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GUIA LJA | HQs – Versão 2: Fase Satélite

by on junho 30, 2016
 

Depois da primeira fase da equipe, chamada Happy Harbor, a Liga se firmou como o produto mais vendido pela DC Comics. Vamos agora ver em nosso Guia da Liga da Justiça como foi a segunda fase da equipe nos quadrinhos.


Versão 2 (de JLA#78 de 1970 até JLA#232 de 1984 – Fase Satélite):

No fim dos anos 60 o crescimento da Marvel já se fazia sentir lá pelos lados da Distinta Concorrência. Os heróis mais realistas e complexos da Casa de Idéias, em comparação com os estereótipos de virtuosismo ingênuo da DC, estavam ganhando terreno nas vendagens das revistas e fazendo muito sucesso. O sentimento puro de união e esperança já não bastava para os leitores, que passaram a se identificar com adolescentes sem dinheiro e heróis cheios de dúvidas, temores e objetivos mais mundanos – em suma, cheios de “humanidade”.

LJA #78: começa o volume 2

LJA #78: começa o volume 2

Também contribuía para a imagem quase infantil da linha editorial da DC, em comparação com a Marvel, a bizarra – e deprimente – série de TV do Batman (sim, aquela com Adam West, cultuada hoje em dia, apesar do estrago eterno que causou à aura do personagem).

Para evitar o cancelamento da revista da equipe, Julius Schwartz resolveu promover artistas jovens como Dennis O’Neil, Jim Amparo e Neal Adams e pediu um tom mais sério, sóbrio e realista para as histórias. Na verdade, Schwartz mudou ali a linha editorial da DC como um todo, o que resultou depois no Batman de Dennis O’Neil e Neal Adams, a versão mais importante da história do personagem, que inspirou Frank Miller em sua obra Cavaleiro das Trevas e que “fez do Batman” tudo o que ele é até hoje.

Denny O’Neil começou a reformular a equipe em 1968 juntamente com o desenhista Dick Dillin. As maiores mudanças nesses dois primeiros anos foram a “demissão” do adolescente Snapper Car e o desligamento da Mulher Maravilha e do Caçador de Marte.

Nessa fase, alem de O´Neil, trabalharam na equipe criativa Mike Friedrick, Len Wein, Cary Bates, Elliot S. Maggin, Steve Englehart, Gerry Conway e o mito George Perez, que substituiu Dick Dillin nos desenhos em 1980.

O´Neil fez as reformulações que a DC encomendou, encaminhou o fim da fase anterior e deixou os roteiros da Liga em 1970, quando partiu para fazer História com a aclamada fase da dupla Arqueiro Verde/Lanterna Verde, retornando à Liga em 1975 para uma segunda passagem.

a base da LJA era um satélite

a base da LJA era um satélite

Em 1970 a base da nova LJA passou a ser um satélite construído com tecnologias kryptoniana, thanagariana e marciana – daí o nome da “Fase Satélite” – e a ausência dos três membros que saíram foi compensada pelos substitutos Canário Negro e Tornado Vermelho. Mais tarde entraram no time Nuclear, Mulher-Gavião, Zatanna, Homem-Elástico, Adam Strange, e Vingador Fantasma. Metamorfo participou de algumas histórias mas recusou o convite para tornar-se membro da Liga.

As formações da equipe variavam de modo que dificilmente a equipe completa aparecia em uma única história, e a escalação dos membros variava de acordo com o vilão a ser enfrentado. Além disso, haviam – claro – as respostas editoriais à concorrente Marvel. O andróide Tornado Vermelho, por exemplo, foi claramente introduzido para rivalizar com o sintozóide Visão, que já fazia sucesso nos Vingadores. Em determinada época, a Mulher Maravilha voltou a fazer parte da equipe, enquanto começavam a se firmar a liderança do Superman e o “cargo” de estrategista do Batman.

A Fase Satélite foi marcada por um tom mais “espacial”, recheada de invasões alienígenas e embates com extraterrestres em outras Terras do Multiverso (sim, ele começou a ser explorado na Fase Happy Harbor, lembra-se?). Os encontros com a SJA da Terra-2 serviram para a DC ir, aos poucos, trazendo de volta outros personagens da Era de Ouro, como o Cavaleiro Andante e os Sete Soldados da Vitória.

Foi na Fase Satélite também que a Liga encontrou, na Terra-S, os personagens então recém comprados da Fawcett Comics que tanto sucesso fariam nas décadas seguintes: o núcleo do Capitão Marvel (hoje conhecido como Shazam), completo, com direito a Mary Marvel e o icônico tigre Sr. Malhado (!).

LJA #184

LJA #184

Os vilões importantes dessa fase foram a entidade Homem Nebulosa, os Três Demônios, Eclipso, e outros, dentre os quais o Dr. Luz e a Gangue da Injustiça, sendo que décadas depois, as histórias com esses dois últimos seriam a base conceitual que levou à saga Crise de Identidade (2004), escrita por Brad Meltzer. Outro vilão da época acabou tornando-se um dos maiores – senão o maior – inimigo da LJA: Darkseid.

Nessa fase, cultuada por muitos como a melhor da equipe ao lado da Fase Torre de Vigilância, as edições comemorativas #100 (novo encontro com a SJA) e #200 (o retorno dos appelaxianos, com desenhos de George Perez) marcaram época.

O fim dessa fase se deu com o satélite sendo irremediavelmente danificado após uma invasão marciana, cuja história foi finalizada em Justice League of América #232 de 1984.

Na próxima parte desse especial veremos como foi o volume 3 da Liga, a chamada “Fase Detroit“, o começo da queda da equipe.

Fontes:
Comic Book DB
DC Comics
DC Indexes
DC Wikia
DC Wikia BR
Super Heroes DB
Universo HQ