade se reuniu novamente após seu ano sabático, na Batcaverna, para recriar a Liga. Na reunião, os três ícones máximos do heroísmo da DC escolhem os novos membros para compor o time e, diante de diversos critérios estratégicos, mesclam novos e velhos aliados, e a LJA passa a ter Superman, Batman e Mulher Maravilha, além de Lanterna Verde, Canário Negro, Zatanna, Flash, Arqueiro Vermelho (ex-Ricardito e Arsenal), Mulher-Gavião, Víxen, Raio Negro, Tornado Vermelho e Nuclear.

Nessa época a DC também publicou um de seus mais corajosos projetos em toda sua história, a maxissérie 52, de Geoff Johns, Greg Rucka, Mark Waid e Grant Morrison (só escritor graúdo, como podemos ver), uma inacreditável saga semanal que dura um ano inteiro! Em 52 vemos o que ocorreu durante o ano “em branco” da Trindade, e como Nuclear foi o responsável por agregar os heróis da editora para enfrentar os problemas de então e suprir a ausência dos peso-pesados sumidos desde Crise Infinita e a extinção da Liga.

Ao contrário dos prognósticos, 52 foi um sucesso impressionante – muito por causa, obviamente, da equipe de roteiristas, talvez a mais qualificada já reunida em todos os tempos para uma única saga – e mesmo com personagens secundários e terciários, cumpriu seu papel e sedimentou o caminho para o futuro da editora (Flashpoint e Novos 52).

O principal vilão enfrentado por Nuclear e sua equipe (sobretudo Águia Flamejante, Super-Chefe, Projétil e Besouro Bisonho) foi Skeets, o robô do Gladiador Dourado, que desencadeia uma série de acontecimentos que acabam englobando um número incrível de personagens da DC, causando interações com Lex Luthor e Adão Negro que abalam o mundo em ocorrências de grande escala.

Maxissérie 52
Maxissérie 52

Um desses acontecimentos é a saga III Guerra Mundial, desencadeada sobretudo por Adão Negro – uma das conseqüências citadas de 52 – como uma vingança dele pelas mortes de Osíres e Ísis (com o qual Adão se casou) pelos Cavaleiros do Apocalipse de Apokolips. Sem os poderes de Superman e Mulher Maravilha para lhe fazer frente, o Adão só é contido quando o Capitão Marvel (atual Shazam) convence o panteão dos deuses egípcios a remover seus poderes.

Outra conseqüência de 52 é a recriação do Esquadrão Suicida, que foi muito bem recebido pelos novos fãs, a ponto de receber até um filme em 2016.

No fim de 52 é revelado que o Skeets defeituoso era na verdade o Senhor Cérebro usando seu corpo metálico, que funcionava como um casulo para uma forma que se alimentava do tempo. Senhor Cérebro recriou a história dos 52 novos mundos surgidos após Crise Infinita, como uma conseqüência das ações do Superboy Prime, para se alimentar delas. Resumindo: o Multiverso – agora restrito a 52 Terras no lugar das “infinitas” de antes – estava de volta.

É nesse contexto que a nova Liga ressurge. Como toda a geração de leitores da época não era a mesma dos anos 80 – em sua maioria – então o Multiverso redivivo era uma “novidade”, que agradou imensamente. Some-se a isso a arte de Benes, a época da Internet, em que as pessoas passam a compartilhar seus gostos e leituras, e temos novamente a Liga da Justiça encabeçando as vendas da DC Comics.

Aliás o sucesso foi tanto que surgiu ali o primeiro projeto de um longa metragem live action dos personagens da equipe. O filme chegou a ter roteiro e início de pré-produção, mas foi cancelado às vésperas do início das filmagens, em 2008.

Nas primeiras aventuras, a nova Liga, liderada por Canário Negro, tem que lidar com Amazo e o drama do Tornado Vermelho, no arco O Rastro do Tornado. Em seguida temos A Saga do Relâmpago, que terá conseqüências futuras para a Liga, a despeito da Força da Aceleração que dá poder aos Flashes.

Depois disso temos o retorno da Liga da Injustiça de – sempre ele – Lex Luthor, que ataca a Liga no arco Liga da Justiça Sem Limites, que também trata do casamento da Canário e do Arqueiro Verde. Como conseqüência da batalha com a equipe de Luthor, a Liga acaba enfrentando o novo Esquadrão Suicida a mando do governo dos EUA, e acaba indo para um planeta prisão, nas histórias do arco Santuário.

Essa primeira parte da versão 6 da Liga da Justiça termina com a história A Segunda Onda, na qual o arco inicial do Tornado Vermelho (No Rastro do Tornado) é retomado e encerrado, agora com ele como “vilão”. Logo após vem aquele que é o primeiro – de dois – grande acontecimento da fase, a mega-saga Crise Final, de Grant Morrison.

guialiga44crisefinal1Crise Final (o maior crossover da Fase Final da LJA), publicado entre Julho de 2008 e Março de 2009, era para ser o epílogo das crises anteriores (Crise de Identidade e Crise Infinita), e ao mesmo tempo uma comemoração dos 20 anos da lendária Crise nas Infinitas Terras e o marco inicial do maior reboot da DC desde então.

Por diversas questões editoriais, no entanto, e também pela resposta ruim do público – que criticou bastante a trama deveras intrincada da história (característica de Morrison, diga-se) além do excesso de tie-ins, o reboot foi adiado e acabou acontecendo apenas dois anos depois, com Flashpoint. Uma mostra de como a editora planejava acabar com seu status quo na época são as peças publicitárias alusivas à Crise Final com o slogan “Heróis morrem. Lendas vivem para sempre”.

No fim, sem poder terminar Crise Final como queria – estabelecendo uma nova DC – Morrison fez, na verdade, uma homenagem a toda a obra de Jack Kirby, e à própria editora, e conduziu uma belíssima saga da Liga da Justiça.

Na história, resumidamente falando (resumir uma mega-saga de Grant Morrison é sempre complicado), Darkseid, após uma batalha com os Novos Deuses do bem, “invade” a Terra. O tirano de Apokolips usa a famosa Equação Anti-Vida para debilitar os heróis e controlar cada vez mais a população mundial. Após causar muitos danos à LJA e seus aliados e chegar a controlar o mundo, ele vê os heróis começarem a reagir.

O reboot estava preparado, mas foi adiado
O reboot estava preparado, mas foi adiado por 2 anos

No fim, Superman retorna de um embate com Superboy Prime no futuro, e começa a mudar os rumos da batalha. Após ver o Batman “morrer” em uma tentativa frustrada de matar o vilão, Kal-El (com ajuda dos Flashes e da Máquina dos Milagres), consegue vencer Darkseid. Como conseqüência, é criado um novo Quinto Mundo, onde os Novos Deuses derrotados pelas forças do mal de Apokolips no início de tudo, podem renascer.

Convém mencionar que esse resumo é extremamente superficial e não entra em absolutamente nenhum detalhe de uma trama absurdamente intrincada e recheada de personagens antigos da DC, bem como de referências à toda história da editora, com participação de outros vilões (inclusive o Monitor da Crise nas Infinitas Terras), e contextualização histórica, filosófica, sociológica, e inter-relações com teoria do caos, fractais, Multiverso, etc.

Depois de Crise Final, a Liga está de volta e enfrenta os personagens oriundos da editora Milestone, e logo depois, em Grito por Justiça, se vê às voltas com o Dr. Luz revivido na pele de um Lanterna Negro (conseqüência direta da saga A Noite Mais Densa).

Na seqüência (agora lidando com a repercussão da saga O Dia Mais Claro) a Liga vê a ressurreição de alguns personagens – dentre os quais Jade, filha de Alan Scott, o primeiro Lanterna Verde.

Após esse arco, a Liga enfrenta o Sindicato do Crime no arco América Ômega, com o agravante de também ter que lidar com uma Supergirl “sombria”. Enfim, depois disso, o arco A Ascenção de Eclipso é o fim do ciclo dessa versão 6 da Liga, já que prepara o terreno para Flashpoint e o reboot ocorrido depois.

Flashpoint: começa o plano de Geoff Johns
Flashpoint: começa o plano de Geoff Johns

Chegamos então a Flashpoint (no Brasil, chamada de Ponto de Ignição), o segundo e maior acontecimento dessa fase e a história que marca a virada da versão 6 para a 7 da Liga da Justiça, quando a DC Comics rebootou seu universo editorial criando a fase conhecida como Novos 52.

Flashpoint estava originalmente programada para ocorrer logo após Crise Final, mas a repercussão da saga de Grant Morrison na época não foi das melhores (muitos acharam a história confusa demais), de modo que a DC esticou por mais alguns anos seu universo tradicional, e preparou melhor o terreno para Novos 52.

E por que raios a DC inventou de rebootar sua linha editorial e mudar o status quo de vários personagens? Simples: tratou-se de uma tentativa de dar a uma (boa) parte de seu público o que ele (teoricamente) queria fazia tempo, e que não era possível fazer por meio de retcons ou sagas.

A DC queria apagar cronologia que considerava “problemática”, revitalizar alguns personagens (mudando a visão que o público tinha de vários deles), estabelecer novos elos emocionais, resgatar paradigmas antigos (como Barry Allen ser o Flash da Liga atual), etc.

O maior exemplo é o Superman. É notório que nos dias atuais o azulão é considerado “bonzinho demais”. É um personagem muito certinho, muito “perfeitinho”, de modo que acaba gerando antipatia de muita gente, que prefere os heróis mais “durões”, menos “certinhos”, mais “badass”. Pois bem, com Novos 52, a DC apresentou seu novo Superman: mais jovem, menos carola, menos escoteiro, enfezadinho, mais chegado numa “treta”…

Ou seja, em suma, os que sempre reclamaram do Superman e seu modelo inatingível de caráter e personalidade, finalmente recebiam após Flashpoint um Kal-El mais “real”, menos “perfeito”. Claro que não deu muito certo, e o Superman de Novos 52 acabou sendo justamente o maior problema da fase reboot, sendo prontamente corrigido em Rebirth e a retomada que se seguiu em 2016.

Mas, enfim, a questão é que lá em 2011 a DC conseguiu por em prática o plano de se rebootar (coisa que devia ter ocorrido em 2009 com o encerramento de Crise Final) com a história conhecida aqui como Ponto de Ignição.

Flashpoint #5: o ponto de ruptura
Flashpoint #5: o ponto de ruptura

Na já famosa saga (que “coincidentemente”, assim como em Crise nas Infinitas Terras, colocou o Flash como ponto focal de uma mudança brusca na editora), Barry Allen, o Flash “original” da Era de Prata – substituído por seu sobrinho Wally West após a Crise – acorda em um determinado dia e percebe que o mundo está “diferente” do que deveria.

Barry constata, logo depois, que está em uma espécie de realidade alternativa onde sua mãe está viva, Thomas Wayne é o Batman ao invés de Bruce (morto no assalto na porta do teatro), e quase todos os outros personagens que conhecemos estão modificados de algum jeito. O mundo é diferente, mais violento, e vive uma guerra entre as amazonas e os atlantes.

Após diversos percalços, Barry descobre que a mudança foi causada por ele mesmo, que havia voltado no tempo para impedir a morte de sua mãe. Uma espécie de “efeito borboleta” desse ato é que causou toda essa mudança. Mas o Flash mais famoso de todos desfaz seu erro, à custa de muito sofrimento (já que assim sua mãe morreria “de novo”), e essa realidade alternativa deixa de existir.

Como conseqüência do fim de Flashpoint, a DC que conhecíamos acabou e uma nova realidade surgiria com os Novos 52. E com os Novos 52, viria também uma nova Liga da Justiça, claro.

Flashpoint termina... e a DC que conhecíamos também!
Flashpoint termina… e a DC que conhecíamos também!

Fontes:
Comic Book DB
DC Comics
DC Indexes
DC Wikia
DC Wikia BR
Super Heroes DB
Universo HQ

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