OPINIÃO: Crise nas Infinitas Terras alinha a DC e ajuda o leitor

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Uma das maiores barreiras que existem para que um leitor interessado comece e esteja engajado na empreitada de conhecer o mundo dos quadrinhos de uma editora é a falta de linearidade. Questões como “para ler esta saga, do que preciso saber antes? ”, assim como “mesmo conhecendo o contexto, será que entenderei tudo sem ser lesado pela falta de conhecimento sobre esse universo? ” costumam ser verdadeiros fantasmas a serem espantados por todos os interessados na adesão do leitor a uma HQ. E especificamente a DC Comics tem como DNA a tendência a causar esse tipo de confusão, já que a abordagem de diferentes mundos, origens e linhas de tempo costumam ser uma constante. E, bem, não se pode culpá-la pela riqueza em seu universo. O que fazer num mundo onde a visão sobre o que é o herói, o que ele faz e qual a melhor versão a ser utilizada numa história costuma ser uma dúvida?

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Com o nome original de Crisis on Infinite Earths, a legendária Crise nas Infinitas Terras (ou simplesmente Crise, para os íntimos como nós) veio para tentar alinhar variáveis e reduzir inconsistências, através de uma grande saga que envolveu anos de pesquisa e extensa dedicação dos autores Marv Wolfman e George Perez. Para você ter uma ideia: a Crise se tornou um marco, de tal forma que divide a visão sobre a linha do tempo da DC. Os termos pré-Crise e pós-Crise se tornaram figurinhas carimbadas e seguem, até hoje, sendo utilizados. A melhor forma de resumir a Crise é contá-la através de seu efeito prático: ela mudou o mundo da DC, reorganizou a linha do tempo, unificou as inúmeras Terras disponíveis e deu a todos uma sensação de recomeço.

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É claro que isso teve um preço a ser pago: é impossível não notar a quantidade absurda de personagens diferentes que habitam a saga. Se você não é um grande conhecedor desse número enorme de heróis, heroínas, vilões e vilãs, é provável que em algum momento se sinta um pouco perdido (a). Personagens mainstream como Batman, Mulher Maravilha e Superman são apenas parte de todo um contexto, sobretudo porque agora a versão de cada personagem é relevante também. A sensação de dúvida pode pairar no ar por mais tempo do que você gostaria. E em doze capítulos, isso cansa um pouco. Não chega a ser nada que vá te tirar a vontade de ler, mas é preciso se acostumar com o fato de que esse universo era um grande aglomerado de versões, impressões e interpretações: a DC inclusive comprava as criações de outras editoras e dava sua vez a elas nos seus quadrinhos.

O grande problema é que essa visão ambiciosa devia estar envolta a uma vontade organizadora maior. E unindo o útil ao agradável, na trama existe um vilão chamado Anti-Monitor, e seu objetivo é justamente destruir as diferentes realidades com uma onda de antimatéria, que fazia a existência ser apagada – feito uma borracha. A ameaça foi tão importante que matou personagens importantíssimos e tradicionais da editora, forçando a mesma a alterar suas versões ou mesmo mantê-los fora do radar por algum tempo. Isso, por sua vez, possibilitou o novo leitor utilizá-la como ponto de partida rumo a um entendimento mais compreensivo e estranhamente até inclusivo, apesar do caráter de reboot. Para muitos, a Crise é a grande megassaga da história e para os olhos mais atentos causa a nítida sensação de que você nunca mais lerá algo tão impactante, importante e resolutivo na DC Comics.

E assim como se dizia na época, a única coisa que podemos garantir é que só o tempo dirá se isso é verdade ou não.

Dramático e verossímil

Mas o resultado é absolutamente satisfatório, e a aglomeração de personagens dá dramaticidade e veracidade à ameaça do Anti-Monitor. Depois que se lê, é fácil notar o porquê de esta saga ser tão comentada e dita como obrigatória para todo aquele que pretende conhecer o mundo DC. É digerir rapidamente a quantidade absurda de informações e tentar visualizar as motivações, já que com a Crise nas suas mãos fica difícil de se ter preguiça de levantá-las. Talvez ela não se torne a sua saga predileta, mas nem assim ela deixará dúvidas da sua importância. E sequer é preciso muito tempo, ou era preciso estar vivo e ser fã da DC naquela época para se chegar a essa conclusão. A dica é dar chance ao grande clássico e lê-lo. A riqueza de detalhes só assusta até se reconhecer o tamanho da DC. E este é o melhor ponto de partida.

Slip Questão

Acadêmico de tecnologia, fã de séries, animes e filmes, programador, editor de vídeo, legendador, tradutor, leitor da DC Comics e guitarrista. Carioca nem sei o porquê. Mas acredita que o melhor sabor de pizza é de calabresa, que tempo bom é frio e chuvoso, e que a guitarra que toca nunca será mais importante do que a música que escuta.

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