DC FILMS | DCEU e a crítica – Parte 2 de 4

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No artigo anterior, falamos sobre a situação, as práticas desejáveis e o papel dos Reviews como norteadores de opinião — é claro, refletindo sobre o sentido de aderir à prática tão seguida por tantos fãs nerds. Aqui, falaremos um pouco mais sobre a crítica, aprofundando o argumento de que talvez a forma como a crítica vê os projetos do DCEU é que esteja equivocada.

Henry Cavill é o Superman no DCEU.

Com os três filmes lançados, o DCEU trouxe aos cofres do estúdio aproximadamente 2.3 bilhões de dólares. E enquanto os críticos têm levado os Aggregate Scores do tão citado Rotten Tomatoes para mais notas baixas, os Audience Scores combinam para uma nota mediana de 3.67 (de 5.00 possíveis). Não é um espetáculo, de forma alguma, mas uma nota mediana… é uma nota mediana (dado o tom em torno de dois dos três filmes, alguns chamariam isso até de vitória). O ponto a ser destacado é: enquanto as vozes da blogosfera dos filmes dizem, com autoridade, que a crítica especializada precisa ser objeto de discussão, imediatamente, e com o DCEU em risco… os dólares da bilheteria dos cinéfilos dizem algo diferente.

E quando você leva em conta o que a DC está perseguindo — as vozes criativas que ela está deixando falar a custo da aceitação geral — e ao mesmo tempo o racha entre a audiência e os críticos de filmes aumenta, notas de Reviews podem não ser um modo de julgar seu “sucesso”.

Nem um pouco.

 

Parte 2 — Críticos podem não estar errados… mas a perspectiva pode

 

A crítica é sempre bem-vinda e é válida quando ela pertence ao diálogo, cinematografia e a execução artística de um filme em relação às ambições e intenções dos autores. Mas, como qualquer um pode entender, a crítica se torna infinitamente menos construtiva ou menos progressiva quando as ambições e intenções sobre elas são supostas. E quando um crítico avalia que um filme falhou total e completamente ao executar sua suposta intenção ao ponto de fracassar em tudo, e mesmo as motivações por trás de tal intenção são questionadas, as pessoas podem e devem perguntar se a intenção foi mal compreendida. Não se trata de indiferença a críticos, e nem à crítica — mesmo críticos importantes interpretaram mal artes grandiosas, muitas vezes notavelmente.
Mas, conforme a crítica escala para extremos, se torna ainda mais importante se fazer um questionamento: existe uma outra intenção ou ambição que o filme consiga explorar num nível ainda mais alto? E há mais evidências que sustentem essa intenção do que aquela outra (suposta) que o filme parece ignorar completamente?

A recusa de alguns em acreditar que as escolhas de um diretor são realmente aquelas — e por isso são escolhas! — e não um produto de total distração ou incompreensão é algo que talvez nunca entendamos.

Mas é uma ideia simples: se Zack Snyder quisesse que a audiência acreditasse que Superman era infalível e estava acima de dilemas morais do nosso mundo, então ele não teria de matar Zod.

Se David Ayer quisesse que a audiência acreditasse que fazer a coisa certa anularia os erros de seu passado, então o Esquadrão Suicida não acabaria com seus membros na prisão.
E se Snyder quisesse que a audiência pensasse que boas pessoas são imunes a serem manipuladas por paranoia e medo, Batman não teria sucumbido a coisas como essas.

Se ele tivesse a intenção de “a audiência ficar confortável, com o fato de declarar guerra se baseando em xenofobia e um ‘bem maior’ ser algo que pode ser desfeito, revertido e substituído”… então Superman não teria terminado num caixão.

E enquanto alguns podem criticar Patty Jenkins por ter a primeira aventura de Mulher-Maravilha terminando na inaptidão de ela “salvar” o dia como algo desapontador, ou “menos divertido”, temos esperança. Esperança de que em 2017, a questão de uma mulher idealista (porém poderosa) ser superada por um mundo de homens afundado em guerra e separações pode ser julgado como uma reflexão proposital do mundo no qual ela é feita.

Todos esses filmes — assim como seus heróis, escritores e diretores — contam histórias nas quais o herói não salva o dia. Eles não ficam com as mãos limpas. E ser rebaixado aos problemas, fraqueza e falhas de pessoas de todo dia não é uma queda temporária de seu estado de ser, superior e natural.

Isso não é escapista, nem idealista, e muitas vezes pode ser mais perturbador ou político do que divertido. Mas a ideia de que eles deveriam evitar de ser tais coisas, de fazer tais questões — evitando-as diretamente se um compromisso cria mais problemas do que soluciona — quando uma audiência massiva engaja nesse diálogo é algo desnecessário. Dinheiro fala mais alto, e se o povo está pagando a grana dele para tomar parte no debate, então quanto mais gente conversa sobre isso, melhor. Especialmente quando mudar esse diálogo não tornaria gênero ou indústria homogêneos, mas seria… bem, seria uma violação de uma das mais básicas filosofias de qualquer arte, artista ou crítico.

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Fonte: adaptado do artigo de Andrew Dyce no Screenrant

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