The Crown – Crítica 1ª. Temporada

The Crown é grandioso em todos os sentidos, indo desde a ambientação da época até as incríveis performances dos atores. A série conta-nos a vida da Rainha Elizabeth II (Claire Foy) logo após a morte de seu pai, Rei George VI (Jared Harris) e seu casamento com Philip (Matt Smith).

Não é possível escrever uma crítica sem mencionar o quanto que a série traz um clima pesado para a tela. Ela não romantiza a Coroa ou a monarquia; na verdade, seu intuito é nos mostrar o quanto que esse trabalho é difícil.

A todo o momento, presenciamos a diferença entre Elizabeth (mãe, irmã e filha) e Elizabeth II, a Rainha. Elas não são a mesma pessoa e quanto mais o tempo passa, mais a Rainha toma o seu lugar. Muitos diálogos são feitos com o objetivo de nos fazer entender essa transição, que se torna cada vez mais difícil.

“Nós somos divididos ao meio. Arrancados de paginas de alguma mitologia bizarra, nossos dois lados, o humano e a Coroa, lutando em uma guerra civil interminável. E que prejudica nossa transição, como irmão, marido, irmã esposa e mãe”. – Duque de Windsdor.

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Esses dilemas morais são bem mais aproveitados graças as maravilhosas interpretações. Claire Foy está divina como Elizabeth. O seu papel é muito difícil, como monarca, ela não pode dar opiniões diretas, tendo que transpassar boa parte das emoções apenas com o olhar.

Você consegue perceber se ela está bem, triste, cansada ou nervosa sem que a mesma diga uma palavra. Mas sempre que temos a chance de ouvi-la, é capaz de sentirmos arrepios de tão emocionante. Mesmo que minha torcida para o Globo de Ouro, esteja nas mãos de Evan Rachel Wood, se Claire ganhar não posso dizer que foi uma injustiça.

Todo o elenco merece destaque. Matt Smith está ótimo como Philip, ele consegue mostrar um misto de frustração, amor pela esposa e egoísmo; ainda tentando aceitar que ela não é apenas uma mulher com uma coroa na cabeça.

John Lithgow é um incrível Winston Churchill. Você sente o peso da idade e o quanto isso se mistura com sua vontade de ajudar o país, mesmo estando imponente. No episódio 9, tudo isso fica bem mais claro, quando nos aprofundamos ainda mais em sua vida pessoal.

  • O final desse episódio é maravilhoso, talvez o melhor da temporada.  –

Todos os personagens são aproveitados. O drama da Princesa Margaret (Vanessa Kirby), ao estar apaixonada por um homem divorciado, até as dificuldades da rainha-mãe tendo que se acostumar com a ausência do marido.

the-crown-netflixA maior parte desse aprofundamento é baseado na relação deles com Elizabeth e suas dificuldades de lidar com a pessoa que ela se tornou. Atos como ter de proibir o casamento da Margaret, por conta do escândalo que isso poderia gerar (como aconteceu quando seu tio abdicou), nos mostram o quanto a Coroa pode ser frágil.

“Eu não tenho nada a esconder, Porchey é um amigo. E sim, existem os que prefeririam que eu me casasse com ele. Na verdade, casar com ele teria sido muito mais fácil, e talvez funcionado melhor que o nosso. Mas para a frustração de todos, a única pessoa que eu amei foi você. Você pode me olhar nos olhos e dizer o mesmo?”- Elizabeth

O roteiro é uma dádiva. Ele consegue te explicar formalidades da politica britânica, sem que ninguém morra de tédio. Os diálogos são muito bem escritos e nada parece forçado.

Não é como se eles estivessem buscando cenas chocantes a troco de nada. Cada monólogo tem um motivo para existir, transformando a experiência do espectador em algo mágico. Não temos ninguém dando um discurso porque fica bonito em tela, precisamos contar algo ao público e esse é o melhor modo.

A direção da vida a história, da para sentir que existe alguém ali chamando nossa atenção. Isso acaba juntando-se com a fotografia, transformando cada ambientação em um show de imagens. A grandiosidade do Palácio, usando uma paleta com cores vivas e a frieza do Parlamento, com uma paleta bem mais monótona.

A trilha sonora é muito boa e existem momentos que você só quer pausar o episódio e apreciar a beleza das cenas.

The Crown só é mais uma prova que com o investimento certo, é possível fazer séries com o mesmo peso de um filme. Infelizmente, seu único defeito é não funcionar para todos os públicos. É necessário paciência para assistir, ainda mais tratando-se de uma série documentário.

Com uma produção perfeita, atuações maravilhosas e um cuidado genuíno com a história The Crown prova-nos, que mesmo tendo um dos seus títulos cancelados, o reinado da Netflix com suas séries divinas ainda vai durar por muito tempo.

NOTA: 9.9


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