379 views 0 comments

DC FILMS | DCEU e a crítica – Parte 3 de 4

by on abril 17, 2017
 

No artigo anterior, falamos sobre a crítica, aprofundando o argumento de que talvez a forma como a mesma vê os projetos do DCEU é que esteja equivocada, e não a arte cinematográfica do universo compartilhado em si. Aqui, discorremos um pouco mais sobre o significado da mensagem que os cineastas parecem querer passar, qual deve ser a resposta dos fãs (e como ela deve ser lida com base no que já percebemos até aqui), e começamos a traçar o panorama do comportamento de massa que rodeia tais filmes.

Ezra Miller interpreta o Flash (Barry Allen) no DCEU. A história do filme para este personagem tem passado por inúmeros percalços.

Com os três filmes lançados, o DCEU trouxe aos cofres do estúdio aproximadamente 2.3 bilhões de dólares. E enquanto os críticos têm levado os Aggregate Scores do tão citado Rotten Tomatoes para mais notas baixas, os Audience Scores combinam para uma nota mediana de 3.67 (de 5.00 possíveis). Não é um espetáculo, de forma alguma, mas uma nota mediana… é uma nota mediana (dado o tom em torno de dois dos três filmes, alguns chamariam isso até de vitória). O ponto a ser destacado é: enquanto as vozes da blogosfera dos filmes dizem, com autoridade, que a crítica especializada precisa ser objeto de discussão, imediatamente, e com o DCEU em risco… os dólares da bilheteria dos cinéfilos dizem algo diferente.

E quando você leva em conta o que a DC está perseguindo — as vozes criativas que ela está deixando falar a custo da aceitação geral — e ao mesmo tempo o racha entre a audiência e os críticos de filmes aumenta, notas de Reviews podem não ser um modo de julgar seu “sucesso”.

Nem um pouco.

 

Parte 3 – “Não estamos fazendo filme para os críticos”

 

É garantido que esse argumento vai ser ignorado por muitos, já que a questão de se Superman deveria ou não tomar uma vida algum dia se tornou evidência de Zack Snyder “entender o Superman errado” — e não evidência de que o debate existir, por si só, era a intenção explícita. Mas muitos críticos e membros da audiência desgostam tanto desse diálogo, e a questão em si, que eles irão até o ponto de declarar que isso nunca deveria sequer ser perguntado.

Jason Momoa é o Aquaman, que já desponta desde já como maior promessa de talento do DCEU.

Ou seja, o questionamento está fora dos limites, e é um insulto à audiência, ao material original e ao gênero no geral. E é nesse ponto que as coisas se tornam um problema. Porque, diferente como tudo hoje parece ser, essas pessoas estão tomando o lugar daqueles que diziam que a poesia, e não a prosa, era mais valiosa. Aquelas pinturas de Monet e Renoir seriam então apenas impressões de arte real. Analogamente, aqueles super-heróis de quadrinhos eram para crianças, sem qualquer mérito.

Essa audiência crítica não se entusiasma para, na hora certa, estar do lado errado da história — e que fique claro, as pessoas que desgostaram ou simplesmente “não entendiam” pinturas impressionistas não eram o problema. O problema estava naqueles que, acreditando estar em maioria, falavam tão depreciativamente que aquilo não era arte, não era válido, e era um insulto risível aos verdadeiros artistas. Até os mais cuidadosos na época poderiam reconhecer algum talento diante de trabalho, mas uma falta de forma, estrutura ou conhecimento de padrões aceitos pioravam o resultado. O conhecimento implícito sendo uma crença de que existe um jeito certo de fazê-lo… no fim, como sempre, simplesmente significa o jeito mais popular naquela época. Críticos que consideravam e, até mesmo em boas intenções, sugeriam que tais artistas insistiam no que as pessoas queriam ver, foram agradecidamente ignorados.

Os artistas estavam fazendo sua arte. E se eles estavam fazendo para alguém, era para aqueles que respondiam a ela: as pessoas engajando nessa arte de formas que normas estabelecidas e gêneros não poderiam (talvez por conta de a faísca criativa não poder mais brilhar através de tais normas).

De algum modo, a ideia moderna de que criadores de filmes estão fazendo-os “para os fãs, e não para os críticos” tem sido manchada como uma forma de desculpa; a coisa já não tem o mesmo sentimento. A frase entre aspas costumava falar pelos desconectados: aqueles que residiam entre os artistas e a crítica que os julga; a frase costumava falar que o que a crítica pode pensar não tem — e não deveria ter — relevância na criação da arte. E quando se trata de pintura, poesia, prosa, e até mesmo curtas-metragens ou videogames, qualquer entusiasta comum concordaria que transformar a arte num produto suscetível de alcançar a maior audiência é uma coisa ruim. Fãs de videogame são famosamente contrários à ideia, vendo esse movimento como trair àqueles que se conectam com sua expressão pura, apreciam sua inovação (em vez de imitação) e veem tal mudança como “se vender”.

A guerra travada entre os fãs dos filmes do DCEU e portais críticos relevantes como o Rotten Tomatoes tomou a web e originou inúmeros memes

Mas com Blockbusters de super-heróis, por razões que honestamente não entendemos bem, o oposto parece tomar conta. Aqueles que se chamam de fãs apaixonados do Superman e do Batman — e podem mesmo ser — zombam e difamam a arte que esses heróis inspiraram nos criadores de filmes, que no fim são seus amigos e fãs. Eles veem outros personagens estrelarem aventuras divertidas e para a família e perguntam por que os longas de seus heróis favoritos não podem seguir a mesma fórmula. Alguns até ridicularizam os cineastas para que façam as mesmas declarações políticas e levantem as mesmas questões complicadas que os criadores de quadrinhos — os mesmos que mostraram antes que as revistas eram mais do que roupas e superpoderes, para serem curtidos pelas crianças.

Algumas pessoas acreditam que, neste caso, os críticos recomendando que a DC siga os padrões da indústria — independentemente dos milhões respondendo à essa abordagem — estão no direito, objetivamente.

Talvez essa seja a demonstração do quanto fortemente personagens como Superman e Batman são valorizados pela sua audiência, que sente uma percepção de propriedade sobre eles, diferentemente da maioria dos outros personagens. Talvez seja frustração quanto a esses personagens estarem sendo usados para o tipo de expressão criativa que eles não gostem, e não possam ignorar devido à relevância da franquia Hollywoodiana moderna.

Talvez, seja até o caso de que as posturas políticas sendo gravadas em filmes sejam posturas contra esses fãs. Talvez seja um sinal de quantas pessoas vejam os filmes de estúdios como produtos antes de tudo, e só depois venha a “arte” (se é que vem). A essa altura, a natureza da imprensa entusiasta e as linhas borradas entre aqueles que relatam sobre a indústria de filmes e aqueles que a avaliam tornem esse diálogo complicado de começar, e ainda mais difícil de ser mantido.

Tudo o que sabemos, então, são os fatos. O DC Extended Universe está regularmente (e desfavoravelmente) sendo comparado a universos compartilhados dos quais ele também está fazendo esforços notáveis para ficar longe. É um empreendimento cinematográfico que já se vangloria de uma enorme diversidade, tanto na frente quanto atrás das câmeras, com alguns dos talentos mais respeitados da indústria continuando a adentrar os portões. Com apenas 3 filmes lançados, o universo DC tem 2.3 bilhões de dólares. E o quarto filme terá em sua estrela uma mulher (Gal Gadot), e será dirigido por uma (Patty Jenkins).

Se você nos perguntar, aqueles que guiam o DCEU não deviam mudar em função das críticas mais pesadas. Eles estão indo muito bem e obrigado.

CLIQUE AQUI PARA LER O ÚLTIMO ARTIGO ⋙⋙

CLIQUE AQUI PARA LER O ARTIGO ANTERIOR ⋘⋘

CLIQUE AQUI PARA VOLTAR AO ÍNDICE ====

Fonte: adaptado do artigo de Andrew Dyce no Screenrant