Alan Moore e a filosofia em forma de quadrinhos Promethea

“Há 1000 histórias em quadrinhos nas prateleiras que não fazem uma leitura filosófica e uma que faz. Não há espaço para a que faz?”

De Alan Moore e J. H. Williams III a HQ Promethea é realmente o que o seu autor fala, uma filosofia em quadrinhos.
Sem citar é claro, inicialmente, as suas referências incríveis ao misticismo. Promethea mostra que uma história em quadrinhos não precisa ser algo sobre ação e ficção apenas (Sem querer generalizar, mas já generalizando), sobre pessoas dando tiros para todos os lados, ou jogando batarangues para todos os lados, mas também pode se tornar um trabalho literário a ser levado a sério. Com uma arte muito bonita de J. H. Williams III, que já fez trabalhos como “Batwoman”, e o roteiro impecável como só nosso querido Alan Moore pode fazer, Promethea se torna um trabalho que deve ser lido caso você goste de algo que faça pensar, ou se você for um fã de misticismo, e até mesmo se você for um fã de quadrinhos.
Não querendo puxar o saco do Alan Moore sempre, ele já errou, como em WildCats, e veja bem, acho que o projeto WildCats melhorou muito depois que o Alan Moore tomou as rédeas.

Sem mais delongas, vamos para a história.

A HQ tem como protagonista a estudante Sophie Bangs. Ela vive no Longínquo ano de 1999, nesta realidade, Nova York tem uma aparência meio futurista e em partes… Bem… 1999?
Há discos voadores  de policia passando pela cidade, e tomando conta de ameaças além de cinco cientistas que tomam conta de criminosos com raios e coisas do tipo. E estamos com a Sophie e Stacy, que estão batendo um papo no táxi. Enquanto Stacy vai para um trabalho muito cool, a Sophie, que é a mais nerd, está a caminho da entrevista com a mulher de um autor. O autor em questão escrevia revistas pulp sobre uma personagem muito amorzinho chamada de Promethea. Sophie que também não deixa de ser uma personagem muito amorzinho, descobre que Promethea foi criada por diferentes pessoas, e cada uma delas deu um desenvolvimentotumblr_inline_n2k4zqDN4M1s86fn9o diferente para a personagem. Como uma boa nerd, ela decide que vai entrevistar a esposa de um dos autores que criou a mesma, para um trabalho de faculdade.
Sem entregar muito do plot, a Sophie se descobre como a avatar da entidade Promethea, que é dada como “Entidade da criatividade”, e ela se vê em uma grande conspiração entre o mundo real e o “mundo das idéias”.
Para mim, seu amigo Ricardo, Promethea é uma das melhores obras do Alan Moore, logo ao lado de “V de vingança”. Eu possuo um top 10 sobre então vou mandar para não complicar a mente de vocês.

10: Superman: Para o Homem que tem tudo
9: Capitão Britânia
8: A saga do monstro do pântano
7: O que aconteceu com o Homem do amanhã?
6: 1963
5: Do inferno
4: A Liga extraordinária
3: Promethea
2: V de vingança
1: Watchmen

(Lembrando que isso se trata de minha opinião, se não concorda… Bom… Não concorde)

De volta a obra de arte.

Eu não estou preparado em termos de conhecimento para dar minha opinião sobre a obra, sinceramente eu acho que apenas o Alan Moore consegue. Eu acho que o que eu consegui apenas foi… 39%? E esse numero não tem base nenhuma. As referências dele são muito mas muito profundas. Porém meu caro leitor, isso não signifia que antes que você comece a ler qualquer coisa da obra você tem que ler MUITO mas MUITO sobre misticismo e tudo que puder ler sobre mitologia e poemas e até mesmo algumas coisas de quadrinhos, mas é claro, se for possível, dá uma lida aí.
Referências cristãs, folclóricas, cabalísticas, filosóficas… En3331tre outras. Tudo na revista faz referência a algo, eu achava que podia saber algo de referências mas eu não sei nada comparado ao (Alan Moore) Steve Rogers.
Acho que ela consegue ser mais difícil de entender em referências do que Liga extraordinária.

Mas, não tema caro leitor. Novamente, você não precisa ter o conhecimento do Moore para curtir essa HQ muito legal. Se possível pesquise muito sobre folclore mitologia, e religião antes de ler, porque em partes serve para isso, o Alan Moore tem muito conhecimento, mas ele acha que as pessoas deviam ter tanto conhecimento quanto ele então ele faz as referências para que você busque e se informe.

A um exemplo de Liga extraordinária, da qual ele realmente chega a um ponto que o estudo necessário é incrível. Este sim você precisa ler sobre os personagens antes para curtir a revista, e sendo assim, a obra deles. Com essa HQ (E outras) Podemos dizer que nosso querido Alan Moore é um cara sim com conteúdo, ele é diferente dos outros roteiristas, o mesmo não começa uma história e simplesmente sai contanto ela, tudo que ele admira e aprende ele insere nos seus projetos, e eu agradeço muito a ele por isso porque boa parte de meu conhecimento eu comecei a pesquisar com as obras do Alan Moore. E nada do que ele faz, é vazio, então por isso recomendo a qualquer leitor que queira aprender mais, e até sair um pouco da mesmice das histórias da Marvel, DC, Image e Dark horse. Mas porém entretanto toda via, visa vi, a revista não é só filosofia, nela há também possui sua dose de demônios sendo incinerados por cajados luminosos da bikini girl with machinne gun Promethea

Mesmo que ele faça tudo isso e exponha seu Sophie Bangs large 1conhecimento, o mais impressionante é que o Alan Moore não insere nada sem motivo. Sempre há um motivo para aquilo estar ali, não é algo “Ah olha aqui o que eu sei, e você não sabe, seu idiota, vá estudar” é mais para “Ah olha aqui o que sei, e você não sabe, e eu ainda sei inserir isto de uma maneira maravilhosa, seu idiota, vá estudar”. O mundo das ideias em si é uma referência a caverna de Platão, a maneira que ele insere isto é tão orgânica que fica realmente impressionante.

Agora vamos falar do Gorila Chorão.

Essa é provavelmente a melhor coisa de todas as HQs do Alan Moore. Para quem não sabe e nunca leu a estória, o Gorila Chorão é um personagem que chora muito e sempre vê o lado ruim da vida. Posso ter errado mas acho que é uma referência ao tempo em que a DC comics decidiu que colocar gorilas nas capas aumentavam as vendas.

Ás vezes ele fala coisas super profundas quando aparece de relance, outras vezes ele fala coisas cotidianas como:gorilachorao32

“Me falaram para instalar windows 95”

Ou

“Vá em frente, me pergunte sobre meu casamento”

Sobre a personagem Promethea

Acho que ela se compara a própria Mulher Maravilha em questão de personagem (Sendo Diana uma de minhas personagens favoritas). Ela se prova uma personagem feminina muito forte e interessante, sem deixar de contar o fato que ela tem muito de uma verdadeira “amazona” e “Entidade”. O jeito que ela conjurada, e o jeito que a mesma usa seus poderes, é que erguem a personagem. É também muito bom o jeito que o Alan Moore deixa para o leitor como a Sophie se sente naquele momento, como se houvessem duas delas, é esse o legal do fantástico, neste caso, deixar o leitor pensar em como é se tornar uma entidade. O modo como é desenvolvida a parte sexual da personagem também não fica para fora, Sophie tem seu lado sexual muito evidente e explorado, isso é uma coisa perceptível no Alan Moore, ele gosta de falar de sexo, e quem não gosta, não é mesmo? O modo como ela descobre as entidades do mundo das idéias que querem acabar com a Promethea
é muito bom da mesma maneira, se tratando do Alan Moore, a revista é complexa, e requer que você imagine muito, afinal a Promethea é uma ideia viva. Para não estragar sua experiência não vou falar mais da história, leiam e tirem suas conclusões.

Minha Conclusão?

“Há arma mais poderosa que uma caneta?”

Como já dito antes, para mim a revista é recomendada para todos, desde você que está de saco cheio das revistas assinadas por Rob Lifield, até você que quer ler um pouco de filosofia e quer adquirir conhecimento, e não sabe nada de quadrinhos. O trabalho literário é incrível, e mostra como a imaginação e o conhecimento são coisas fascinantes. A filosofia é fascinante, o misticismo é fascinante, o folclore, a religião… Tudo isso é o que faz de nós seres humanos, a crença no futuro, e no próprio “eu”.

Nota final: 10/10, já diria meu amigo Pedro, “Masterpiecememe-fry-boring-masterpiece!”

Se você não concorda… Bom… Opinião é que nem… Ah, você já sabe.

Raysom

Bacharel em Administração, DCnauta de coração, empreendedor viciado em chá, guitarrista aposentado, co-fundador da DC Brasil Club, Sindicato Nerd e Marvel Brasil Club.

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