The Ranch – Crítica 1ª Temporada

A Netflix já provou que sabe trabalhar comédia e drama na medida certa; algo que faz rir ao mesmo tempo que incomoda (bem na pegada How I met your mother). E é assim que temos The Ranch.

Eu indiquei essa série no Top 5 de sitcoms, mas nunca fiz uma crítica, já que a primeira temporada foi dividida em duas partes. O programa conta a história de Colt Bennett (Ashton Kutcher), um jogador de futebol americano fracassado que precisa voltar a morar no rancho dos pais.

A primeira parte foca exatamente nisso: na relação do Colt com sua família, principalmente com o seu pai; Beau Bennett nunca perdoou o filho por desperdiçar aquela chance.

Ela consegue fazer um equilíbrio entre as situações engraçadas com Colt, tendo que se readaptar na vida de rancheiro, e o drama que é conviver com o seu pai, que não lhe da nenhum tipo de crédito

A série demora um pouco para achar o seu tom de comédia, em certas cenas você chora de rir e em outras não consegue esboçar uma reação. Ela não se estabiliza, pelo menos, até o quarto episódio; mas depois consegue manter um humor sádico e irônico que a acompanha até o final.

Os personagens são um ponto forte, cada um tem sua característica e um tipo de desenvolvimento próprio. Rooster é um forte exemplo disso, sendo o irmão de Colt, você espera uma personagem secundária que abusa de piadas sujas e está ali com uma função: fazer rir.

Até certo ponto ele é exatamente isso, porém, com o tempo nós vamos descobrindo uma profundidade em sua personalidade, principalmente relacionada ao irmão e o pai. Isso cria um vínculo emocional, você torce por ele o que é muito importante.

Em séries de comédia você precisa gostar dos personagens, diferente de outros gêneros, ela não tem uma trama principal tão envolvente que te prende mesmo se as pessoas no plot são insuportáveis.

1280_the_ranch_netflix

Chegando na segunda parte, temos um problema grave: triangulo amoroso. Trabalhar qualquer plot exclusivo de romance é algo difícil; é muito fácil enjoar dos mesmos problemas, envolvendo o mesmo casal, que vive em um termina e volta.

Quando Abby decide terminar com Kenny para ficar com o Colt, você espera que tudo acabe ai e a história siga adiante. Porém, durante quase cinco episódios, existe um foco horrível nesse relacionamento.

Você consegue entender esse tipo de desavença com personagens adolescentes, como foi o caso de Stranger Things (ainda que isso tenha sido uma subtrama); Mas quando são adultos, é difícil engolir esse tipo de comportamento.

De um lado Colt se sentindo injustiçado por ter terminado com Heather (e depois tendo uma recaída), e do outro Abby argumentando que é muito difícil terminar um relacionamento de cinco anos. Era mesmo necessário? Mesmo sabendo o final, todo essa trama romântica poderia ter sido melhor trabalhada.

Apesar disso, tudo fica mais suportável ao mostrar o inverso desse comportamento. O divórcio de Maggie e Beau apresenta um lado muito mais maduro.

Os dois realmente se amam, e dizem isso sempre; mas o relacionamento chegou em um ponto que só aquilo não bastava, eles mudaram muito durante aqueles quarenta anos.

Esse foi, com certeza, um dos pontos fortes da série. Ela soube mostrar como, nem sempre, o término precisa ser a base de brigas e murros; as vezes duas pessoas não se entendem mais, mesmo com todo o amor envolvido.

The Ranch tem problemas sérios de roteiro em certos episódios, traz um humor previsível e pouco inovador; mas em contrapartida, possui ótimas piadas, ótimos personagens e ainda nos traz reflexões pessoais tão tipicas da Netflix

NOTA: 8,0


%d blogueiros gostam disto: