13 Reasons Why | Crítica 1.ª Temporada

Os 13 Porquês é a série que o mundo estava precisando. Baseada no mistério escrito por Jay Asher, o programa consegue abordar de forma direta e sincera problemas que a sociedade prefere ignorar.

Acerta muito ao se distanciar do livro e contar mais sobre a vida dos personagens secundários — O livro conta apenas o ponto de vista de Clay, que escuta todas as fitas em uma madrugada.

Mesmo que você não goste de nenhum daqueles personagens, saber suas motivações e tudo que gira ao redor deles deixa-os mais humanos, tirando a impressão de mocinhos e vilões que o livro por vezes passa. E usa deste artifício para abordar outros temas igualmente sérios como famílias tóxicas, preconceito e drogas.

Existem muitas cenas com dia-a-dia de personagens que nós odiamos, mostrando que, por vezes, as pessoas são apenas produtos do lugar onde estão inseridas

Faz duras críticas sobre como a sociedade não está preparada para lidar com o suicídio. Cole alguns cartazes, faça um memorial e pronto, todos estão devidamente conscientizados. Também mostra como a escola não sabe como é a realidade naqueles corredores e o quão cruel ela pode ser.

Eu tive muito medo de que transformassem a história em algo mais leve para poder agradar o público jovem, porém foi o contrário. Todas as cenas mais “pesadas” que existem no livro estão presentes na série, com uma carga dramática de tirar o folego.

Como a trama se divide em dois períodos — o presente com o Clay e o passado com a Hannah, a série usa de sutilezas para situar o público. O mais notável é a mudança na paleta de cores, indo de um tom vermelho quando a garota estava viva e azul para o presente.

Toda a história da Hannah é chocante e não envolve apenas o bullying, mas o machismo também. Não existe vergonha ou medo do roteiro de escancarar isso.

“Você ouviu as fitas, sabe o que acontece quando uma garota pede ajuda”

A interpretação da Katherine Langford só enriquece a personagem. A cada porquê, um pequeno pedaço da protagonista morre e você percebe isso no olhar dela. Mas são nos quatro últimos que tem a chance de brilhar.

O show aqui pertence a Dylan Minnette que interpreta o Clay. Ele transmite angústia, dor, arrependimento, amor e até sinais de loucura em uma única cena, explorando as diversas camadas do personagem.

Infelizmente, ela não é perfeita. Existe uma quebra no ritmo, bem no meio da temporada, onde apenas alguns minutos do episódio realmente importam. E por falar de um tema tão sério e pesado, isso pode acabar atrapalhando quem assiste.

Mas nada disso consegue tirar os méritos de 13 Reasons Why que cumpre sua missão: contar a história de uma garota, para que essa mesma história não se repita com mais ninguém.

 

 

Milena Matias

Estudante de jornalismo, 19 anos e com um amor enorme por video-games. Séries e cinema são os segundos amores da minha vida.

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