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DC FILMS | DCEU e a crítica – Parte 4 de 4

by on abril 22, 2017
 

Nos artigos anteriores, tivemos um bom panorama do significado da crítica, dos reviews e das comparações que são feitas, rediscutindo o papel de todos. Aqui, faremos referência direta a como deve se portar o fã e qual a causa que precisa ter sua fidelidade.

Com os três filmes lançados, o DCEU trouxe aos cofres do estúdio aproximadamente 2.3 bilhões de dólares. E enquanto os críticos têm levado os Aggregate Scores do tão citado Rotten Tomatoes para mais notas baixas, os Audience Scores combinam para uma nota mediana de 3.67 (de 5.00 possíveis). Não é um espetáculo, de forma alguma, mas uma nota mediana… é uma nota mediana (dado o tom em torno de dois dos três filmes, alguns chamariam isso até de vitória). O ponto a ser destacado é: enquanto as vozes da blogosfera dos filmes dizem, com autoridade, que a crítica especializada precisa ser objeto de discussão, imediatamente, e com o DCEU em risco… os dólares da bilheteria dos cinéfilos dizem algo diferente.

E quando você leva em conta o que a DC está perseguindo — as vozes criativas que ela está deixando falar a custo da aceitação geral — e ao mesmo tempo o racha entre a audiência e os críticos de filmes aumenta, notas de Reviews podem não ser um modo de julgar seu “sucesso”.

Nem um pouco.

Parte 4 – Afinal, qual deve ser a função do fã diante dos números da DC nos cinemas?

Primeiro e mais importante: vamos colocar os fatos na mesa. Afinal, de nada adianta tentar fundamentar uma análise no achismo, e na futebolização do argumento que a internet se acostumou tanto a patrocinar (e a qual explicaremos mais tarde).

 

Números do DCEU até aqui (fonte: the-numbers.com). CLIQUE PARA AUMENTAR

O Homem de Aço (2013) é o marco inicial do universo da DC para o cinema atual, o DCEU. Neles, temos a reintrodução do Superman como principal herói do planeta, diante de uma ameaça Kryptoniana e, portanto, de sua própria terra natal. O custo do longa foi de 225 milhões, 25 a menos do que o próximo capítulo do universo, o fatídico Batman vs Superman: A Origem da Justiça, que só viria aos cinemas três anos depois. O filme introduz Batman e Mulher-Maravilha no DCEU e opta por uma visão bastante alternativa à comumente apresentada por filmes de super-heróis: uma visão sombria, por vezes realista e tão obscura quanto épica.

O filme pode ser visto como uma tentativa corajosa da DC e de Zack Snyder, o diretor dito como visionário por muitos e como incompetente por tantos outros. A bilheteria total de cerca de 869 milhões nos dá a entender que, apesar de o filme não ter a relevância esperada após um período de marketing pré-lançamento bastante movimentado, com todo tipo de comerciais, trailers e pôsteres no mundo inteiro, o público no geral comprou a ideia. Claramente, será bastante difícil um filme do DCEU fazer o barulho que Batman vs Superman fez. Até hoje, imaginemos: os dois maiores heróis de todos os tempos, Superman (o maior de todos) e Batman (o mais bem-sucedido de todos), se reunindo para uma batalha nas telonas? Céus! Se algo assim não movesse montanhas, não poderia ser bom.

E é aqui que muitos se apressam em dizer que não moveu mesmo. Será que não?

  • O filme é o nº 50 de todos os tempos em bilheteria total, sem contar ajustes da inflação (que tornariam “E o Vento Levou” o maior de todos os tempos, por exemplo). Até hoje, após Esquadrão Suicida, não há bilheteria maior no DCEU.
  • É apenas a segunda iniciativa do DCEU. Você consegue se lembrar do segundo filme de outros universos compartilhados? Algum deles tem relevância maior?
  • Ainda não apresentou uma visão próxima daquela do mercado, nem para Batman e nem para Superman. A fórmula do filme é absolutamente própria, e não consagrada — então se houve um erro de escolha na caracterização, o potencial total deles permanece escondido.
  • O filme foi amplamente contestado pela crítica especializada. E isso influencia diretamente na empolgação do público para ver o longa, e portanto no dinheiro investido por ele — sabemos que muitos se guiam pela crítica, pura e simplesmente, e até desanimam sozinhos por conta de uma nota baixa em portais de Reviews.

Se com todos esses e outros possíveis problemas o filme ainda fez sonoros 869 milhões de dólares, trata-se do “fracasso retumbante” que veículos usam para qualificar o filme? Pense.

Em Esquadrão Suicida, que foi lançado mais tarde e no mesmo ano de Batman vs Superman, a história foi um tanto diferente. Apesar dos bons trailers e do enorme buzz criado, o custo da produção foi um tanto menor (bem menor por exemplo do que todos os outros do universo compartilhado em questão), na casa dos 175 milhões de dólares. A bilheteria mundial foi de 746 milhões.

Em todos os filmes lançados até aqui, temos uma proporção de aproximadamente 1 para mais de 3, levando em conta o custo da produção e a bilheteria total ao fim da exibição cinematográfica (com exceção apenas do primeiro, O Homem de Aço, o que nos faz pensar em evolução). O gasto tão menor no caso do último filme pode significar um tanto mais de inteligência na hora de gastar o dinheiro dos estúdios, e para a continuidade isso é bastante importante.

 

Potencial do DCEU

E quem há de duvidar do poder de um universo compartilhado que conta com personagens como Superman, que é o maior de todos os tempos e o personagem que iniciou a moda dos super-heróis no século XX? Ou Batman, cujo legado ultrapassou os quadrinhos nas últimas décadas? Ou a fantástica Mulher-Maravilha que, dados os últimos acontecimentos nas Nações Unidas, só não é ainda maior por que não deixam? Quem há de duvidar de um mundo onde existem guardiões interplanetários, alienígenas, paranormais e uma mitologia própria?

Quem há de duvidar de um universo do qual fazem parte contos históricos como Watchmen, Reino do Amanhã, Entre a Foice e o Martelo, A Piada Mortal ou O Cavaleiro das Trevas?

DC Comics se tornou, há muitos e muitos anos, um dos mais respeitados e indiscutíveis legados do mundo, quando o assunto é cultura pop e relevância. Ano após ano, mais códigos são quebrados; quem não conhece Heath Ledger e o seu Coringa no chamado Nolanverse? Quem não conhece a capa vermelha do Superman e seu significado de modelo inspiracional a ser seguido? Quem nunca ouviu falar no Robin e na ampla e polêmica Bat-família?

Uma série de filmes que envolve o maior complexo de super-heróis do mundo é algo que nasceu para incomodar e jamais ser ignorado.

 

O critério exato e a futebolização dos estúdios

Critério é aquilo que ajusta a sua comparação de duas ou mais coisas entre si. É por causa do critério que você pode externar o pensamento de preferir Pizza em relação a Lasanha, e precisar ser respeitado (a). No uso do critério pessoal, você estabelece a comparação e mantém sua afirmação com base no que está certo diante dele. É por causa do critério que um carioca não pode ficar chateado ao ouvir que o time mais vitorioso do Rio é o Flamengo, torça ele para o time que for. Se o critério for falar a verdade, trata-se de fato consumado que o Flamengo tem mais títulos entre aqueles ditos mais importantes no futebol. E por falar nisso, essa necessidade de extremos, de estar de um lado e não do outro, é o que chamamos de futebolização: trata-se do comportamento baseado na afirmação de que é necessário escolher um único lado, inequívoco e exclusivo, como fazem torcedores mais apaixonados de times de futebol. Afinal, estamos mesmo acima da verdade, não é?

Feita a digressão necessária, é preciso estabelecer o critério para apontarmos o que quer que seja. É preciso também salientar o seguinte: apesar do que pode ser considerado desejável, não existe qualquer obrigação quanto a ter critério. Você pode afirmar o que quer que seja – obviamente dentro dos limites do respeito – e, como o critério de “opinião ser pessoal” não muda de acordo com contexto ou ausência de informação relevante, critério não é algo que se obedeça por necessidade.

E o bom senso? Por que o bom senso seria tão necessário diante de qualquer avaliação? Fica a pergunta para que você responda. Voltaremos a ela mais tarde, também.

Nesse meio tempo, basta pensar que, na Avenida dos Quadrinhos (que tem Marvel de um lado e DC do outro), é como se você tivesse o sobrenome Schrödinger e não precisasse estar de apenas um dos lados. A dicotomia não precisa existir aqui. E qual o fundamento para essa ideia? Vejamos:

  • Ambos os estúdios/divisões correspondentes às editoras – Marvel Studios para a Marvel Comics, e DC Films para a DC Comics – fazem um trabalho claro e abrangente. Seus trailers e promos movimentam a internet, existe um público permanentemente carente de bons trabalhos e sempre há material suficiente para um novo longa, visto que a mídia original quadrinhesca é ampla e continua relativamente inexplorada.
  • Além disso, é muito mais salutar que tenhamos mais de duas lógicas de cinema fazendo sucesso e movendo montanhas – e aqui inserimos inclusive iniciativas como a da Fox, que comprou vários direitos de personagens da Marvel há anos atrás – e não apenas uma, preponderante e eterna. Se juntos os filmes baseados em quadrinhos podem eventualmente saturar o mercado, separados há ainda menos chance de sobrevida. Divided, we fall.
  • Ambos os modelos de cinema são elogiáveis por si só. Ninguém tem dúvidas da contribuição da Marvel Studios para a era de super-heróis nas telonas; basta levar em conta que filmes como Os Vingadores, Vingadores: Era de Ultron, Homem de Ferro 3 e Capitão América: Guerra Civil totalizam quatro das doze maiores bilheterias da história (1/3 do total). E além do potencial supracitado, a DC entra com elementos novos: alguns dos maiores heróis da história dos quadrinhos, arcos consagrados e a tradição particular que possui, por ter mudado todo o status quo naquele que é considerado por muitos o maior filme baseado em quadrinhos da história (Batman: O Cavaleiro das Trevas, de 2008); sem contar que Christopher Reeve e um Heath Ledger deveriam ter monumentos em algum lugar do mundo. Já ouviu falar de Tim Burton?

 

No fim, o direcionamento ideal é também o mais simples

O que falta as pessoas perceberem é que a era dos super-heróis no cinema – nossos tempos atuais – é produzida somente para o deleite de sortudos, que sempre viram os personagens representados em inúmeras mídias e mal reconhecem a grandiosidade de tais eventos nas telonas. O que vivemos é raríssimo e será lembrado para sempre, provavelmente como um pequeno embrião de algo que se tornará certamente muito maior.

E aí? Já respondeu à pergunta sobre bom senso? Considerando que todos os filmes são feitos para todos os interessados, bastando que haja essa curiosidade para consumirmos um produto de altíssimo nível, faz sentido agora se utilizar de um critério permeado por bom senso ao evitar cuspir Hate sobre os nossos heróis?

Se comparar é inevitável, então por que motivo respeitar não é?

A resposta é sua. E a responsabilidade sobre ela, também.

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