GUIA LJA | HQs – Versão 3: Fase Detroit

Continuamos com o nosso Guia da Liga da Justiça, onde serão abordadas todas as fases e versões da principal equipe de super heróis dos quadrinhos, depois da ótima Fase Satélite.


Versão 3 (de JLA Annual #2 / JLA#234 de 1984 até JLA#261 de 1987 – Fase Detroit):

Desde o início dos anos 80 as vendas das revistas DC enfrentavam nova crise de vendas. Os problemas identificados na época davam conta de que a cronologia de décadas acumulada, somada às dezenas de “Terras” paralelas que o Multiverso tinha proporcionado, estavam afastando os leitores, que não entendiam mais o que liam. Eram muitas versões de personagens, e muitas amarras de cronologia para se conhecer, e eles acabavam migrando para a simplicidade editorial e realidade coesa da Marvel.

Crise: maior saga da História das HQs
Crise: maior saga da História das HQs

Foi aí que a DC resolveu acabar com a bagunça e botar ordem na casa. Veio então ao mundo, idealizada pela antológica dupla Marv Wolfman e George Perez, a primeira grande saga dos quadrinhos de heróis, a “saga-mãe”, Crise nas Infinitas Terras (falaremos sobre ela em um post específico).

A mega saga unificou o Universo DC em uma única realidade e uma única linha temporada, de modo que não haviam mais realidades paralelas e nem versões alternativas de seus personagens. Era o fim do Multiverso.

Após Crise, portanto, a Sociedade da Justiça passou a ser um “passado” do mundo onde, no presente, os heróis eram a Liga (que havia se inspirado nos seus antecessores). Com a saga, o Flash morre e Caçadora, Supergirl e Superboy passam a “nunca ter existido”, e a origem da Liga foi refeita (a famosa substituição da Mulher Maravilha pela Canário Negro).

Como Crise nas Infinitas Terras pegou a versão 3 da Liga no meio do caminho, o que já não vinha bem conseguiu dar uma piorada, de modo que a tal Fase Detroit acentuou a queda iniciada já no final da fase anterior.

Na época a LJA passaria por um declínio de qualidade e principalmente imagem que se arrastaria até o fim da malfadada (porém elogiada por muitos) fase “cômica”.

Liga da Justiça Anual 2 de 1984: começa a Fase Detroit
Liga da Justiça Anual 2 de 1984: começa a Fase Detroit

Essa é considerada a pior fase e a pior versão da LJA. Histórias fracas e integrantes sem nome ou popularidade para integrar as fileiras do principal grupo de heróis das HQs (alguns de quarto escalão como Vixen, Vibro e Gládio) são os principais problemas da época, dentre outros. As vendas despencaram e as tiragens foram diminuindo constantemente e a revista da Liga da Justiça da América tornou-se um produto “B” dentro da DC, o que, visto pelos olhos atuais, mostra-se um absurdo.

A verdade é que tudo foi planejado pela DC e executado pelos autores Gerry Conway e Chuck Patton para tentar revitalizar a equipe e reverter a tendência de baixas vendas, mas o resultado foi desastroso e piorou o quadro.

Nessa “Fase Detroit”, a Liga tem seu satélite semi-destruído após uma invasão marciana. Depois, Aquaman torna-se o líder da LJA e começa a exigir que os membros dediquem tempo integral à equipe. Isso afastou a maioria dos integrantes clássicos, restando apenas o próprio Rei de Atlântida, além de Caçador de Marte, Zatanna e Homem-Elástico.

O quadro enxuto fez Aquaman recrutar novos membros e aí é que a coisa pegou, pois foram introduzidos Gládio, Vibro, Cigana e Víxen (!).

Com sua nova trupe, Aquaman passa a sediar a Liga da Justiça em Detroit, Michigan, em um bunker (que na verdade era um armazém) chamado… “Bunker” (!). Porém, logo depois, o mesmo líder que exigiu exclusividade de tempo dos membros, precisou acertar sua vida em Atlântida e acabou saindo da LJA. Logo após, Zatanna também abandonou as fileiras da outrora grandiosa superequipe.

Lendas: o epílogo da Fase Detroit
Lendas: o epílogo da Fase Detroit

Agora sob comando do marciano J’onn J’onzz (então chamado no Brasil de Ajax), a combalida Liga da Justiça vê a Crise nas Infinitas Terras chegar e, logo após a mega-saga, a LJA foi afetada pela primeira grande história DC pós-Crise, a saga Lendas (de John Ostrander e o conceituadíssimo John Byrne), onde finalmente Darkseid foi protagonista e começou a criar toda a mística que envolve seu nome.

Na história, pressionado pela opinião pública – resultado de um plano do senhor de Apokolips – os EUA sancionam uma lei “proibindo a atividade metahumana”. A história resultou na saída de Homem-Elástico e na extinção da equipe – por conta da referida lei – o que afastou os membros uns dos outros, deixando-os à mercê do Professor Ivo, que atacou um por um com duplicatas andróides deles mesmos, matando Vibro e Gládio.

A última tentativa de melhorar as coisas para a revista da Liga, na época, foi feita quando trouxeram o Batman de volta, em Justice League of América #250, mas nem isso fez subir a qualidade das histórias, e na edição #261 a Fase Detroit foi encerrada (para felicidade dos leitores, que a muito clamavam por mudanças editoriais na LJA) com Cigana e Víxen abandonando o “super-heroísmo” e restando ativo, da formação dessa fase, apenas o Caçador de Marte.

A queda da reputação da Liga continuaria na fase seguinte, a chamada Fase Cômica ou Internacional, que a despeito do estrago que causou a imagem do grupo, teve bons resultados nas vendagens das revistas e deixou muitos fãs saudosos até os dias atuais.

Fontes:
Comic Book DB
DC Comics
DC Indexes
DC Wikia
DC Wikia BR
Super Heroes DB
Universo HQ

Ralph Luiz Solera

Escritor e quadrinhista, pai de uma linda padawan, aprecia tanto Marvel quanto DC, tanto Star Wars quanto Star Trek, tanto o Coyote quanto o Papaléguas. Tem fé na escrita, pois a considera a maior invenção do Homem... depois do hot roll e do Van Halen, claro.

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