OPINIÃO | O Renascimento do Exterminador

Um Novo Extermínio

Não é segredo para ninguém que o objetivo do Renascimento DC era resgatar a essência dos personagens, chamando os fãs mais velhos e ao mesmo tempo atraindo novos. E o Exterminador pode ser o quadrinho que melhor representa este conceito.

Temos o veterano Christopher Priest voltando para a indústria dos quadrinhos, responsável agora pelo maior mercenário do Universo DC. E como o escritor trabalha com ele?

O talentoso Priest, escritor dessa fase do Exterminador.

Em várias entrevistas ele afirma possuir uma dinâmica diferente com a DC, diferente daquela dos outros escritores, e isso é bem visível. Enquanto as outras histórias seguem de ponto A, começo, para B, meio e C, fim, ele anda pelo alfabeto inteiro com o Exterminador. Ele resgata elementos dos quadrinhos clássicos do personagem enquanto acrescenta um tom mais maduro e atual, semelhante ao de uma série policial de investigação. Um exemplo seria o personagem Billy Wintergreen, que costumava narrar as aventuras de Slade nos anos 90. Esse fator volta até aqui em alguns momentos, e os fãs ficam contentes com isso. Uma coisa interessante também é que raramente ele nos coloca na mente do Exterminador, nos deixa sem saber o que personagem planeja, e isso acaba sendo bem divertido, ser surpreendido toda semana pelas ações dele é algo deixa o quadrinho muito diferente dos outros títulos da DC no momento. Agora, vamos à história.

Exterminador #1, capa.

 

Arcos

O primeiro arco, chamado O Profissional (o que pode se tomar como referência ao filme, devido à participação da Rose no quadrinho), mostra o Exterminador investigando parceiros de trabalho do seu passado — já que alguém colocou um prêmio na cabeça de sua filha, Rose Wilson. Com participações de Batman e Superman, o arco é fantástico. Os plot twists são muito interessantes: ao mesmo tempo em que estão debaixo do seu nariz, você não imagina o que vai acontecer. A ação é ótima, e deixa claro o quanto o Exterminador é um gênio; ele é capaz de enganar ambos, Batman e Superman. A história tem alguns subplots também, como o filho mais novo de Slade passando por uma fase nova de sua vida.

E claro, o retorno de Billy, o melhor amigo de Slade. São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, enquanto vários flashbacks são apresentados ao leitor. Algumas tramas podem parecer fora de lugar, como a participação de um personagem novo, o Leão Vermelho, mas tudo entra em uma perfeita sincronia no final. Depois temos duas histórias curtas, 4 Salas e Chicago. A história 4 Salas trata de recontar a origem da amizade do Exterminador com Billy, e explicar os poderes de Slade. Dispensável? Talvez, mas é uma história bem escrita e responde muitas dúvidas sobre o personagem.

Convidados ilustres

Agora a cereja do bolo: Chicago.

Esta curta história mostra o Rastejante investigando o que parece ser o Exterminador eliminando gangues em Chicago. Ela faz uma crítica a violência nos dias de hoje e responde uma pergunta: qual o efeito da existência de alguém como o Exterminador nas pessoas normais como eu e você? Já sabemos o efeito que ele causa nos super-heróis e vilões, mas… e nas pessoas comuns? A história é genial, fiel ao personagem e mostra bem a realidade da violência armada nos EUA. E de quebra, possui um plot twist que é brilhante.

Artistas

Com artistas como Jason Paz, Carlo Pagulavan, Cary Nord, Norm Rapmund e Joe Bennett (que é brasileiro e já tinha trabalho no Exterminador em 2011), a arte neste título é fantástica. Cada um sabe criar uma “textura” diferente para o uniforme do Exterminador, e todos fazem algo divertido de se olhar, sabendo criar diferenças visíveis um do outro que vão além do traço. Nos anos 90, os quadrinhos solo dele tinham uma filosofia de arte mais “pé no chão”, na qual todos os artistas seguiam um ao outro. Aqui, eles não tem medo de mudar um pouco o tapa-olho do Slade, ou alguma coisa no uniforme, o que é ótimo — faz o leitor continuar a manter a atenção nas páginas.

Muitas referências

Enfim, você como leitor é capaz de sentir uma diferença lendo estas histórias. É visível a diferença tanto dos outros títulos da DC no momento quanto para os quadrinhos anteriores do Exterminador, mas ainda parecem algo familiar e fiel ao personagem, que cada vez ganha mais destaque. E o fator mais brilhante: o Exterminador não é um anti-herói até então, mas um vilão. Ele faz coisas de vilão. Se o escritor é capaz de te fazer ter interesse e se preocupar com um homem fazendo coisas erradas, o talento desse escritor não é discutível.

Imperdível!

P.s.: Esta análise foi feita por Higor Hebert a convite do site.

Dasayeve Xavier

Dasayeve Xavier, estudante de Engenharia de Computação, administrador da page DC Brasil Club e desenhista amador nas horas vagas(ou não). Fã da DC e principalmente do Batman, escreve aleatoriedades para este site.

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