Westworld – Crítica 1ª. Temporada

esse post contém spoilers

É muito difícil achar uma série nota dez: ela precisa se garantir durante todos os episódios, ser incrível em aspectos técnicos e ainda agradar dois tipos de público (críticos e os espectadores comuns). Foi isso que Westworld fez.

Se garantir durante todos os episódios não é uma tarefa fácil; Game of Thrones, por exemplo, começa com a temporada bombástica, coloca os episódios de “ponte” que são bem mais parados e depois volta com a emoção. Isso, as vezes, frusta o público.

Westworld não usa desse artificio; é como se tudo que assistimos fosse muito importante (e de fato é), eles conseguem deixar um clima tenso e fazer você sentir receio do que estar por vir sem precisar dos fillers, deixando o seu público vidrado durante os dez episódios.

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Os elementos de gancho são muito bem utilizados. Quando revelam algum tipo de mistério ou plot twist, acabam abrindo mais dez perguntas fazendo com que você não fique frustrado porque acabou e sim montando diversas teorias.

Talvez, se fosse por um defeito, colocaria nos plot twists da série. Eu tinha adivinhado a teoria das três linhas tempo, e achei que tinha sido “fácil” demais descobrir. Porém, em comentários no TV Show Time e em outras comunidades, tinha gente com opiniões contrárias e com teorias completamente diferentes; o que é uma qualidade.

Criar discussões que duram mais que meia hora após o fim do episódio é incrível e tudo isso sem subestimar a inteligência do seu público levando em conta que todas as pistas estavam em diálogos que pareciam soltos ou em simples movimentos de câmera.

Não é preciso nem citar a direção da série e sua fotografia. Ambos são impecáveis, fazem você sentir bem quando assiste e ainda ajudam a contar a história. Por exemplo, no plot da Dolores, era a direção que dava-nos pistas de que ela estava sozinha e revivendo suas memórias.

Em um momento está com o William, a câmera vira e ela está sozinha e com roupas diferentes (tudo isso passando despercebido).

Os atores merecem um parabéns a partes. Evan Rachel Wood interpretando Dolores, era bonito e assustador, principalmente em suas conversas com Ford e Bernard/Arnold, quando ficava oscilando entre o comportamento robótico e humano.

Anthony Hopkins agraciou-nos com seus monólogos e frases de efeito, que ao contrario de muitas séries, não estavam ali só porque era bonito de ouvir. Era difícil saber quais suas intenções e foi de longe um dos melhores personagens.

“O piano não mata o pianista se não gosta da música”

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Outro problema que havia encontrado era a história da Maeve; nenhuma das teorias tinham me agradado e não dava pra aceitar que ela tinha, simplesmente, despertado sozinha. Então o último episódio resolveu isso e de uma maneira linda.

A última cena, quando Ford diz que sua história era sobre “Um povo diferente que tinha que fazer as próprias escolhas” e vemos, pela primeira vez, Maeve fazendo algo que não foi programada e indo buscar a filha fez meu coração palpitar.

As analogias com Deus, feitas por Robert, contando como ele estava preparando os robôs para depois dar-lhes o livre arbítrio, foram incríveis.

E como dito anteriormente, para receber um dez é preciso agradar os dois tipo de público, coisa que Mad Max fez. Filmes aclamados como Spotlight, não agradaram muita gente por serem “parados”.

Westworld juntou elementos de sci-fi, que fizeram o grande público vidrar na série e fez isso com um roteiro impecável e um cuidado enorme em sua produção, fazendo com que a mesma fosse amada pelo dois lados.

Isso se deve, também, porque ela não foi feita para nenhum dos dois. O programa queria apenas contar suas história e contar do seu jeito, sem a obrigação de agradar. Em outros shows, é bem comum matar personagens de última hora porque alguém não gostou, sendo que o mesmo era muito importante.

Depois de tudo isso, não consegui achar um defeito. Ótima produção, ótimos atores, ótima direção e uma ótima história, sendo de longe a melhor série de 2016.

 

NOTA: DEZ

 

 


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