DC FILMS | DCEU e a crítica – Parte 1 de 4

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O mundo online dos Blockbusters de super-heróis de quadrinhos e os blogs de filmes e leitores que os seguem se tornaram um lugar estranho nos últimos anos, especialmente para os fãs da DC Comics. Não faz muito tempo que a criação do DCEU (Universo Estendido da DC para os cinemas) parecia ser simples de entender: uma lista de filmes solo de super-heróis e da Liga da Justiça interconectados, seguindo os passos ditados pela Marvel há anos. Quase imediatamente, no entanto, a DC começou a seguir uma rota diferente — que comparada ao jeito certo de a Marvel fazer as coisas foi considerado, obviamente, o jeito errado. Tal negatividade se espalha até os dias de hoje, quando Ben Affleck pode querer deixar o projeto The Batman, e quando Matthew Vaughn dirigir a sequência de O Homem de Aço (2013) é visto como “salvar” um filme antes mesmo de ele ser feito.

O Batman de Ben Affleck já é um dos preferidos dos fãs.

Agora, isso resultou numa atmosfera na qual a discussão online sobre Superman, Batman, Mulher-Maravilha ou qualquer outro filme sobre personagens da DC — não importa quem o faça — é colocada numa narrativa maior de falha, tanto crítica quanto criativa, em completo desacordo com as milhões de pessoas que se alinham para ver e curtir tais filmes. Nos sucessos do estúdio… são postos asteriscos; os vencedores do Oscar de Esquadrão Suicida… são alvos de comentários maliciosos; e aqueles que gostam da exploração que a DC faz da moralidade criminal e xenofobia… são postos para parecerem minoria.

O problema é que, apesar disso, os números não divergem ou, francamente, não são tão excitantes.

Com os três filmes lançados, o DCEU trouxe aos cofres do estúdio aproximadamente 2.3 bilhões de dólares. E enquanto os críticos têm levado os Aggregate Scores do tão citado Rotten Tomatoes para mais notas baixas, os Audience Scores combinam para uma nota mediana de 3.67 (de 5.00 possíveis). Não é um espetáculo, de forma alguma, mas uma nota mediana… é uma nota mediana (dado o tom em torno de dois dos três filmes, alguns chamariam isso até de vitória). O ponto a ser destacado é: enquanto as vozes da blogosfera dos filmes dizem, com autoridade, que a crítica especializada precisa ser objeto de discussão, imediatamente, e com o DCEU em risco… os dólares da bilheteria dos cinéfilos dizem algo diferente.

E quando você leva em conta o que a DC está perseguindo — as vozes criativas que ela está deixando falar a custo da aceitação geral — e ao mesmo tempo o racha entre a audiência e os críticos de filmes aumenta, notas de Reviews podem não ser um modo de julgar seu “sucesso”.

Nem um pouco.

Parte 1 – O DCEU deve se transformar… mas no que, exatamente?

Robert Downey Jr., o Homem de Ferro, é considerado o rosto, o coração e a base de todo o Marvel Cinematic Universe.

A resposta aqui é óbvia para qualquer um que engaje em discussões online, já que um estúdio é mais julgado do que qualquer outro quanto a fazer seu trabalho do supracitado jeito certo. Tão certo que era banal ver qualquer Review de um filme da DC ser comparado a um Review de filme da Marvel Studios, e nos casos mais severos, dizerem nesses Reviews que a DC deveria tomar o lugar de oposição. Em resumo, eles deveriam copiar a fórmula da vitória da Marvel — uma estratégia que, dependendo de para quem você pergunte, é a fórmula gananciosa, criativamente falida, e apressada que na verdade colocou a DC nessa bagunça, para começo de conversa… ou então, é aquela fórmula que eles deveriam seguir para finalmente saírem dela. E as comparações são difíceis de argumentar: os filmes da Marvel são divertidos e para toda a família, fáceis de curtir e mais fáceis ainda de ver de novo. Em outras palavras, eles encontraram um mundo inteiro de personagens coloridos, capazes de eletrizar os fãs e seus acionistas, usando o momento daquele business para liderar a indústria e obter um lugar no topo diante de franquias globais.

Na sombra deste sucesso, os filmes da DC parecem falhar em cada um desses pontos: tais filmes lidam com temas sombrios e adultos, mostram heróis tão aflitos e derrotados quanto os vilões, e tomam os custos mais obscuros da destruição da cidade. Na essência, os filmes da DC teriam falhado em chegar às expectativas da audiência de um jeito prazeroso, divertido e otimista de fugir do mundo real por algumas horas. Esse é o critério estabelecido em incontáveis avaliações e entre grandes parcelas da audiência: Blockbusters de super-heróis funcionam melhor (ao menos no início [dos universos de cada um]) sendo menos depressivos ou arriscados, sendo temática e moralmente claros, e acima de tudo, funcionam melhor ao nunca forçarem a audiência a fazer perguntas difíceis sobre ela mesma, ou a se sentir desconfortável sobre a interação que ela (a audiência) tem com o filme.

Então, se uma história de super-herói padrão, escapista e divertida no DCEU que apresenta heróis como o mundo conhece é o seu objetivo, você nunca deve, sob quaisquer circunstâncias, fazer um punhado de coisas:

  1. Você nunca deve ter Superman sendo forçado a matar seu inimigo.
  2. Você nunca deve ter Batman ferindo criminosos com pouca preocupação pela sua segurança.
  3. Você nunca deve ter Superman e Batman refletindo problemas políticos atuais carregados de medo, paranoia, xenofobia ou segurança nacional.
  4. Você nunca deve fazer a primeira missão da Mulher-Maravilha ser aquela em que ela falha, testemunhando atrocidades que a convencem de que nosso mundo não vale a pena ser salvo.
  5. Você nunca deve fazer de um grupo de ladrões, gangsteres e assassinos encarcerados os seus heróis (e fazer com que continuem assim).

 

Todas essas escolhas, temas e enredos vão contra a busca de uma história tradicional de super-heróis, na qual os vilões são ruins, heróis são bons, e o interesse público está acima de tudo. Então, contra essa busca, na verdade parece meio estúpido sequer compará-los a filmes que tentam oferecer escapismo.

O mordomo Alfred é o fiel escudeiro de Bruce Wayne e de Batman.

Como mencionamos antes, não é uma questão de conteúdo e nem de moralidade: todo super-herói, em nossos dias, é um assassino. Mas onde O Homem de Aço, Batman vs Superman e Esquadrão Suicida diferem da norma é em convidar a audiência a desgostar, a discordar e a se desfazer da ideia de que tais filmes são feitos para serem curtidos passivamente — uma fuga de questões difíceis do mundo real. Uma audiência adulta poderia ver Batman marcar um traficante humano e acenar a cabeça aprovando tudo, por curtir a referência à justiça dos mafiosos. Mas Alfred questiona o ato, tornando tais aprovações desconfortáveis. E Batman segue esse pensamento ao extremo, o que traz ainda mais desconforto. É o tipo de interação que toda arte busca (ou costumava, ao menos), e a exata mesma questão já se apresentou pelo cinema americano e mundial.

Mas quando você convida as pessoas a desgostarem de um personagem, de um tema, ou de uma justificativa de um personagem, quem sabe até segurando um espelho para o mundo real, há uma boa chance de que essas pessoas irão — entenda! — desgostar da experiência, o que é meio que o objetivo. E uma boa parte da audiência realmente desgostou. Mas a julgar pelo retorno de bilheteria, pelas notas altas dadas pela audiência, e pela quantidade de conversa apaixonada que se precedeu e se sucedeu a esses filmes, muita gente gostou também.

Muitos, se não curtiram as respostas, gostaram sim das questões levantadas.

E no caso do Esquadrão, talvez tenham gostado ainda das características diferenciadoras das pessoas que perguntaram, também.

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Fonte: adaptado do artigo de Andrew Dyce no Screenrant

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