DC FILMS | O verdadeiro Superman em Liga da Justiça!

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Há uma coisa que podemos dizer desde já sobre o filme Liga da Justiça.
Não importa como Zack Snyder trará Superman de volta à vida: será uma cena difícil de ser esquecida. Não apenas pelo espetáculo visual da ressurreição de Superman, mas porque até aqui os fãs do DCEU ainda não viram o super-herói que esperavam (mas não pela razão que alguns mais desapontados podem pensar). Henry Cavill trouxe o Homem de Aço em traje azul e vermelho em dois filmes diferentes, e até mesmo se aliou a Batman e Mulher-Maravilha… mas aquele não era o Superman. Não ainda, pelo menos.

Levará uma morte e ressurreição para que este filho de dois pais se faça um super-herói que se cuida sozinho.

Pode soar como uma diferença sutil, mas acredite em nós: a versão do escoteiro azulão para o DCEU, que terá um papel enorme em Liga da Justiça, quase certamente será algo novo. A conversa sobre se ele é um salvador ou uma ameaça terminou, morrendo junto com ele nos rastros de Apocalypse. O caipira do Kansas tentando ser tão bom quanto a esperança de seu pai pode descansar numa boa. O último filho de um império alienígena tentando realizar o último desejo de seu pai pode celebrar a vitória. O mundo está pronto para abraçar um novo herói por uma nova era, e quando ele sair daquela sepultura em Smallville, finalmente dará o seu primeiro passo como Superman — aqui sim, em toda a sua glória.

Pelo que parece de Liga da Justiça, ele não deve esperar muito para fazer sua presença conhecida aos vilões de todo o universo da DC para os cinemas. Mas se você ainda está pouco convencido de que a história do Homem de Aço de Zack Snyder tem se convergido para este nascimento do “verdadeiro” Superman, permita-nos explicar.

Jonathan Kent

A história de Jonathan Kent chegou ao seu ponto crítico em sua morte, tanto literalmente quanto tematicamente falando. A cena começa, convenientemente, com Clark reclamando de que a existência de sua família é muito “cautelosa”, e que ele deseja fazer algo “útil”. Jonathan mantém a cabeça fria enquanto resiste por todos no interior rural americano, primeiro em palavras e então em ações, quando um tornado aparece para garantir que “cauteloso” é algo que fugiu pela janela. O que Jonathan faz? Ele ordena seu filho a buscar abrigo e proteger sua mãe, acima de tudo. Claramente valorizando mais a esposa e filho do que sua própria vida, ele se atira em direção ao perigo.

Muitos críticos do filme costumam implicar com este acontecimento em especial, acreditando que Jonathan deveria obviamente fazer seu filho invulnerável realizar o resgate, enquanto ele (Jonathan) buscaria o abrigo com sua esposa (ou aquele Clark já seria o Superman, e pularia em direção à ação contra o desejo de seu pai).

Mas esse não é Jonathan Kent. Este não é o homem que criou Clark. E é esse exato tipo de heroísmo humano que o povo tende a admirar nos locais de trabalho duro, de fazenda e de simplicidade americanos. Quando Clark volta para recuperar o cão da família, Jonathan mais uma vez o ordena a buscar abrigo — passando uma criança para os braços dele, e demandando que Clark leve sua mãe até o viaduto mais à frente. A audiência deve supor que Clark salvará o dia, revelará que é um super-herói fingindo ser caipira, mas as palavras que se sucedem enfatizam o objetivo da cena.

Aquele Flashback começou com Clark expressando seu desejo por algum perigo, e com sua crença de que americanos simples não são lá muito úteis no mundo. Jonathan mostra a seu filho que segurança é um dom, e que atos diários de heroísmo são tão úteis quanto qualquer outra coisa. Esta foi a última lição que Jonathan ensinou a seu filho — uma lição aprendida, enquanto Clark então explica:

“Eu deixei meu pai morrer… porque confiava nele.”

Clark pôs seu desejo por perigo ou grandeza de lado, e confiou no alerta de seu pai. Mas em Batman vs Superman (2016), Jonathan retorna para ensinar a seu filho mais uma lição.

Após descobrir o quanto seu pai estava correto quanto à humanidade temer alguém diferente, Clark Kent — dublado como “Super-Homem” pelo mundo — vê suas próprias esperanças, ambições, relacionamentos e até suas intenções distorcidas pelo medo e suspeita alheios. Seu despertar para o mundo fez dele não um homem, mas uma figura, um dilema filosófico, até que mesmo a mulher que ele ama não saiba se é possível estarem juntos. E aí tem o Jonathan Kent, explicando como alguém para amar é algo que pode fazer do mundo um lugar muito menor.

No que parece ser uma memória de seu pai, Clark obtém uma resposta muito necessária. Jonathan o lembra de que eles são simplesmente “homens do Kansas”, e que ele também aprendeu que orgulho vem com um preço; que não importa quanto bem você faça, outros sempre irão sofrer. Essa constatação assombrou Jonathan até que ele conhecesse Martha, que o convenceu de que havia bondade a ser encontrada no mundo. Ele a amou, e ela se tornou o mundo dele. Ela se tornou mais valiosa para ele do que a sua própria vida, em caso de alguém ainda duvidar de seu raciocínio durante a cena do tornado.
Clark apenas se dá conta do significado de seu pai momentos antes de sua morte, mas isso alicerça a história de Clark Kent como a história de um homem, tendo integrado a sabedoria de seu pai. Jonathan conheceu Martha e o mundo se tornou simples, e bom.

Clark olha para Lois e se dá conta do mesmo. E tomando por base o seu sobrenome Kent, essa é toda a bondade que Clark precisa para pôr sua vida em perigo e protegê-la.

Jor-El

Já que Jor-El foi obliterado com Krypton, enquanto Kal-El era apenas um bebê, ele tipicamente toma um papel pequeno na formação real do Superman. Ao menos em termos de ser um “pai de verdade”, desde que Jor-El não é o mesmo tipo de herói com o qual seu filho cresceu para ser… na verdade, sua derrota e falta de poder para mudar o destino de seu mundo são o que fazem aquele capítulo da história tão sombrio. E por fora, isso é mantido intacto em O Homem de Aço (2013), mesmo se essa versão do brilhante cientista Jor-El é um pouco mais… “mãos à obra”. Desta vez, no entanto, suas esperanças para o bebê Kal-El são um tanto mais profundas.

Jor-El não tem a intenção de enviar seu filho à Terra para que ele possa simplesmente sobreviver, ou garantir a sobrevivência da própria Krypton, como Zod pretendia. Quando Kal encontrou pela primeira vez a inteligência artificial de seu pai na nave Kryptoniana, Jor-El explicou que a destruição de Krypton não foi uma catástrofe. O núcleo instável do planeta foi a causa de sua destruição; mas, na verdade, o que aconteceu foi resultado de Krypton falhando no nível da sua espécie. E por aquela razão, nem Jor-El e nem sua esposa escapariam do planeta com seu filho. Nessa versão da história, Jor-El tinha o seguinte pensamento:

“Lara e eu éramos um produto das falhas do nosso mundo… e éramos ligados ao destino dele.”

Um destino que começou a tomar forma quando Krypton deu as costas para as descobertas, para a criatividade, para a esperança e para o otimismo… e buscou controle, poder, medo do desconhecido, e o orgulho em sua sociedade estritamente estruturada. Mas por Clark nascer livre daquele sistema social e ser enviado à Terra como recém-nascido, Jor-El explicou:

“Nesse momento, você é uma criança da Terra, assim como é uma criança de Krypton também. Você pode incorporar o melhor dos dois mundos: o sonho que sua mãe e eu dedicamos nossas vidas para preservar. As pessoas na Terra são diferentes de nós, é verdade. Mas no fim, eu acredito que isso é uma coisa boa. Eles não vão necessariamente cometer os mesmos erros que nós. Não se você os guiar, Kal. Não se você der a eles esperança.”

O tal sonho a que ele se refere é o retorno da escolha e da chance que, conforme ele acreditava, iniciou a grandeza da própria Krypton. É a ideia de que crianças poderiam sonhar com se tornar algo mais, algo maior do que o papel que a sociedade visa: “Você é a incorporação daquela crença, Kal”. Claramente, Kal-El é o sonho de seu pai para um mundo melhor se tornando realidade. Foi a sua esperança de que a humanidade evitaria o mesmo medo, complacência e resignação que levou Krypton à ruína. Tudo o que seu filho precisa fazer é inspirá-los e guiá-los em direção a um futuro mais claro, cheio de possibilidades.

E esse é o motivo pelo qual Kal-El está se sentindo tão derrotado no período em que acontece Batman vs Superman. Kal-El não foi bem-sucedido em inspirar a humanidade. Alguns o veem como uma figura divina, o que é preferível do que aqueles que o veem como alguém contra quem as pessoas se unem; mas nenhum dos dois equivale ao que o pai esperava. Jor-El esperava que seu filho, por ser tanto de Krypton quanto da Terra, pudesse orientar a humanidade sobre a luz… e não simplesmente levá-la até ela. No fim, foi o seu pai Kryptoniano que mostrou a ele um sonho, e foi o seu pai terráqueo que mostrou a ele o caminho.

Vendo o sonho de Jor-El quanto ao potencial de cada pessoa sendo uma força positiva em Lois, Kal-El então fez o que os Kents fazem e se apressou para salvar o dia pondo sua própria vida em risco. Mas com Batman vs Superman e O Homem de Aço contando a história de uma única vida, enxergá-los como um só inteiro revela a verdadeira jornada que o nosso herói tomou. Sua história começou com o seu pai tomando um golpe no peito, sacrificando a sua vida em troca de uma mera esperança de um amanhã melhor… e tal história termina com o seu filho encontrando o mesmo destino.

A única diferença é que Kal-El escolheu esse sacrifício, enquanto Jor-El foi assassinado por Zod. Mas quando você considera que a esperança de Jor-El era de que seu filho tivesse uma escolha, ele a utilizar para matar o monstro nascido do cadáver do mesmo Zod é bastante poético. Até mesmo a esperança de Jonathan Kent se concretiza, com o sacrifício de seu filho mudando o mundo para melhor, inspirando a humanidade — já que ele empunhou os poderes de outro mundo na vontade de proteger este aqui. E enquanto Jonathan caiu para proteger quem amava e Jor-El caiu em defesa da esperança, o filho de ambos caiu experimentando os dois legados.

O que levanta a questão: quem será ele quando voltar?

Superman: um super homem

Através da constatação acima, deveria estar claro que até aqui, no DCEU, o Clark Kent da Terra — outrora Kal-El de Krypton — tem simplesmente tentado realizar os desejos de seus dois pais. Compreensivelmente, a pressão por vezes parecia ser demais para carregar. Não é tão comum a audiência ver Clark Kent se incomodar enquanto gurus nos noticiários da madrugada discutem a ameaça que ele é. E isso sem mencionar como a sua falta de habilidade em integrar Clark e Kal o distanciou daqueles que ele ama. Em seus instantes finais, ele junta os dois não só. E em seguida à sua morte, parece que todos se dão conta de que ele realmente só estava tentando ser uma força positiva.

Essa história de origem é, analisando algum tempo depois… bem, uma história de origem real explicando como um bebê enviado de Krypton se tornou o super-herói que o mundo conhece agora como “Superman” — um ser que é maior do que qualquer homem normal, não simplesmente diferente ou desconhecido. Um homem de sua própria criação, sem legado ou sombra de pai falecido a obter ou da qual fugir. Um homem que aprendeu as lições de ambos os pais, de ambos os mundos, sacrificou tudo o que tinha em uma demonstração de verdade, altruísmo, heroísmo… e viveu para ver o futuro que inspirou.

Até aqui, o personagem tem sido meramente um Homem de Aço, ou se preferir, tem sido a ideia de Superman contra a qual Bruce Wayne foi à guerra por medo e xenofobia. Quando ele surgir de sua sepultura no Kansas para mostrar ao mundo que ele ainda o protege, Superman irá verdadeiramente aparecer, tendo merecido cada sílaba da alcunha mais sagrada da DC Comics e encarnando a determinação que ela promete.

Pode ter levado mais tempo do que alguns gostam para chegar lá, mas a trajetória explica por que motivo “Super” não descreve seus poderes, mas o próprio homem.

Fonte: Screenrant

8 Comments
  1. Guilherme Krüger says

    Cara.. que texto. Te amo

  2. Judge says

    Todos deviam ler esse texto e entender pq o super fica na Bad.. Ótimo texto.

  3. K'Brian Moraes says

    É por isso que eu aprecio tanto os filmes DCEU do Snyder. Pela visão que ele e os roteiristas tiveram sobre o Super. Eu não gostava muito do Superman, até ver e entender essa visão que demonstraram nos filmes sobre o personagem. Incrível como muitas pessoas criticaram/criticam negativamente os filmes.
    Ótimo texto!

  4. Will Kayron says

    O texto detalha tudo que é preciso. Muitos tem criticado mal o Super DCEU, mas justamente por não tentar entender sua trajetória e origem feitas em MoS e BvS. Eu devo dizer que gosto muito do Superman (herói favorito), mas a crítica especializada e até mesmo amigos, desgostam tanto desse Super do Snyder, que eu chegava a me questionar se eu não queria ver algo de errado que eles viam. Continuo firme, Snyder é MITO, Cavill como Superman é incrível, e logo teremos o REBIRTH desse ícone.
    Parabéns mesmo pelo texto cara!

  5. Jotafar says

    As pessoas perderam a paciência com tudo, então, não conseguem mais ver uima história ser contada e desenvolvida, tem de ser tudo rápido e mastigado. Que bom que a DC está sendo detalhista e construindo tudo bem amarrado e com calma nos cinemas, dane-se quem não ver isso!

    1. Márcio Neves says

      Amém…
      É ISSO AI CARA…

  6. Márcio Neves says

    É isso ai e + 1 kg de Farofa…

    Depois dos clássicos inesquecíveis de Superman 1 e 2, superman foi mal produzido no 3 e 4, além da super girl de 1984, pra piorar o superman de 2006 repetiu a fórmula já cansada de 1978, que na época deu certo mas em tempo atuais já não funcionava mais.
    Explico:
    Superman o filme de 1978, foi baseado nas hqs de 1938 a 1978 ( 40 anos) ou seja baseado nos primeiros 40 anos de herói por isso quando ele entrada na cabine telefônica e saia de lá vestido como o superman o com”S” estampado e tocando a musiquinha tema a galera enlouquecia, pois as história retratavam a sociedade nos anos 30,40,50 e 60…

    O Superman de Cavill trouxe uma nova maneira de enxergar o superman graças ao Deus incompreendido do Snyder, que preferiu fazer filmes de super heróis explorando seus traumas, dramas e medos.

    Pois bem MOS foi aos cinemas em 2013, e quase no filnal de 2017 quase 2018 teremos a Liga, isso é são histórias do superman de 1978 a 2018 (Ou seja os outros 40 anos do heróis).
    De 1978 tivemos história que de 1938 ate 1978 não existiam por exemplo:
    – A morte do superman
    – Flashpoint
    – Os novos 52
    – Morte em família (batman)
    – Injustice
    etc,etc,etc…
    É por essas e outras que o superman de hoje é diferente de 78, pois as histórias retratam mais a atualidade.

    RESUMINDO: CAVILL JÁ HAVIA RESSUSCITADO O SUPERMAN, ISSO POUCA GENTE PERCEBEU…
    Como eu nasci em 1978, mesmo ano do lançamento do filme do herói, é natural que o superman seja meu herói preferido, tenho tudo do azulão, mas fiquei desapontado com a perda de popularidade nos anos 90 e 2000.
    Mas vibrei com a volta dele dirigido pelo Snyder, se a maioria das pessoas não entenderam é problema delas, eu que sou fã achei demais, porque eu consigo entender o drama do superman dirigid0 pelo snyder, quem quer ver piada e ação não entende essa paixão…

    Da-lhe Dc

    Ansioso pra ver a Liga…

  7. André Souza says

    BELO TEXTO,EU REALMENTE ESPERO Q ELES SAIBAM A IMPORTÂNCIA DESSA VOLTA DO SUPERMAN E Q FAÇAM DIREITO…ELES NÃO PODEM ERRAR NESSE FILME,JÁ NÃO HÁ MAIS ESPAÇO PRA ERROS DC!

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