753 views 0 comments

GUIA LJA | Televisão – Introdução

by on abril 6, 2017
 

Depois de conhecermos todas as versões da Liga da Justiça nos quadrinhos, chegou a hora de conhecer suas adaptações para outras mídias. Comecemos então com as primeiras tímidas e ainda incompletas aparições da Liga na televisão:


Introdução (animações Fleischer nos anos 40 e Filmation nos anos 60)

Seria natural, nos anos 60, que o maior sucesso dos quadrinhos de então, a Liga da Justiça da América da DC Comics, acabasse tendo uma adaptação para as telinhas. Na verdade, considerando-se o potencial mercadológico de se expor na TV a equipe formada pelos então principais super-heróis existentes nos quadrinhos, podemos até dizer que demorou para que alguém resolvesse fazer essa aposta, já que apenas em 1966 (seis anos, portanto, após a primeira aparição da Liga nas revistas) algo nessa linha acabou acontecendo.

primeira aparição da Liga na TV em 1967

Naquele ano, a Filmation Associates lançou uma animação do Superman na televisão, chamada The New Adventures of Superman. A série foi inspirada na animação pioneira do Homem-de-Aço dos anos 40, ainda para os cinemas, produzida pelo Fleischer Studios, Na série da Filmation, Kal-El dividia seus episódios da primeira temporada com sua versão jovem (Superboy) e com o Aquaman.

Em 1967 a série mudou o nome para The Superman/Aquaman Hour of Adventure e o Superman passou a dividir os episódios com o Aquaman e também algum outro membro da Liga da Justiça dos quadrinhos, como Batman, Flash, Lanterna Verde e outros (em um sistema rotativo, em que a cada episódio, um membro diferente aparecia), e até a própria Liga deu as caras em alguns episódios.

Aqui, o contraste se deu em relação à série do Superman dos anos 40, que não contava com nenhum integrante da Liga (já que a equipe só surgiu nos quadrinhos muito depois, em 1960), de modo que, em termos factuais, a primeira aparição da LJA em uma animação se deu em 1967 nos episódios de The Superman/Aquaman Hour of Adventure, ainda que sem a formação de então dos quadrinhos.

Em 1968 a série da Filmation mudou o nome novamente, agora para The Batman/Superman Hour, onde o kryptoniano passou a dividir espaço mais com o Homem Morcego, e assim foi até o final da série em 1969.

Apesar de não ser referente a uma animação, é necessário citar nesse contexto que também em 1966 o Batman passou a ter sua série live action de televisão, que se tornou um sucesso instantâneo de audiência e que marcou a cultura pop até os dias atuais, a despeito de sua deprimente caracterização dos personagens e do próprio “clima” da produção. Entretanto, é evidente que tratou-se de uma visão pertinente para a época (sendo proposital ou acidental como uma autêntica sátira) visto que o gênero camp parecia o mais apropriado a uma versão live action de um “super herói dos quadrinhos” na “vida real”.

Besouro Verde e Kato na série camp do Batman

O sucesso da série foi tão grande, que na época diversas celebridades do show business disputavam oportunidades de fazerem participações especiais nos episódios (tão curtas que na verdade se tratavam apenas de pontas). Uma dessas participações foi do Besouro Verde e seu ajudante Kato, sendo este encarnado por ninguém menos que a lenda Bruce Lee.

A aparição do Besouro e de Kato, e vários outros personagens (a maioria vilões) também dos quadrinhos, e a excelente repercussão dessas interações chamaram a atenção de produtores diversos na época, ainda que nenhum projeto live action nesse sentido tenha surgido.

Dois produtores que tinham se espantado com o sucesso da interação do Batman com outros personagens em um episódio de sua série foram os ex-cartunistas William Hanna e Joseph Barbera, que vinham de décadas de muito sucesso com animações em seus currículos.

Assim, a repercussão das participações especiais na série live action do Batman – sobretudo do Besouro Verde e Kato, o sucesso das reprises de Tom & Jerry na televisão (originalmente criados para serem exibidos no cinema) e o ótimo resultado das animações da Filmation levaram o então estúdio Hanna-Barbera a estudar a viabilidade de um novo produto para a TV, no gênero de super heróis, algo que ela até então não havia abordado, já que fazia muito sucesso na época com Zé Colméia, Pepe Legal, Olho Vivo e Faro Fino, Flintstones, Jetsons, Johnny Quest, Scooby-Doo e outros.

Primeiramente, em uma espécie de teste, o H-B fechou um contrato com a DC para colocar Batman e Robin em dois episódios do Scooby-Doo (!) em 1972. O episódio pertenceu à série The New Scooby-Doo Movies, que tinha episódios de uma hora de duração na qual Scooby encontrava outros personagens do estúdio, ou da televisão e do cinema em geral, como a Família Adams, os Harlem Globetrotters, os Três Patetas, Josie e as Gatinhas e outros.

Como a resposta do público foi excepcional para aquela experiência/teste com Batman e Robin, o estúdio bateu o martelo e fechou contrato no ano seguinte para adaptar toda a Liga para uma série própria.

Com a consciência de que tinha uma galinha dos ovos de ouro na mão, o estúdio deixou a cargo do hoje “lenda viva” Alex Toth toda a concepção visual da série e dos personagens, bem como o tom “juvenil” dos roteiros.

Space Ghost: seu criador ficou incumbido da Liga na série da H-B

Toth era um colaborador habitual do Hanna-Barbera e tinha bagagem e experiência com quadrinhos na própria DC, de modo que foi uma escolha lógica para tocar o projeto de uma série animada da Liga da Justiça. Seus trabalhos em Johnny Quest, Herculóides e Space Ghost (onde ele já tinha sido o responsável pelo visual de centenas de personagens, bem como tinha desenvolvido storyboards e feito até edições de episódios) não deixavam dúvidas de que era a melhor opção para a primeira animação de super-heróis adaptados dos quadrinhos que o estúdio iria produzir.

Além disso, estava à altura do que se esperava de uma animação da Liga da Justiça, então o maior e mais bem sucedido grupo de super-heróis dos comics.

Em 1973 foi então lançado Superamigos (Super Friends), a primeira adequada e memorável adaptação da Liga da Justiça para outra mídia, que se tornou um marco cultural mundial tão forte que até os dias de hoje é lembrado, citado e cultuado não só por fãs mas também por profissionais de quadrinhos e animação de todo o planeta.

Na próxima parte do Guia, falaremos tudo e mais um pouco de Superamigos!

Fontes:
Big Cartoon Database
DC Comics

DC Indexes
DC Wikia
DC Wikia BR
Superfriends Wikia

Super Heroes DB