Cinema
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OPINIÃO | Maze Runner: A Cura Mortal que funciona, mas é simples

Poron Janeiro 25, 2018
Detalhes
 
Diretor
Classificação
Duração

141 minutos

Estúdio

20th Century Fox

Positivos

Boas atuações e química entre atores
Trilha sonora evolui

Negativos

Roteiro falha
Fotografia pesada

Nota do editor
 
Atuação
85%

 
Roteiro
50%

 
Fotografia
60%

 
Trilha sonora
85%

Pontuação Total
70%

Hover To Rate
Nota dos usuários
 
Atuação
56%

 
Roteiro
44%

 
Fotografia
52%

 
Trilha sonora
49%

Classificação dos usuários
1Classificação
50%

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Esta crítica teve a colaboração de Isabelle de Holanda.


O filme Maze Runner: A Cura Mortal (no original, Maze Runner: The Death Cure) é o terceiro e também o último da série de filmes iniciada com Correr ou Morrer e Prova de Fogo. Assim como muitos dos filmes voltados para o público jovem, é adaptado de uma série de livros de James Dashner que faz relativo sucesso, bebendo da mesma fonte de histórias como aquelas da saga Jogos Vorazes e da fracassada Divergente.

Aqui temos Wes Ball continuando com seu trabalho como diretor, assim como os atores do elenco original: Dylan O’Brien (o Stiles Stilinski de Teen Wolf), que inclusive sofreu um gravíssimo acidente durante as filmagens, com fraturas na face e ossos quebrados, o que acabou suspendendo as gravações e adiando o lançamento do filme para este ano de 2018; Thomas Brodie-Sangster (Game of Thrones) volta como Newt, Ki Hong Lee (Dong Nguyen em Unbreakable Kimmy Schmidt) é Minho e a metade brasileira Kaya Scodelario (de Skins e do novo Piratas do Caribe) é Teresa.

Neste último filme temos a conclusão de toda a trama que foi construído ao longo da saga, além de algumas das melhores cenas e atuações. Os jovens atores mostram todo seu talento e de uma vez por todas selam o caminho em direção a uma possível carreira de sucesso em Hollywood.

Menção honrosa ao monstro da atuação Giancarlo Esposito (que também é diretor em outros longas), com aparições empolgantes junto aos jovens atores. Brodie-Sangster talvez seja o que mais se destaca dentre os mais novos, apesar dos mais de 15 anos de carreira com apenas 27 de idade.

Apesar das imensas semelhanças com outras séries de filmes e livros, inclusive na ambientação de um futuro distópico, de um planeta Terra praticamente destruído e do protagonismo jovem, o debate aqui tange a ética dentro das pesquisas medicinais e debate até onde a humanidade seria capaz de ir para buscar a cura de uma doença mortal e que ameaça a própria existência.

Por mais que seja uma história voltada para o público adolescente, as principais e mais adultas questões estão ali presentes e são de extrema importância para o desenvolvimento da história. Além disso, temos presente o conceito de “nunca abandonar, nunca deixar um amigo em apuros para trás” que, apesar de algo batido, talvez seja a parte mais presente e interessante da trama — que se desenvolve em muitos planos a partir desse conceito.

Podemos dizer que, ao fugir da regra de esticar em mais um filme e se manter como uma trilogia também no cinema, A Cura Mortal acerta em cheio, pois se tornou um filme com muito mais ação e com um desfecho bem feito e emocionante, que fatalmente tocará seu público-alvo.

Analisando o filme

Talvez a ambientação fotográfica tenha ficado um pouco aquém do esperado. Há muita superficialidade de localização porque a câmera está próxima demais dos acontecimentos, quase a ponto de esquecer o restante do cenário, o que apesar de dar intensidade às cenas também a tira um pouco da verossimilhança mais possível — o que é um pouco de falta de bom senso. Prova disso é que a esmagadora maior parte das cenas contempla alguma das duas possibilidades a seguir: ou o cenário é aberto e estamos à noite, ou não podemos ver os céus porque o plano é interior, ou seja, em local fechado. O início do filme é muito mais adequado por ter uma cena de ação durante o dia, onde tudo fica mais claro e a movimentação é valorizada. Mesmo os demais elementos se mesclam mais facilmente diante de boas decisões.

O roteiro não prejudica e nem qualifica o filme enquanto história contada. A ordem dos acontecimentos procede, mas o ritmo do filme não faz a trama brilhar. Soa forçado enxergar que o filme é dotado de boas cenas que só conversam entre si quando se sucedem.

Nas duas primeiras iterações da série Maze Runner, é fácil perceber que a trilha de Joe Paesano é exagerada. As cenas de esforço físico intenso possuem um tom exageradamente dramático no som, e o mais importante, a mixagem não ajudava em nada. Por vezes a trilha estava alta demais (o que às vezes tem função, mas na maioria das vezes, não). Nesta terceira, no entanto, a evolução é evidente: a música foi mixada de forma a não interferir na cena (característica de filmes de drama), mas no ambiente.

Um caminho mais simplista

Fechando sua trilogia, A Cura Mortal é uma boa tentativa de acerto, e em muitos momentos de fato acerta. Porém, por insistir em seguir um caminho mais simplista, perde pontos na falta de inventividade e criatividade, especialmente no que tange ao roteiro. O filme funciona como tal, mas contribui muito pouco decisivamente para uma franquia de filmes que tinha potencial amplamente maior — e que precisava muito de um terceiro título diferenciado.